Os ataques infames ao Papa Bento XVI | Por Juarez Duarte Bomfim

Em 13 de maio de 2007, o Papa Bento XVI esteve no Brasil, na cidade de Aparecida, São Paulo e celebrou missa em frente à basílica de Nossa Senhora Aparecida.
Em 13 de maio de 2007, o Papa Bento XVI esteve no Brasil, na cidade de Aparecida, São Paulo e celebrou missa em frente à basílica de Nossa Senhora Aparecida.

Foi como cardeal que Joseph Ratzinger deixou sua influência marcante sobre uma Igreja Católica em rápida transformação. Intelectual e teólogo de estatura, Ratzinger orientou com zelo a revalorização da doutrina no papado carismático de João Paulo II.

De 1978 até 2005, o mundo viu a liberalização dos costumes tornar-se norma, o Muro de Berlim ruir e os computadores infiltrarem informação por todos os interstícios. Em paralelo, a igreja de João Paulo II e Ratzinger buscava revalorizar a vida espiritual e a fé individual.

Reverteu-se, assim, a ênfase anterior nos trabalhos sociais, após o Concílio Vaticano II (1962), que conduziria à derivação coletivista da Teologia da Libertação – que comunizou a Igreja e a afastou de Deus.

Com a morte de João Paulo II, a eleição de Bento XVI emitiu um signo de continuísmo para a igreja e seus fiéis. Foram reafirmadas as sábias prescrições cristãs – abstinência, oração, penitência – para as aflições da vida terrena, culpa do relativismo moral e do culto secular ao hedonismo consumista.

Bento XVI, contudo, nunca projetou sobre os católicos o magnetismo que emanava de João Paulo II, cujas exortações se revestiam de autoridade quase mística. Ratzinger foi o papa cerebral, mais aparelhado para debater doutrinas do que para galvanizar multidões.

Seu apostolado foi marcado, entre outras coisas, por escândalos econômicos no Vaticano, denúncias de abuso sexual pelo clero e, revela-se agora, por limitações de saúde.

Bento XVI reafirmou dogmas e teses católicas: a recusa doutrinária a contraceptivos e camisinhas em tempos de sexo vulgarizado, assim como a luta contra o aborto, que tem barrado as ameaçadoras ações dos inimigos da vida, aqui no nosso Brasil.

A orientação doutrinária contrária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à homossexualidade vêm em defesa da família, base da sociedade.

A desistência de Bento XVI soará a não poucos fiéis como admissão de incapacidade para liderar a igreja diante de seus enormes desafios.

Nas redes sociais e em outros meios midiáticos pululam infames declarações de indivíduos com forte sentimento anticlerical e anticristão, de tamanha virulência contra um importante líder espiritual, que causa mal estar em quem os lê.

O ódio desses blasfemos e ignaros é contra a Igreja de Cristo, Pedro e Paulo. É contra a Igreja de Deus, não contra Bento XVI. Eles não podiam atacar a João Paulo II – a quem tanto odiavam – por falta de estatura moral para apontarem suas armas demoníacas contra um místico e exemplar homem de Deus. Pensam ter dado um golpe em Bento XVI, que supunham mais vulnerável.

A Igreja não se abalará com os seus inimigos. Ela os ama e perdoa.

*Fonte Jornal Folha de S.Paulo.

Juarez Duarte Bomfim
Sobre Juarez Duarte Bomfim 740 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]