Ex-senador César Borges será nomeado ministro dos transportes. Aliança do PR com PT em âmbito nacional têm reflexo na Bahia

César Borges – O PR está em Salvador na expectativa de negociações, alguns partidários do PR em especial deputados estaduais, lançaram inclusive o meu nome com a possibilidade de disputar a prefeitura de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
César Borges – O PR está em Salvador na expectativa de negociações, alguns partidários do PR em especial deputados estaduais, lançaram inclusive o meu nome com a possibilidade de disputar a prefeitura de Salvador. (Foto: Carlos Augusto | Jornal Grande Bahia)
César Borges assume a vice presidência de Governo do Banco do Brasil. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
César Borges assume ministério dos transportes. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) – Jornal Grande Bahia)

Veiculada no jornal Estadão, a notícia da futura nomeação do ex-governador da Bahia e atual vice-presidente do Banco Brasil, César Borges, como ministro dos transportes na cota do Partido da República (PR), traz reflexos no alinhamento eleitoral do partido para as eleições de 2014.

A aliança entre PT e PR reproduz a aliança que levou Dilma Rousseff à presidência da República, e deu sustentação ao governo Lula. Mas na Bahia, manteve o partido na oposição a reeleição do governador Jaques Wagner (PT).

Candidato à reeleição para o senado, há poucos meses da eleição Borges abandonou o apoio do partido ao PT estadual mantendo o alinhamento nacional. Como resultado, perdeu para os então candidatos ao senado Lídice da Mata (PSB) e Walter Pinheiro (PT). O candidato apoiado por Borges ao governo da Bahia, Geddel Vieira Lima (PMDB) também foi derrotado.

Mudança na correlação de forças

O cenário na Bahia deve mudar. A nomeação de Borges para o primeiro escalão da república, certamente conta com o apoio de Jaques Wagner, o que provoca um realinhamento do PR para as eleições de 2014 no estado. É um duro golpe nas oposições, e mesmo em aliados como o PSB, que ensaiam uma candidatura ao governo da Bahia através da senadora Lídice da Mata com objetivo de servir de palanque presidencial para o governador de Pernambuco e pré-candidato a presidente, Eduardo Campos (PSB).

Presença no senado

Borges foi um dos senadores mais brilhantes que a Bahia teve. Semanalmente os discursos eram objeto de repercussão na mídia devido ao embasamento intelectual com o qual pontuava as questões que dizem respeito à república brasileira. Ao não ser reeleito, de certa maneira a Bahia perdeu uma das mais importantes vozes no senado da república. O mandato de César Borges foi pautado no apoio ao governo Lula, ao mesmo tempo em que manteve um pensamento político crítico e independente.

Apatia intelectual

Enquanto o senador Walter Pinheiro tem se destacado na articulação institucional, mantendo tímido posicionamento discursivo, a senadora Lídice da Mata pouco ou quase nunca é destacada em função da apatia intelectual com a qual pontua os discursos. O terceiro senador baiano, o feirense João Durval (PDT), em função da avançada idade e de recorrentes problemas de saúde, tem grande dificuldade em articular pensamentos e formar discursos que sejam dignos de nota.

Pensamento político

O regresso de um baiano à espanada dos ministérios devolve ao estado um papel importante no cenário nacional. Embora o Jornal Grande Bahia seja de tendência marxista, enquanto o ex-senador é um liberal histórico que serve ao pensamento da direita nacional, e que esteve alinhado com a Ditadura Militar, não podemos deixar de reconhecer que se trata de um político que traz brilho, onde infelizmente reina certa limitação intelectual. Também se conforma o conceito de governo de coalizão. Onde um partido de tendência socialista se alinha ao liberalismo para manter uma estrutura de poder e governo.

Borges tem aval de Alfredo Nascimento

O presidente do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), afirmou ontem a dois colegas do Senado que “fez o novo ministro do partido”. Relatou que sera o ex-senador e atual vice-presidente do Banco Brasil, César Borges, o novo ministro dos Transportes. Não há confirmação oficial, ainda, por parte do PR nem do Planalto, mas informalmente até adversários da nomeação de Borges confirmaram.

O nome de Borges teria sido selado em uma reunião que não constou da agenda da presidente na semana passada. Participaram da conversa, além de Dilma, Alfredo Nascimento, o senador Antônio Carlos Rodrigues (PR-SP) e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que tem participado das articulações em torno da reforma ministerial. A reunião com o PR estava agendada para ontem (26), mas Dilma não quis embarcar para a África do Sul deixando essa pendência.

O PR tem uma bancada de 37 deputados e seis senadores. Uma liderança da bancada federal afirma que a nomeação de César Borges deixará os deputados insatisfeitos da mesma forma, como se continuassem sem ministério. “É um nome que não representa o partido. Se não é para ter um dos nossos, é melhor continuar com o Paulo Sérgio (Passos), que é um técnico e já o conhecemos”, reclamou.

Durante as negociações, uma das justificativas do Planalto para rejeitar os nomes dos deputados foi de que a presidente não queria um “político” no comando da pasta. Mas os rejeitados não engoliram essa explicação.

É fato que César Borges é engenheiro civil formado, e chegou a dar aulas na Universidade Federal da Bahia, o que lhe dá também perfil técnico para o cargo. Está sem mandato, já que chegou em terceiro lugar na disputa ao Senado em 2010.

Entretanto, é um político forjado pelas mãos de Antônio Carlos Magalhães. Com a ajuda do ex-presidente do Senado, elegeu-se governador da Bahia e senador. Borges deixou o PFL (hoje DEM) em 2007, para se tornar o presidente regional do PR.

A condição para que o PR retome o comando do Ministério dos Transportes é de manter a atual estrutura da pasta. Além disso, o Planalto não sente insegurança em reabilitar o partido no ministério, porque já teve parte de suas funções transferidas para a Empresa de Planejamento Logístico (EPL), estatal de logística de infraestrutura onde Dilma acomodou Bernardo Figueiredo, um técnico de sua confiança.

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