Vida após a morte | Por João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff.
João Baptista Herkenhoff.

Nosso texto “Indagações sobre a Fé”, publicado há alguns dias, suscitou interessantes questionamentos.

Inteligente e culto interlocutor, residente em Juazeiro, na Bahia, indagou se a Lógica, com abstração dos dados da Fé, conduziria a inteligência no sentido de aceitar a existência de uma vida após a morte.

O proponente da indagação deixou claro que não desejava argumentos bíblicos, pois estes obviamente socorrem a tese da vida extraterrena.

Tentemos elencar razões que demonstrem ser pertinente a crença na imortalidade, à luz do simples raciocínio dialético:

a) a crença numa vida pós-morte está presente em todas as culturas espalhadas pelo mundo, tanto hoje quanto em tempos pretéritos;

b) no Egito acreditava-se que após a morte física a alma compareceria perante o tribunal de Osíris. A vida terrena seria julgada e a recompensa dos justos seria a vida eterna. O corpo era mumificado e guardado num sarcófago;

c) na Grécia antiga, Pitágoras, Tales de Mileto, Platão e Sócrates comungavam a ideia de alma imortal;

d) Sócrates, à frente do tribunal que o julgou disse: Não tenho outra pretensão senão a de vos persuadir de que cuideis menos de vossos corpos mortais e de vossos bens, e mais de vossas almas; Platão, no diálogo de Fédon, ensinou que a alma imortal era parte da unidade intrínseca ao homem;

e) na Índia, o Hinduísmo e o Budismo afinam na aceitação da tese da imortalidade do espírito;

f) o Islamismo não discrepa dessa visão – depois da morte a alma vai para o Barzakh (barreira), onde aguarda seu último destino;

g) esse dado cultural, presente no Egito, Grécia, Índia, Universo Muçulmano e em muitas outras civilizações, está a assinalar, não um acidente ou um acaso, mas uma constante;

h) a verificação do liame que coloca povos das mais diversas latitudes, em diferentes épocas, atrelados à crença na imortalidade, é um fato comprovado pela pesquisa histórica, dentro de rigorosa metodologia;

i) o ser humano, no reino animal, é o único que deseja a imortalidade como apelo existencial;

j) essa aspiração à imortalidade é uma realidade antropológica que aponta para o destino eterno do homem;

k) pessoas que estiveram em coma profundo, após voltar à plenitude da vida relatam que durante o coma tiveram a visão do eterno, estiveram na ante-sala de um outro mundo. É o que conta, por exemplo, o neurocirurgião Eben Alexander, pesquisador da Universidade de Harvard, em livro que foi resenhado pelo jornal The New York Times (Proof of Heaven).  Seguem a mesma direção os relatos coligidos pelo médico americano  Melvin Morse, publicados no livro “Closer to the Light”, também resenhado no NYT.

*João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, escritor e Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo.

João Baptista Herkenhoff
Sobre João Baptista Herkenhoff 444 Artigos
João Baptista Herkenhoff possui graduação em Direito pela Faculdade de Direito do Espírito Santo (1958) , mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1975) , pós-doutorado pela University of Wisconsin - Madison (1984) e pós-doutorado pela Universidade de Rouen (1992) . Atualmente é PROFESSOR ADJUNTO IV APOSENTADO da Universidade Federal do Espírito Santo. Contato: Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas, Departamento de Direito. Avenida Fernando Ferrari, 514 | Goibeiras 29075-910 - Vitoria, ES - Brasil | Home-page: www.jbherkenhoff.com.br |E:mail: [email protected] | Telefone: (27)3335-2604