Edifício Jorge Leal: prédio lançado por Edson Piaggio provocará impacto negativo nas vias públicas no entorno do fórum de Feira de Santana

Ilustração do edifício Jorge Leal. São apenas 140 vagas de garagem para o total de 141 unidades comerciais. Se apenas um proprietário de cada unidade usar carro, faltará uma vaga de garagem para um dos proprietários das salas ou das lojas.
Ilustração do edifício Jorge Leal. São apenas 140 vagas de garagem para o total de 141 unidades comerciais. Se apenas um proprietário de cada unidade usar carro, faltará uma vaga de garagem para um dos proprietários das salas ou das lojas.

O Jornal Grande Bahia (JGB) consultou um arquiteto especializado em planejamento urbano para avaliar dois edifícios recentemente lançados em Feira de Santana, o Jorge Leal, lançado pela empresa EPP, que tem como presidente Edson Piaggio; e o Ícone Tower, lançado pelo Grupo Meddi, que tem como presidente o médico José Antônio Barbosa.

Resultado de uma série de reportagens que versam sobre a maneira como a cidade de Feira de Santana é construída e ordenada, os questionamentos desta matéria tiveram como ponto principal o acesso de visitantes/clientes que possuem carros, às vagas de estacionamento dos prédios e o impacto sobre as vias urbanas no entorno dos edifícios. O profissional que analisou o projeto dos prédios preferiu manter o nome em segredo. Com as informações em mãos, o JGB entrevistou dois empresários sobre a questão dos estacionamentos e os impactos que os edifícios causam nas vias.

Edifício Jorge Leal Law & Offices

Localizado nas proximidades do fórum desembargador Filinto Bastos, (Rua Coronel Álvaro Simões com a Aloísio Resende) o edifício comercial, Edifício Jorge Leal Law & Offices, lançado por Edson Piaggion possuí oito pavimentos, com 16 salas por andar, totalizando 132 salas, 9 lojas e 1 academia, lobby com pé direito duplo, recepção e catracas de acesso ao elevadores, mezanino com 4 salas de reunião.

São apenas 155 vagas de garagem para o total de 141 unidades comerciais. Se apenas um proprietário de cada unidade usar um carro, restaram apenas 14 vagas de garagem para os clientes das 141 unidades comerciais. Então, onde os clientes vão parar os carros? Nas ruas, obviamente, respondeu o urbanista. “É um projeto que cria um impacto negativo nas ruas e avenidas, pois as pessoas irão estacionar os veículos em uma zona que é extremamente complicada. O prédio do fórum não possui vagas de estacionamento suficiente para atender sequer os servidores. A área em que o edifício Jorge Leal está sendo erguido encontra-se congestionada de veículos”, destaca.

Um advogado disse que desistiu de adquirir salas quando percebeu que os clientes de paletó e gravatá teriam que transitar ao lado de pessoas suadas, com roupas de ginástica. “Trata-se de uma situação inadequada para o perfil de clientes que possuo.”, expressou.

Segundo Edson Piaggio o projeto do edifício respeita a Lei, respeita o código de obras do município. Quanto à academia, explicou que foi modificada para ser um multiuso. Mas quando questionado por que o prédio voltado à advocacia e aos negócios não continha um auditório? Tergiversou, respondendo que era o único edifício lançado em Feira de Santana que tinha salas Office-time (para alugar por hora), e que as receitas com o aluguel iriam para a administração do condomínio, com objetivo de diminuir os custos.

Ícone Tower

O Ícone Tower é o terceiro edifício que o empresário e médico José Antônio Barbosa lança na Av. Getúlio Vargas. Os dois edifícios construídos anteriormente, Medical Service e Meddi, têm graves problemas com relação às vagas de estacionamento para visitantes. Barbosa reconhece esta deficiência.

Localizado na confluência da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Aristides Novis, o edifício Ícone Tower possuí 16 pavimentos, com 9 salas por andar, totalizando 144 salas, e 11 lojas. Cinco pavimentos extras foram destinados a vagas de garagem, totalizando 207 vagas. Sendo que 52 vagas seriam hipoteticamente destinadas para clientes, isto levando em conta que cada proprietário das unidades façam uso de apenas uma vaga de garagem.

“É muito pouco para um empreendimento voltado para o setor médico e comercial. Qualquer prédio comercial deve conter o dobro de número de vagas de estacionamento. Levando em consideração o número de unidades comerciais, seriam necessárias 310 vagas de garagem . A situação se complica, porque será proibido estacionar ao longo da Getúlio Vargas, ou seja, as vias laterais serão saturadas com os veículos que atualmente ficam estacionados na Getúlio. Somando estes fatores a deficiência que os prédios que o empresário lançou anteriormente apresentam, o impacto nas vias é negativo.”, avalia o arquiteto.

Leis ruins e governantes ineficientes

O arquiteto observa que a legislação de uso do solo nas regiões centrais de Feira de Santana é equivocada, fazendo com que o custo do metro quadrado na Getúlio Vargas se torne mais elevado do que na Avenida Manoel Dias, em Salvador. O índice de aproveitamento do terreno em Salvador é superior ao índice de Feira de Santana. Não computar varandas, e áreas destinadas a garagens e depósito como área construída dentro do índice de aproveitamento do solo seria uma forma de ter edifícios que contemple vagas em excedente, contribuindo para diminuir o volume de carros estacionados nas vias públicas.

Ter um sistema eficiente de transporte público é outra medida necessária. Porem esta não é a realidade. Cobrando de R$ 5 mil a R$ 7 mil por metro quadrado, os empresários estão ofertando empreendimentos que podem causar transtornos a vizinhança e até aos futuros proprietários das unidades comerciais, uma vez que os empreendimentos não contempla com o número de vagas de estacionamento o considerável fluxo de pessoas, que se dirigirá a eles, no futuro.

Faltam duas coisas, “Um gestor com visão orgânica da cidade, e empresários comprometidos com projetos que tragam conforto para os futuros usuários dos edifícios. É lamentavelmente como as coisas têm sido conduzidas pelo setor público e pelo setor privado.”, finaliza.

Pensar Feira e os erros

No caso do empresário Edson Piaggio a situação é tão incômoda quanto à de José Antonio Barbosa. Piaggio é presidente de um instituto, Pensar Feira, que tem a pretensão de discutir a cidade, mas lança um prédio com limitação nas vagas de estacionamento. Quanto a Barbosa, perdeu a oportunidade de corrigir o erro que cometeu com os dois edifícios que lançou anteriormente. De fato, precisamos ‘Pensar e Discutir Feira de Santana’.

Fachada do Edifício Jorge Leal, localizado em Feira de Santana.
Fachada do Edifício Jorge Leal, localizado em Feira de Santana.
Ilustração do Ícone Tower. 52 vagas de garagem seriam hipoteticamente destinadas para clientes, isto levando em conta que cada proprietário das unidades façam uso de apenas uma vaga de garagem.
Ilustração do Ícone Tower. 52 vagas de garagem seriam hipoteticamente destinadas para clientes, isto levando em conta que cada proprietário das unidades façam uso de apenas uma vaga de garagem.
Ilustração do edifício Jorge Leal. São apenas 140 vagas de garagem para o total de 141 unidades comerciais. Se apenas um proprietário de cada unidade usar carro, faltará uma vaga de garagem para um dos proprietários das salas ou das lojas.
Ilustração do edifício Jorge Leal. São apenas 140 vagas de garagem para o total de 141 unidades comerciais. Se apenas um proprietário de cada unidade usar carro, faltará uma vaga de garagem para um dos proprietários das salas ou das lojas.
Proposta do edifício Jorge Leal, em Feira de Santana.
Proposta do edifício Jorge Leal, em Feira de Santana.
Proposta do edifício Jorge Leal, em Feira de Santana.
Proposta do edifício Jorge Leal, em Feira de Santana.
Redação do Jornal Grande Bahia
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