Sindicatos dos Camelôs de Feira de Santana critica duramente Prefeitura de Feira de Santana e afirma que existe desinformação e falta diálogo

Carlos Augusto entrevista os representantes do Sindicato dos Camelôs de Feira de Santana, Emerson Santos Mascarenhas e Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas.
Carlos Augusto entrevista os representantes do Sindicato dos Camelôs de Feira de Santana, Emerson Santos Mascarenhas e Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas.

Os representantes do Sindicatos dos Camelôs de Feira de Santana(SINDICAME), Rogério Gutemberg Conceição e Emerson Santos Mascarenhas, durante entrevista concedida na redação do Jornal Grande Bahia, ocorrida na terça-feira (19/03/2013), contestaram informações e posicionamentos da Prefeitura de Feira de Santana com relação às necessidades da categoria.

Dentre as proposições apresentadas, eles defendem a construção de shoppings populares e de cursos de capacitação para os camelôs, com objetivo de reinserção no mercado de trabalho formal. Segundo pesquisa realizada pelo SINDICAME, a cada 10 camelôs, quatro desejam voltar a ter um contrato de trabalho formal.

A pesquisa realizada também apontou que existem cerca de 13 mil pessoas envolvidas nas atividades de feirantes, camelôs e vendedores ambulantes. Enquanto na secretaria de turismo e desenvolvimento são apontadas a existência de 9.850 pessoas.

Os representantes fizeram severas críticas à nota divulgada pela SECOM (Secretaria de Comunicação de Feira de Santana) onde atribuem a uma associação o título de sindicato. Segundo Rogério Conceição é um desconhecimento da Lei que regulamenta as atividades de representação sindical, e pontua, “o Artigo 8º da Constituição Federal é taxativo e veta a existência de dois sindicatos na mesma cidade ou área geográfica defendendo a mesma categoria trabalhista e outro ponto importante é que decidiu coletivo é feito por sindicato, não por associação.”.

Com relação à primeira audiência pública promovida pela Prefeitura de Feira de Santana, através do projeto ‘Pacto de Feira’, o SINDICAME disse que foi impedido de se posicionar de forma adequada por conta de gritos dos presentes. Além de apontarem críticas a condução do processo.

“Nós fomos para a audiência como observadores, porque acreditamos que o projeto de reorganização do centro da cidade é muito maior que simplesmente as mudanças propostas para a Sales Barbosa. Fomos observar o que o Pacto tinha para propor ao restante da categoria. A nossa primeira secretária, Ana Mary, tentou falar a respeito do Pacto e na mesma hora foi interrompida. Não sabemos o motivo da interrupção, acredito que seja um ato político para que a voz do sindicato fosse abafada.” , denúncia Rogério Gutemberg.

Dando continuidades as críticas, Rogério Gutemberg avalia que se as decisões foram tomadas de cima para baixo, afirmando: “não vai funcionar, a base da pirâmide precisa ser ouvida. De certa forma está se tirando a responsabilidade de resolver uma situação do município e colocando encima de uma organização. O que deveria ser feito é na verdade uma votação entre todas as associações a respeito do plano diretor, para discutir onde seria construído o shopping popular, para onde seriam levados os camelôs o que resolveria toda mobilidade do centro da cidade.”.

Ocupação de áreas urbanas

Questionado sobre o fato de ocuparem ruas, calçadas e praças, Emerson Santos explica: “Não é o ideal, mas às vezes a necessidade obriga aquela pessoa a fazer isso. Porque ninguém nasce camelô, ou a pessoa perdeu o emprego e entra no ramo, ou o pai é da área e ele só continua com o trabalho.”.

Objetivos

Os representantes sindicais explicaram que tem como objetivo trabalhar em parceria com o poder público. “Em certas situações o poder age de forma rígida e o sindicato tem o poder de orientar o sindicalizado para o que é certo. O sindicato hoje possui três diretrizes: a primeira é a organização dos camelôs em espaços adequados, a segunda é melhoria de trabalho, e a terceira é organização de cooperativas de crédito, porque se você tem credito é mais fácil gerenciar o negócio, então ele passa de camelô para microempreendedor.”.

Eles finalizaram a entrevista falando de objetivos concretos. “Nós queremos uma padronização com praça de alimentação, banheiro, tudo direitinho. Todos os membros da categoria perguntam quando será construído o shopping popular. A comunidade quer o shopping popular, só falta à iniciativa dos órgãos competentes.”.

Carlos Augusto entrevista os representantes do Sindicato dos Camelôs de Feira de Santana, Emerson Santos Mascarenhas e Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas.
Carlos Augusto entrevista os representantes do Sindicato dos Camelôs de Feira de Santana, Emerson Santos Mascarenhas e Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas.
Emerson Santos Mascarenhas e Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas. Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas: "a base da pirâmide precisa ser ouvida.”
Emerson Santos Mascarenhas e Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas. Rogério Gutemberg Conceição Mascarenhas: “a base da pirâmide precisa ser ouvida.”
Emerson Santos Mascarenhas: “nós queremos uma padronização com praça de alimentação, banheiro, tudo direitinho. Todos os membros da categoria perguntam quando será construído o shopping popular. A comunidade quer o shopping popular, só falta à iniciativa dos órgãos competentes.”.
Emerson Santos Mascarenhas: “nós queremos uma padronização com praça de alimentação, banheiro, tudo direitinho. Todos os membros da categoria perguntam quando será construído o shopping popular. A comunidade quer o shopping popular, só falta à iniciativa dos órgãos competentes.”.
Rogério Gutemberg: "ninguém nasce camelô, ou a pessoa perdeu o emprego e entra no ramo, ou o pai é da área e ele só continua com o trabalho.”
Rogério Gutemberg: “ninguém nasce camelô, ou a pessoa perdeu o emprego e entra no ramo, ou o pai é da área e ele só continua com o trabalho.”
Sobre Carlos Augusto 9516 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).