Representante dos camelôs diz que ruas são ocupadas com o consentimento de políticos de Feira de Santana e que propostas do Pacto não atendem a classe

Ana Mary Cardoso de Menezes: "Vale ressaltar que as calçadas estão lotadas sim, que as vias públicas também, mas com o consentimento do gestor."
Ana Mary Cardoso de Menezes: "Vale ressaltar que as calçadas estão lotadas sim, que as vias públicas também, mas com o consentimento do gestor."

Na manhã de hoje (25/02/2013), o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho, apresentou o “Pacto de Requalificação do Centro Comercial de Feira de Santana. O projeto foi denominado de “Pacto de Feira”.

A representante do SINDICAME (Sindicatos dos Camelôs de Feira de Santana), Ana Mary Cardoso de Menezes, que ocupa a primeira secretária da entidade, em entrevista ao Jornal Grande Bahia, criticou duramente as propostas apresentadas pelo poder público municipal. No que concerne à ocupação dos espaços públicos por vendedores ambulantes.

“Vale ressaltar que as calçadas estão lotadas sim, que as vias públicas também, mas com o consentimento do gestor. Primeiro porque todo mundo que perde o emprego, hoje, não vai ficar com fome, procura um padrinho e ele indica ‘coloque uma barraca em tal lugar’.”.

Ana Mary diz que o desejo dos camelôs é que sejam criados shoppings populares, criticando duramente a proposta apresentada pelo prefeito José Ronaldo, de construir barracas no Calçadão da Sales Barbosa com o “belo nome de Shopping a Céu Aberto”.

“O sindicato identificou vários terrenos ociosos dentro da cidade. Nós temos apontado alguns para o município, para que eles possam construir shoppings populares e colocar os camelôs. Não shoppings a céu aberto. Não colocar numa praça, que deixa de ser praça, trazendo desconforto e falta de qualidade de vida para o camelô. Hoje o camelô não tem respeito.”.

Crime contra a sociedade

Mais uma vez a Prefeitura de Feira de Santana apresenta como solução a privatização de espaços públicos como forma de regular a ação dos camelôs. Desta vez, o calçadão da Sales Barbosa será a vítima da ação dos gestores municipais.

Em passado recente, a prefeitura ocupou parte do entorno do Mercado de Arte Municipal com barracas. O resultado pode ser visto hoje, mau cheiro, dificuldade de passagem para pedestres e de acesso para serviços como corpo de bombeiros, segurança e saúde, conformam o quadro de completo desrespeito às Leis mais básicas da sociedade.

Entidades apoiam

Desta vez o prefeito não está só, representantes de entidades comerciais também desejam o mesmo. Ou seja, que parte do calçadão seja ocupado por barracas. Em uma visão míope, para não dizer tacanha de sociedade, estes “representantes” sofrem de certa limitação intelectual, ao quererem usurpar o direito de toda a sociedade de transitar livremente pelas ruas, calçadas, e praças de Feira de Santana.

Solução

As soluções para problemas sociais não são simples. O caminho é sempre o mesmo: pesquisa social, apresentação de planejamento, debate, investimento financeiro, infraestrutura, treinamento e educação. Estes são os requisitos básicos para que as parcelas sociais de menor poder aquisitivo possam se desenvolver.

Os exemplos de insucesso das gestões de José Ronaldo, no que tange a política de uso e fiscalização do solo, são mais do que evidentes. E cada vez mais a cidade fica destituída dos valores mais elementares que conformam o contexto ‘cidadania’. Mais uma vez a cidade fica empobrecida, violentada.

Até quando o Ministério Público Estadual e Federal irão consentir com a destruição dos espaços da sociedade em Feira de Santana?

Até quando parcelas com maior capacidade crítica e visão social se manterão caladas diante destas violações?

Confira áudio da entrevista

Acesso lateral em Marcado de Arte é tomado por barracas que obstruem o trânsito de pessoas. Além de dificultar serviços de combate a incêndio, saúde e segurança, modelo de ocupação é inadequado e produz problemas sociais.
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Sobre Carlos Augusto 9516 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).