Editorial: Rui Costa, a aposta de Jaques Wagner para levar o PT a conquistar pela terceira vez seguida o governo da Bahia

Rui Costa é a aposta de Jaques Wagner para vencer as eleições de 2014 na Bahia.
Rui Costa é a aposta de Jaques Wagner para vencer as eleições de 2014 na Bahia.

Sem impor o nome de Rui Costa, atual secretário da Casa Civil do Governo da Bahia, Jaques Wagner emulou a mesma estratégia que o ex-presidente Lula fez com relação à Dilma Rousseff, quando o mesmo definiu a atual presidenta da república como sucessora. Sabedor das diferentes correntes que conformam o Partido dos Trabalhadores no estado, Wagner optou apenas em deslocar Rui Costa da Câmara Federal para o governo estadual, e colocou o colega de partido à frente de importantes atos e programas governamentais. Pouco a pouco o governador deixa a cena política estadual, e se volta para a articulação da reeleição de Dilma Rouuseff, fazendo emergir com maior consistência a voz de Rui Costa.

Esta estratégia tem duas finalidades, primeiro expor em âmbito estadual Rui Costa, segundo sedimentar dentro do PT e dos partidos aliados uma ideia de continuidade governamental. De perfil mais de técnico, com formação em economia, mas tendo passado um período cursando Ciências Sociais, o soteropolitano Rui Costa é filho da classe trabalhadora e tem uma trajetória intimamente ligada com os movimentos sociais de esquerda. Não será difícil antever que, caso eleito, o governo da Bahia terá uma inflexão maior com relação a políticas que busquem mitigar a situação de pobreza que afeta milhões de baianos, aliada a políticas de expansão econômica, em função da formação acadêmica.

A disputa interna

Embora a executiva estadual do PT na Bahia não tenha definido o nome, sabe-se que não deve ocorrer a escolha a partir da votação dos filiados ao partido em cada município. A escolha, segundo fontes petistas, será feita a partir de um debate interno da executiva estadual, ou através da votação de cada executiva em cada município. Colocar os quatro candidatos em uma disputa eleitoral estadual antecipada poderia trazer sérios desgastes à imagem do escolhido e do partido.

O PT conta com bons quadros para a disputa estadual de 2014. Além de Rui Costa, postulam o governo José Sérgio Gabrielle, ex-presidente da Petrobras e atual secretário do planejamento do estado; Luiz Caetano, ex-prefeito de Camaçari; e Walter Pinheiro, senador da república. Diferente de Costa, os demais concorrentes pré-candidatos ao governo da Bahia, Gabrielle, Caetano e Pinheiro passam por dificuldades e restrições.

Os nomes

José Sérgio Gabrielle foi duramente criticado através da mídia nacional e por políticos oposicionistas com relação à compra de uma refinadora de petróleo no Texas. Preço de compra e questão tecnológica foram os principais pontos negativos apresentados. Por outro lado, liderada por Gabrielle a Petrobras montou um planejamento estratégico e iniciou investimentos de longo prazo que devem reposicionar a empresa como uma das três mais importantes companhias energéticas do mundo, com a possibilidade de lucros crescentes, além de estar aliada a uma estratégia nacional de desenvolvimento de forças produtivas. É natural que percalços e erros ocorram, mas, vislumbrando o longo prazo, Gabrielle deixa um extraordinário legado para o país.

A situação de Luiz Caetano é mais complexa, duas vezes eleito prefeito de Camaçari e tendo feito o sucessor com certa dificuldade, Caetano terá sempre que explicar o motivo da prisão pela polícia federal, no período em que era prefeito. Também pesa negativamente o fato de ter vários questionamentos formulados pelo Tribunal de Contas dos Municípios, aliado a estas observações, Caetano insiste em colocar outdoors nas estradas da Bahia para dar visibilidade ao nome. Ou seja, a finalidade é o poder não importa que sejam transgredidas as leis mais elementares. Para fechar o quadro, segundo a oposição, o município de Camaçari, no período em que Caetano era o prefeito, pagava por tonelada de lixo um dos mais elevados valores do país.

Diante deste cenário, o único que pode fazer frente a Rui Costa em uma disputa pela escolha do PT ao governo da Bahia seria o senado Walter Pinheiro. Eleito em 2010 com 3.630.944 de votos, tem um perfil positivo, mas esbarra na dificuldade em se movimentar no estado por estar envolvido na articulação de importantíssimos projetos em âmbito nacional. Além de ser o principal elo entre o governo da Bahia, os projetos federais e a liberação dos recursos federais.

Passando a maior parte do tempo em Brasília, ou em missões no exterior, Pinheiro está focado em destravar as amarras dos recursos federais para fazer com que os projetos de investimentos se concretizem, não apenas na Bahia, bem como nos demais estados. É considerado pela mídia especializada uma das mais influentes figuras da república.

Caso seja candidato ao governo da Bahia, o projeto petista em âmbito nacional e estadual passaria por uma significativa perda política. Mesmo, que seja eleito.

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