CODEVASF dá início a remanejamento dos produtores de Mirorós

Agricultores são remanejados.
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Agricultores são remanejados.
Agricultores são remanejados.

Uma nova oportunidade de convivência com a seca para os agricultores do perímetro irrigado Mirorós, em Ibipeba, no Oeste baiano, região do Médio São Francisco. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) recebeu no final desta semana, por meio de edital de Chamada Pública, a inscrição de 56 produtores interessados no remanejamento para os perímetros Formoso, em Bom Jesus da Lapa, Nupeba e Riacho Grande, em Riachão das Neves – todos na Bahia. A transferência atende à demanda dos agricultores de Mirorós que sofrem com a crise de falta de água na barragem Manoel Novaes.

O edital de Chamada Pública, exclusivo para os produtores irrigantes de Mirorós, além de beneficiar os interessados no remanejamento, beneficiará os produtores que permanecerem em Mirorós, pois haverá diminuição da demanda de água nesse perímetro. A atual crise hídrica na região foi agravada pelo corte total do fornecimento de água para a irrigação determinado pela Agência Nacional das Águas (ANA) em abril do ano passado, em virtude dos níveis críticos da barragem.

Os agricultores familiares terão prioridade no processo de seleção. De acordo com os critérios estabelecidos no edital, os selecionados e classificados terão assegurada a troca de sua área em Mirorós por outra em um dos três perímetros irrigados de destinação. A nova área será equivalente, no mínimo, ao tamanho da atual área irrigável de cada produtor. Os interessados também poderão adquirir áreas adicionais para ampliar a área de cultivo, casa haja disponibilidade.

Das 56 propostas apresentadas, 17 foram para o perímetro irrigado Formoso e 39 para Riacho Grande e Nupeba. Hoje, esses agricultores ocupam cerca de 400 hectares em Mirorós. Para atender aos interessados no remanejamento, a Codevasf disponibilizou 1.375 hectares: 400 ha irrigáveis e 40 ha de sequeiro em Formoso; 320 ha irrigáveis e 300 ha de sequeiro em Nupeba; 230 ha irrigáveis e 85 ha de sequeiro em Riacho Grande.

“Vamos começar do zero e vamos ter muito trabalho. Mas a expectativa é grande e o retorno será garantido porque a quantidade e qualidade de água nesses perímetros [Formoso, Nupeba e Riacho Grande] é grande”, afirma o agricultor Laurivan Nunes da Gama, que mora há 14 anos em Mirorós e produzia principalmente banana e goiaba. Ele é um dos produtores está sendo remanejado de Mirorós.

Gama conta que as dificuldades enfrentadas devido à falta de água e a possibilidade de um futuro melhor em outro perímetro despertaram o interesse no remanejamento. “Inicialmente, a produção deve se concentrar no cultivo de ciclo curto, como melancia, abóbora e tomate. Depois, vamos investir na fruticultura – com banana, goiaba e mamão – que tem um retorno mais demorado”, completa.

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Sobre Carlos Augusto 9754 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).