Perigo na areia e no mar de Salvador: salva-vidas trabalham sem os aparatos necessários e em condições degradantes, denuncia ABASA

O Salvamar possui muitos salva-vidas que já trabalharam mais de 30 anos e que não têm condições físicas e psicológicas para estarem na praia.
O Salvamar possui muitos salva-vidas que já trabalharam mais de 30 anos e que não têm condições físicas e psicológicas para estarem na praia.
O Salvamar possui muitos salva-vidas que já trabalharam mais de 30 anos e que não têm condições físicas e psicológicas para estarem na praia.
O Salvamar possui muitos salva-vidas que já trabalharam mais de 30 anos e que não têm condições físicas e psicológicas para estarem na praia.

Salvar vidas. Esse é o principal trabalho e a missão do Salvamar. Em Salvador, somente 269 profissionais estão responsáveis, divididos em duas turmas (cada grupo dá um plantão de quatro dias), nos cerca de 15 km de praia, que vão do Jardim de Alah a Ipitanga. Isso porque não há efetivo para cobrir praias que estão fora desse trecho. Para um trabalho que exige grande esforço físico e saber lidar com a pressão de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento com o banhista, surfista ou alguma pessoa que esteja no mar, os salva-vidas recebem pouco mais que um salário mínimo (R$ 580,00 mais 33% – somente os que trabalham 40 horas recebem esta porcentagem). Eles ainda dão suporte básico em caso de batidas e atropelamentos.

“O que vemos descaso com a nossa profissão e com as nossas condições de trabalho. A gente é transportado pra praia junto com o material, tudo entulhado. Não temos Kombis suficientes e as que temos estão em péssimo estado: enferrujadas, com folga na direção, sem freios, pneus carecas. Já teve Kombi que o volante soltou!”, denuncia o salva-vidas Marcus Rodrigues, que há 5 anos trabalha nesta profissão. Segundo ele, os agentes de salvamento aquático não possuem valorização salarial, estão com pequeno poder aquisitivo, não têm assistência médica, muito menos centro de treinamento. “Nosso salário está achatado; temos vários salva-vidas passando por problemas musculares, esqueléticos, dermatológicos e oftalmológicos e que não têm um plano de saúde para recorrer; não temos um plano de cargos que valorizaria a profissão do salva-vidas e do servidor e daria uma remuneração mais digna pra gente. O ideal também seria que tivéssemos um centro de treinamento com, pelo menos, sala de musculação e piscina em condições adequadas, pois tudo que nós temos que fazer aqui em relação a treinamento a gente tem que tirar do nosso bolso, pois não conseguimos recursos pra isso e a prefeitura também diz que não possui recursos para isso”, aponta Rodrigues.

Ainda de acordo com o salva-vidas, esses problemas interferem na qualidade do serviço, pois eles precisam ter uma condição física boa para exercer com qualidade as suas funções na praia. “E isso as pessoas podem temer. Por exemplo, se só tem uma nadadeira pra dois salva-vidas, na hora de sair de uma corrente fica mais difícil. Se tiverem duas vítimas, vamos ter que escolher entre uma e outra. Tudo isso a gente passa, fora a pressão psicológica que é estar sempre na iminência de acontecer alguma coisa ruim com o próximo. São várias coisas que a gente vem passando, que fazem os salva-vidas perecerem, mas ainda continuamos lutando, indo pra praia, trabalhando com afinco, com amor, porém a situação está cada vez mais difícil.”, acrescentou Rodrigues.

O também agente de salvamento aquático e presidente interino da Associação Baiana de Salvamento Aquático (ABASA), Pedro Barretto, afirma que a entidade já protocolou, diversas vezes, na Prefeitura de Salvador documentos pedindo providências para os problemas enfrentados pela categoria, mas até o momento nada foi feito. “Só pedimos melhores condições de trabalho. Faltam equipamentos para realizar bem o nosso trabalho e investimento na infraestrutura da sede do Salvamar Salvador. Temos ficado nas praias sem barraca, sem instrumentos para os salvamentos e equipamentos de proteção. Além disso, os mirantes estão em situação degradante, sendo utilizados como sanitários de moradores de ruas, caindo aos pedaços, defecados, não possuem água doce para tomarmos banho, para guardarmos nossos equipamentos, nossas mochilas, para que não sejam roubados”, relata Barretto.

O presidente interino ainda informa que o Salvamar possui muitos salva-vidas que já trabalharam mais de 30 anos e que não têm condições físicas e psicológicas para estarem na praia. “Não temos uma aposentadoria especial para essas pessoas. Se houvesse, muitos destes que trabalham internos, se aposentariam e abririam novas vagas para servidores. Isso melhoraria um pouco, pois nosso quadro de profissionais é pequeno”, acrescentou. Na opinião dele, se a situação permanecer, “a tendência é definhar e são necessárias a grande mobilização e a conscientização da categoria” e os salva-vidas vão entrar em greve. A paralisação deve ser decidida em conjunto com os trabalhadores públicos municipais e o Sindicato dos Servidores da Prefeitura do Salvador (Sindseps), no próximo dia 07 de maio, durante a Assembleia Geral, que acontecerá em frente a Secretaria Municipal de Saúde, no bairro do Comércio.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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