No Congresso Nacional, debatedores criticam falta de promoção do turismo brasileiro

A audiência foi proposta pela senadora Lídice da Mata.
A audiência foi proposta pela senadora Lídice da Mata.

A escassez de recursos do Ministério do Turismo e a pouca divulgação dos grandes eventos que serão realizados no Brasil a partir deste ano preocupam especialistas e empresários do setor turístico. Essa e outras questões relacionadas à Jornada Mundial da Juventude, à Copa das Confederações, à Copa do Mundo de 2014, às Olimpíadas e Paraolimpíadas de 2016 foram debatidos nesta quarta-feira (12/06/2013) durante audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo do Senado (CDR). A audiência foi proposta pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA).

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Enrico Fontes, afirmou que os grandes eventos vão beneficiar projetos de infraestrutura e logística e irão favorecer a divulgação do Brasil no exterior, o fluxo de turistas, os investimentos estrangeiros e a geração de empregos diretos e indiretos no País. “Na visão da Embratur, o setor está investindo e gerando 20 milhões de empregos até 2020″, disse. A expectativa, segundo Fontes, é de que a Copa do Mundo mobilize 600 mil turistas estrangeiros e 3 milhões de turistas brasileiros. A estimativa é de que o evento acrescente R$ 183 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil até 2019.

No entanto, o presidente da Federação de Convention & Visitors Bureaux de São Paulo (FC&VB-SP), Márcio de Oliveira, está preocupado com a promoção do evento. Segundo Oliveira, o Comitê Gestor da Copa do Mundo de 2014, o Gcopa, está ignorando a divulgação e o Ministério do Turismo apenas realiza obras de infraestrutura. Ele afirmou que o Gcopa aprovou 96 projetos de promoção da Copa do Mundo, mas, até agora, não executou nenhum. “Se não tomarmos o devido cuidado com o Brasil, não vamos chegar em 600 mil turistas. Não adianta fazer milagre. A Copa do Mundo não se vende sozinha”, afirmou.

A senadora Lídice da Mata também criticou a falta de promoção dos grandes eventos que o Brasil vai sediar. Ela defendeu que o Ministério do Turismo reivindique sua função de promover o turismo no País e que a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) faça o mesmo quanto à promoção do turismo brasileiro no mercado internacional. “Não poderia caber ao Gcopa a promoção do turismo no Brasil, porque o Gcopa nem existia, não tem tradição nem conhecimento algum de promoção turística. Quem tem conhecimento é a Embratur, com todos os seus problemas e dificuldades”, argumentou a parlamentar.

Oliveira ainda alertou para uma campanha que estaria sendo realizada na Europa para desestimular os turistas a virem ao Brasil em razão da violência. “Isso está acontecendo na Europa de forma bastante significativa”, informou.

Desoneração do setor – O presidente da FC&VB-SP recomendou a ampliação do orçamento do Ministério do Turismo e a desoneração do setor. No entanto, a senadora Lídice da Mata afirmou que, antes de se falar em desoneração, é preciso saber a contrapartida do setor para beneficiar o turismo, como a diminuição das tarifas dos hotéis. “O Rio de Janeiro pratica uma tarifa acima da média de mercado nacional. Não é possível fazer turismo no Brasil, fora dos grandes eventos, atraindo turista internacional com a taxa média de hospedagem cobrada”, criticou.

Aviação e Navegação – A aviação do País é um setor competitivo no cenário mundial, mas pode melhorar, reduzindo o custo de querosene para as aeronaves e a tributação sobre o combustível. Essa foi a visão apresentada pelo presidente da Confederação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz. Segundo ele, enquanto o galão de querosene de aviação custa em torno de US$ 3,00 nos Estados Unidos e na China, no Brasil custa US$ 5,00. “Não há tributação sobre o querosene de aviação em nenhum outro país. O Brasil é o único que faz isso.  Por quê? Porque o querosene de aviação é considerado um insumo estratégico em todo o planeta”, explicou.

Para Sanovicz, há três desafios para o setor de aviação no País. O primeiro seria diminuir o custo de tributos e de tarifas e melhorar a infraestrutura, o que aumentaria a competitividade. O segundo está relacionado à sustentabilidade e à otimização de rotas aéreas, e superá-lo poderia reduzir o tempo dos vôos. E, por fim, há o desafio de capacitar as pessoas para receber estrangeiros de diversas línguas e culturas.

O presidente da Confederação Nacional do Turismo (CNTur), Nelson Pinto, disse que a entidade vai promover o turismo nos entornos das capitais do País durante os eventos esportivos.  No entanto, segundo a senadora Lídice da Mata, para  isso seria preciso melhorar a aviação regional. “Não temos uma aviação regional que possa garantir que alguém que vá visitar Salvador faça, num dia descanso, uma visita sequer à Chapada Diamantina, porque não temos vôos diários para a Chapada”, exemplificou.

Navegação – A navegação turística, por sua vez, está enfrentando um momento de enfraquecimento, segundo o presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Abremar), Ricardo Amaral. Segundo ele, os navios para cruzeiros marítimos no Brasil vão diminuir de 20 para 15 até 2014. “O Brasil caiu de 5º maior destino, com mais de 800 mil turistas viajando por ano, para 7º maior destino em 2011 e a Austrália também deve nos ultrapassar nesta temporada”, disse. Ele alertou que o problema da tributação sobre os combustíveis também afeta o setor da navegação turística, pois faz com que os navios desviem a rota do Brasil para outros países, em busca de um combustível mais barato.

Sobre Carlos Augusto 9528 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).