Feira de Santana: prefeito José Ronaldo comenta sobre meia passagem, critica Tarcízio Pimenta e anuncia compra de ônibus novos

José Ronaldo: “deixei a frota de ônibus com idade média de sete anos, no limite máximo de sete anos, conforme contrato celebrado entre a prefeitura de Feira e as empresas de transporte urbano.”
José Ronaldo: “deixei a frota de ônibus com idade média de sete anos, no limite máximo de sete anos, conforme contrato celebrado entre a prefeitura de Feira e as empresas de transporte urbano.”
José Ronaldo: “a responsabilidade da frota antiga coube ao governo passado.” (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo: “a responsabilidade da frota antiga coube ao governo passado.” (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
José Ronaldo: “deixei a frota de ônibus com idade média de sete anos, no limite máximo de sete anos, conforme contrato celebrado entre a prefeitura de Feira e as empresas de transporte urbano.”
José Ronaldo: “deixei a frota de ônibus com idade média de sete anos, no limite máximo de sete anos, conforme contrato celebrado entre a prefeitura de Feira e as empresas de transporte urbano.”

O prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (DEM), concedeu entrevista coletiva na tarde de ontem (30/04/2013), no Paço Municipal, oportunidade em que discorreu sobre alguns dos problemas que afetam a população no que tange o transporte público municipal.

Segundo o prefeito, até o final de maio de 2013 cerca de 20 ônibus novos (0 Km) devem ser acrescidos à frota municipal. Em junho, mais uma quantidade de ônibus novos serão adquiridos.

Homenagem ao trabalhador

Em homenagem ao dia do trabalhador, 1º de maio, o prefeito adotou a política de cobrança de meia passagem aos domingos para todas as classes sociais. Mas, fez a ressalva que o pagamento deve ser feito em dinheiro.

Renovação da frota

Respondendo ao Jornal Grande Bahia, que questionou sobre uma política inadequada de renovação da frota, Ronaldo foi enfático em criticar o ex-prefeito e aliado Tarcízio Pimenta. “A responsabilidade da frota antiga coube ao governo passado.”, afirmou.

Ronaldo declarou ainda que: “se encontramos uma frota de ônibus antiga com 11 anos de uso é porque não ocorreu a renovação da frota de ônibus, conforme anunciado pela administração anterior.”, e continuou, “foram quatro anos sem ação no sistema de transporte da cidade. Prova disto é que não consta registro de multas, nos últimos quatro anos”. Referindo a fiscalizações realizadas pela prefeitura contra as empresas de ônibus.

Sobre a idade da frota, Ronaldo explicou que: “Deixei a frota de ônibus com idade média de sete anos, no limite máximo de sete anos, conforme contrato celebrado entre a prefeitura de Feira e as empresas de transporte urbano.”.

Problema sistêmico

As declarações do prefeito evidenciam o pouco cuidado que o mesmo teve com o tema ao longo das gestões. As declarar que a frota de ônibus durante as gestões passadas eram de sete anos, o mesmo deixou claro que os ônibus tinham entre 5 e 10 anos. Ou seja, nunca foi uma frota de ônibus novos.

Embora fale em pesquisa de opinião e satisfação dos usuários, Ronaldo termina por evidenciar outra faceta das gestões passadas, oportunidade em que contou com setores da mídia acríticas, desprovidos de um senso de dever social mais arraigado.

Mas, nem tudo está perdido. A sociedade pressiona e a administração municipal responde, mesmo que timidamente, com a aquisição de novos ônibus. Mas, continua errado no tocante a política para o setor.

Falta uma visão sistêmica  ou seja, é necessário enxergar o problema do transporte público como um problema de organização da cidade. Como dito anteriormente, é necessário identificar os fluxos de usuários, adequar às rotas e horários, aprimorar os terminais e pontos de ônibus, repensar o modelo na concepção primeira. E não apenas isto. Adotar o que cidades do porte de Feira de Santana estão adotando no mundo todo, Veículos Leves sobre Trilhos (VLT’s).

Leis encarecem

É bom lembrar que durante as administrações passadas de José Ronaldo foram aprovadas uma série de isenções e cobranças de meia passagem. A maioria destas Leis surgiram na Câmara de Vereadores e foram sancionadas por Ronaldo. Obviamente que o custo da passagem para quem não tem direito a subsídios e privilégios tende a aumentar. Uma vez que o sistema tem custo fixo para operar.

Seria interessante uma revisão completa destas Leis, com objetivo de reequilibrar direitos. Um bom sistema de cobrança é aquele onde todos contribuem de igual forma para que algo funcione. Privilégios em uma república são sempre perigosos.

Para finalizar, uma boa Lei que deveria ser aprovada pela Câmara seria a que estabelece a idade média da frota municipal em dois anos e meio. Sendo que com cinco anos, os ônibus deveriam sair de circulação. A Lei também deve estabelecer que todos os ônibus adquiridos para circular em Feira de Santana devem ser novos (0 Km). As empesas concessionárias de transporte público deveriam ser obrigadas a apresentar um plano de investimento na Câmara, ao começo de cada ano fiscal, estabelecendo datas para inclusão de novos veículos e ganhos salariais para os trabalhadores. Isto seria um avanço e colocaria Feira de Santana em paridade com administrações modernas.

Talvez, seja pedir muito para a classe de políticos que nos representa na municipalidade, tanto no executivo como no legislativo. Mas, ficam as críticas e sugestões.

Confira o áudio da entrevista

Sobre Carlos Augusto 9707 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).