Rumo a uma saída para a crise do transporte em Feira de Santana (parteII) | Por Jhonatas Monteiro

O que mais esperar? O que esperar do transporte coletivo de Feira de Santana? A morte de alguém? Se há anos o transporte é péssimo, sem qualquer dúvida agora ultrapassou em muito essa marca: à precariedade e à carestia diária se somou o risco de morte. Na noite da última sexta-feira (19/04/2013), mais um ônibus ameaçou pegar fogo nas ruas da cidade. Dessa vez, o veículo não ficou reduzido aos escombros como nos casos que marcaram o início do ano, mas ficou perigosamente mais próximo de provocar uma fatalidade entre as mais de 50 pessoas que o lotavam. Diante das denúncias e reclamações constantes que chegam aos diversos programas de rádio, sites e blogs de notícias, as declarações do poder público municipal contam muito com a ingenuidade do cidadão: ora informam a realização de “rigorosas vistorias”, ora colocam os problemas na conta do governo anterior alegando inexistência de “qualquer registro de multas” sobre as empresas de ônibus. Se assim é, não cabe perguntar por que tanto zelo da Secretaria de Transporte e Trânsito ainda não resultou em melhoria real da situação do transporte? Aliás, a atual gestão já aplicou quantas multas mesmo?

Na verdade, mais do que essas questões pontuais, devemos nos perguntar o porquê ainda não aconteceu o encaminhamento de uma nova licitação, já que a Princesinha e a 18 de setembro descumprem qualquer aspecto contratual que se refira à qualidade e não oferecem contrapartidas sociais cabíveis em um serviço que é uma concessão pública. Sem dúvida, manter a maioria da população feirense refém do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (SINCOL) só é compreensível se temos em vista a conveniência política baseada em acordos financeiros, feitos às portas fechadas, que a bem de inúmeras carreiras políticas “sérias” jamais podem vir à luz do dia. Óbvio, quem perde com esse jogo escuso é o interesse público e maioria da população, esta última obrigada dia após dia ao calvário que é pegar um ônibus em Feira. Contudo, mesmo uma nova licitação apenas amenizaria o que já nasceu torto: o Sistema Integrado de Transporte (SIT), desde a origem em 2005, é desenhado para garantir os interesses empresariais. A equação é simples: garantir fluxo para as empresas com um modelo ineficiente de integração, reduzir custos operacionais até chegar ao nível de evidente sucateamento da frota e elevação constante do preço da tarifa. Assim, Feira tem o sistema de transporte dos sonhos para qualquer empresário inescrupuloso! Dessa forma, o dito SIT é responsável por grande parte dos nossos problemas com o transporte – não porque a integração por si seja o problema, mas porque o modelo de integração que nos foi imposto é um equívoco em relação ao direito de mobilidade.

Portanto, como costuma acontecer desde as gestões anteriores de José Ronaldo, se descaradamente o governo municipal, através do Conselho Municipal de Transporte e da sanção do prefeito, encaminhar um novo aumento da tarifa às vésperas da Micareta ou próximo feriado, nos cabe reagir não só ao aumento: aproveitemos a oportunidade para por em questão o próprio caráter antidemocrático do SIT, uma vez que o modelo que aí está nega o direito de circular pela própria cidade que construímos. Para tanto, basta dar um pouco de tempo à indignação que temos diante do caos do transporte ou basta refletir que é imoral “represar” a indignação que sentimos ao esperar muito mais que uma hora no ponto ou diante da notícia que um ônibus velho pegou fogo. Ou seja, basta pensar que é errado que essa indignação toda não dê em nada. Então, encontrar uma forma eficiente para expressar essa indignação é o próximo passo.

Jhonatas Monteiro

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