Sem acordo com MP, produtores do Oeste baiano não vão aplicar produto contra ataque da lagarta Helicoverpa

Eduardo Salles e agricultores do Oeste baiano.
Eduardo Salles e agricultores do Oeste baiano.
Eduardo Salles e agricultores do Oeste baiano.
Eduardo Salles e agricultores do Oeste baiano.

Depois de meses de muitas discussões com o Ministério da Agricultura e com os Ministérios Públicos Estadual, Federal e do Trabalho, buscando solução para a praga que está destruindo as lavouras da soja e algodão em nove municípios do Oeste da Bahia, os produtores, representados por suas associações, resolveram não bater de frente, neste momento, com o MP, que vetou o uso do Benzoato de Emamectina, e não aplicar este produto, único capaz de combater a lagarta Helicoverpa Armigera. Eles decidiram também que vão solicitar uma reunião com todas as instâncias do MP para posicioná-los sobre a gravidade do problema, e levar o assunto à presidente Dilma Rousseff. “O prejuízo já está consolidado este ano e não temos como recuperar o que foi perdido. Vamos buscar alternativas para a próxima safra”, disse a presidente da Associação dos Produtores de Algodão da Bahia, Izabel da Cunha.

Na noite desta segunda-feira, os presidentes da Associação de Produtores de Algodão da Bahia (Apaba), Izabel da Cunha; da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Júlio Buzato, e do Fundo de Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão, Ademar Marçal, se reuniram com o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, e com os diretores geral e de Defesa Vegetal da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab/Seagri), Paulo Emílio Torres e Armando Sá, buscando um caminho a ser seguido em relação a esse grave problema, que agora tem novo agravante. A lagarta Helicoverpa Armigera já está atacando também o feijão de corda, produzido basicamente pelos agricultores familiares da Bahia, e ataca também o feijão Gurutuba e o Fradinho, utilizado no preparo do acarajé. A lagarta já está presente nos estados do Paraná, Goiás, Piauí e Mato Grosso, e pode chegar a outras regiões.

O secretário Eduardo Salles explicou todos os passos que foram dados, desde que a praga foi descoberta até a última reunião com o MP, quando ficou acordado que o produto seria aplicado, num projeto piloto, em dez fazendas nos municípios de Luis Eduardo, São Desidério e Barreiras, atendendo a todas as exigências dos órgãos reguladores e dos promotores. Esse piloto geraria um relatório, demonstrando a eficiência e a segurança na aplicação da Emamectina. Mas agora, o MP fez novas exigências, impossíveis de serem observadas, diante do avanço da safra e exiguidade de tempo. A questão era aplicar à revelia ou não aplicar o produto.

Salles informou que o governador Jaques Wagner acompanha de perto as ações que estão sendo desenvolvidas para combater a praga, e que o governo se empenha para que solução definitiva seja encontrada. “A Emamectina é utilizada, em países como Japão, Estados Unidos e Austrália, que possuem legislação rigorosa, inclusive para cultivos de tomate. Será que esses países são irresponsáveis?”, questiona.

Os representantes dos agropecuaristas da região e o secretário Eduardo Salles, consideraram que sem consenso com o Ministério Público e como a safra está avançada, não há, nesse momento a necessidade do embate com o MP, e aplicar o Benzoato de Emamectina com possibilidade de trazer uma disputa jurídica só poderia prejudicar a próxima safra. Ao mesmo tempo, decidiram solicitar audiência com a presidente Dilma, para discutir a instrução normativa, o registro emergencial e o cadastro desse produto agroquímico, lembrando que o decreto de emergência fitossanitária assinado pela presidente não foi cumprido, alertando ainda que a questão da lagarta Helicoverpa Armigera já é um problema nacional e que vai ter reflexos no bolso do consumidor.

Além disso, considerando que o combate à praga não se esgota com o controle químico, os produtores e a Adab já desenvolvem um programa, de alto custo, que inclui o controle biológico e manejo integrado da praga. Esse projeto será apresentado à presidente Dilma e aos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. Segundo eles o agroquímico é neste momento a única arma que possuem para diminuir a população da lagarta, mas será também acompanhado de uma série de outras ações  como os demais controles, monitoramentos e ações de manejo das culturas.

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