Fibra da bananeira ganha utilidade artesanal para mulheres de assentamento em Camamu

Apesar do artesanato da fibra de bananeira ser coisa nova no Projeto de Assentamento (PA) Mariana, em Camamu, 20 produtores que aprenderam recentemente a arte, com as equipes de Assessoria Técnica Social e Ambiental (ATES), dos escritórios locais da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), dos municípios de Camamu e Gandu, já utilizam a técnica como mais uma fonte de renda.

Segundo a engenheira agrônoma da EBDA, Carine Silva Reis, o assentamento tem potencial natural para produção de banana, o que, até então, não era valorizado. “Os custos com o cultivo estavam altos e fez com que os produtores desanimassem”, disse a presidente da Associação de Agricultores do Assentamento Mariana, Josinete de Jesus.

Diante da situação, Carine Reis verificou a grande quantidade de folhas da bananeira que não eram aproveitadas, e enxergou nesse produto o potencial para ser usado no artesanato. Em parceria com o Núcleo Operacional de Gandu, a equipe realizou o levantamento necessário para a realização do curso, utilizando técnicas de artesanato que pudesse aproveitar a matéria prima disponível, principalmente por que dela é possível extrair vários tipos de fibras, como: capa externa (pobre), seda interna (nobre), renda (intermediária), e linha.

“Por entender que o artesanato é uma atividade de extrema importância para o desenvolvimento socioeconômico das famílias, que oferece amplas oportunidades de emprego e em contrapartida, tem um baixo custo de investimento, realizamos, no final de dezembro passado, uma capacitação que preparou a comunidade para o aproveitamento integral da cultura”, contou Carine Reis. Segundo ela, o assentamento possui uma demanda de projetos de plantio de bananeira em condição de Sistemas Agroflorestais (SAF), que são acessados através do crédito Apoio a Mulher, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

Com o apoio da equipe técnica, as instrutoras Ivaneide de Jesus Santos e Luzinete Oliveira dos Santos, assentadas dos Projetos de Assentamento Che Guevara e Mineiro, nos municípios de Wenceslau Guimarães e Gandu, respectivamente, passaram, para as participantes do curso, inúmeras técnicas e segmentos, influenciadas pela vocação artesanal e artística local, para a confecção de cestas para café da manhã, para pães, caixas decorativas, porta-jóias, jogos americanos, chapéus e outros utensílios.

Os participantes da capacitação também foram preparados para o manejo da bananeira. “Antes, as bainhas (folhas) da bananeira ficavam jogadas, faziam um amontoado e eram subutilizadas; hoje; encontramos novas utilidades, quando produzimos bolsas, fruteiras, luminária,e outras peças, e queremos buscar novas formas de usar a matéria prima”, disse dona Gelsa Santos Souza (58), artesã local.

O grupo, que hoje vive da agricultura e do artesanato, também trabalha na produção de polpas e doces, utilizando frutas regionais como o cupuaçu, açaí, abacaxi, jaca, limão, carambola e abacate. Para a técnica Lucineide de Jesus Campos, de Camamu, o artesanato é mais uma etapa da cadeia produtiva, que chega como uma novidade para o assentamento e uma nova possibilidade de geração de renda. “Esta e outras iniciativas devem ser incentivadas, pois resultam diretamente na elevação da auto-estima da mulher e diversificação das fontes de renda, contribuindo para a melhoria na qualidade de vida das famílias”, ressaltou Lucineide Campos.

 

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