Feira de Santana: uma cidade sem memória

Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.
Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.

Feira de Santa é uma das cidades brasileiras que a cada dia cresce de forma assustadora, mas seu povo insiste em não registrar nas páginas do seu diário, o seus sonhos, seu cotidiano a sua história. Na realidade, apagando até o que já foi escrito no passado, pelos que por aqui viveram e/ou passaram. Apenas resta ainda uma pequena imagem depredada pela agressão dos vândalos inconscientes.

Majestosa e irradiando seu calor natural, a todos abriga com seus encantos de cidade mais importante do interior da Bahia e uma das maiores do norte e nordeste do Brasil. Contudo, é com imenso pesar que percebemos que seus prédios, monumentos, e praças públicas, estão sendo desprezados levando assim sua história a ser deletada da memória do seu povo.

Prédios como o da antiga Santa Casa de Misericórdia, em avançado estado de degradação, que recebeu uma doação de dois contos de reis concedidos pelo Imperador D. Pedro I, em passagem pela cidade na época da sua construção (1865), não desperta a intervenção do Ministério Público para assegurar a restauração destes bens.

Outros prédios em igual situação são os da Filarmônica Vitória, 25 de Março e do Monte Pio, todos na Rua Conselheiro Franco. Estes locais deveriam ser tombados pelo Patrimônio Histórico, mas, pelo contrário, estão sendo alvo de sujeira e depredação, ou seja, abandonados.

Quando o assunto envolve as praças públicas e calçadas, não é nada diferente. Moradores de rua buscam abrigo, constroem barracos com papelão, de forma a desordenar a já quase inexistente infraestrutura urbana; veículos são estacionados sobre as calçadas, bares, restaurantes e tabuleiros de vendedores ambulantes, impedem que os transeuntes por lá circulem e as invadem transformando em uma extensão do seu estabelecimento comercial.

Os gestores públicos de Feira de Santana estão deixando transformar a antiga “Princesa do Sertão” em gata borralheira. É simplesmente vergonhoso!!! Sabe-se que não há nenhum planejamento para recuperar estes imóveis e monumentos, muito menos as praças que já foram transformadas, a muito tempo, em grandes favelas. A população sente a falta de sensibilidade e compromisso dos gestores municipais para com os interesses da sociedade – o que só interessa para eles é o voto nas urnas.

Nem nas gestões anteriores e nem na atual, encontramos alguma preocupação ou projeto de renovação urbana, no sentido de recuperar a história da Cidade Princesa. Não se sabe de nenhum trabalho de reforma e/ou manutenção dos prédios, monumentos e praças públicas que foi ou venha a ser executado.

 Feira de Santana merece ser administrada por um gestor público moderno e empreendedor. Apto a buscar um novo modelo de Administração Pública, sempre procurando analisar sua gestão por um balanço do que já foi feito e pelo que poderia ser implantado. É fundamental deixar registrado nos anais da segunda maior cidade do Estado da Bahia, suas memórias e sua história. Para isto acontecer é necessário que os Gestores Municipais também sejam mais participativos e responsáveis.

Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.