Internação Voluntária e Involuntária de Dependentes Químicos é discutida em Audiência na Câmara de Vereadores de Feira de Santana

Iniciativa do debate coube ao vereador Pablo Roberto.
Iniciativa do debate coube ao vereador Pablo Roberto.
Internação Voluntária e Involuntária de Dependentes Químicos é discutida em Audiência na Câmara de Vereadores.
Internação Voluntária e Involuntária de Dependentes Químicos é discutida em Audiência na Câmara de Vereadores.

Ao longo dos últimos anos o Brasil sofreu um grande aumento no consumo de drogas. Infelizmente mesmo com ações de prevenção e combate ao uso não houve uma mudança correspondente no vigor das políticas públicas que pudessem combater o impacto.

Pensando nessa problemática foi apresentada na Câmara Municipal de Feira de Santana, na manhã desta quinta-feira (09/05/2013), uma audiência pública, que debateu a Internação Voluntária e Involuntária de Dependentes Químicos e outros fatores ligados ao uso de drogas em Feira de Santana e região.

O vereador Pablo Roberto (PT), membro da comissão de Meio Ambiente, direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Câmara, conduziu a sessão, tendo na formação da mesa a senhora Ildes Ferreira, secretário Municipal de Desenvolvimento Social; Ana Lúcia Miranda, funcionária pública da Prefeitura de Feira de Santana; Telma Carneiro, coordenadora da Comunidade Terapêutica Harmonia; Ariana Bahia Bittencourt, psicóloga e coordenadora técnica da Comunidade de Atendimento Socioeducativo Juiz Melo Matos; Walter Tavares Dórea, major da Polícia Militar e Leandro Fernandes, advogado e representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados da Brasil (OAB-Feira).

Cada integrante da mesa dispôs de 10 minutos para apresentar o seu ponto de vista sobre a internação voluntária ou não de dependentes de droga e álcool, que vem provocando muitas divergências de opinião.

Com a galeria da Câmara lotada o vereador Pablo, abriu os trabalhos desta manhã dizendo que é necessário que se busque saber mais sobre o assunto para qual forma correta agir. “Muita coisa precisa ser feita a respeito do envolvimento de nossa juventude com as drogas e a internação voluntária e involuntária de dependentes químicos é uma dessas discussões. Precisamos saber onde é que ela ajuda ou não ajuda”, disse o edil.

Ana Lucia Freitas Bastos Miranda foi convidada pelo Presidente da Comissão e autor da Audiência Publica, a proferir na tribuna sobre o tema. Para Lucia Miranda essa Intervenção Voluntária e Involuntária é uma ferramenta indispensável para o tratamento dos usuários. “Essa intervenção é uma Ferramenta Indispensável para o tratamento de dependentes químicos, porque a vontade do usuário não será prevalecido pela vontade da droga”, concluiu assim seu discurso na tribuna da Câmara.

A segunda a discursar sobre o tema na Tribuna da Casa da Cidadania foi a Coordenadora da Comunidade Terapêutica Harmonia, Telma Carneiro que disse ser contra a intervenção Involuntária. “Há três tipos de tratamento, o primeiro sendo compulsório, o segundo Involuntário, onde eu discordo um pouco, e o terceiro o tratamento Voluntário: Esse é o tratamento utilizado por esta Comunidade Terapeutica, porque não trabalhamos com psiquiatras nem com médicos. Trabalhamos com mulheres que querem e demonstre vontade para se livrarem do uso. Vontade de construir um novo projeto de vida” declarou.

O secretário de Desenvolvimento Social, Ildes Ferreira, acredita que a mudança passará quando todos entenderem que os dependentes não são bandidos. “acredito que a internação voluntária ou involuntária do dependente químico só terá a real eficiência se os governos passarem a entender o dependente não como bandido e sim como uma questão de saúde pública”, destacou.

Após a declaração do secretário de Desenvolvimento Social, foi a vez da Psicóloga e coordenadora técnica da Casa de Atendimento Socioeducativo Juiz Mello Matos Ariana Bahia Bittencourt, que declarou que o tratamento precisa do apoio da família, “O tratamento dos dependentes químicos precisa efetivamente da participação da família, visto que a intervenção voluntária tem demonstrado resultados positivos bem maiores que a intervenção involuntária. Já o Doutor Leandro Fernandes, os dependentes químicos não devem ser tratados como marginais. “O dependente químico não pode ser tratado com força policial , segundo ele o poder público tem o dever de tratar a problemática como uma questão de saúde pública assim disponibilizando os devidos cuidados ao doente”, revelou.

Para o psicólogo Marcelo Magalhães o Brasil passa por uma epidemia de crack e o governo não oferece o devido amparo a população a exemplo os moradores de rua que ultrapassa um milhão de pessoas, segundo o IBGE. Após discussão dos palestrantes, foi a vez dos vereadores que representam a Casa da Cidadania de Feira de Santana se pronunciarem. O primeiro foi o vereador Isaías de Diogo que destacou a importância da Audiência Pública para a sociedade.

O vereador Beldes Ramos (PT) em seu pronunciamento sugeriu que seja criada na Câmara Municipal de Feira de Santana uma comissão permanente para tratar do dependente químico em nossa cidade. Já o vereador Elí Ribeiro além dos tratamentos médico, social, psíquico e familiar não podemos esquecer a fé em Deus no tratamento do dependente químico.

Para o vereador Alberto Nery a sociedade de uma forma geral precisa de união para não perdermos os seres humanos para as drogas. Para o suplente de deputado o senhor Angelo Almeida é necessário tirar muitas ações apenas do papel e colocar em prática na prevenção e no auxílio ao dependente químico.

O senhor Coutinho, assessor do senador Walter Pinheiro, ex-morador de rua e a 16 anos livre das drogas, declarou que a fé e o tratamento são fundamentais para um dependente. O vereador Wellington Andrade elogiou a realização da Audiência Pública e solicitou que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Feira de Santana façam uma visita aos centros de recuperação em Feira de Santana e região.

Para o vereador Pablo Roberto, idealizador da Audiência Pública para debater a Internação Voluntária e Involuntária de Dependentes Químicos em Feira de Santana, avaliou o evento como positivo e destacou que o poder público e a sociedade não podem ficar de braços cruzados e falhar com as pessoas que precisam de apoio e atenção.

“Infelizmente não temos a quantidade desejada de programas de prevenção às drogas no Brasil financiado pelos governos. O que existe é uma série de iniciativas, a maioria por indivíduos ou algumas organizações, que tentam vários de tipos de ações, mas sem nenhuma direção clara e sem evidência de que aquilo que é feito tenha um impacto na diminuição do consumo. O que precisamos é de um modelo mais definido de prevenção, recursos para o tamanho da tarefa, e um sistema de avaliação sistemático para monitorar esse comportamento na nossa sociedade. Estou muito feliz com o resultado da Audiência, agora é hora de encaminhar o que foi discutido, amadurecer as ideias e tentar oferecer alternativas a sociedade,” disse o vereador Pablo Roberto.

Sobre Carlos Augusto 9515 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).