Após renúncia, Bento XVI diz que vai se retirar da vida pública e ficará escondido do mundo

Quando renunciar, no próximo dia 28, o papa Bento XVI, de 85 anos, perderá a condição da infalibilidade.
Quando renunciar, no próximo dia 28, o papa Bento XVI, de 85 anos, perderá a condição da infalibilidade.

Em reunião com párocos em Roma hoje (14/02/2013), o papa Bento XVI, de 85 anos, disse que vai “se retirar completamente da vida pública” após sua renúncia, no dia 28, permanecendo “escondido do mundo”. O papa defendeu ainda a “renovação da Igreja”. “Mesmo que eu esteja me retirando em oração, sempre estarei perto de todos vocês, mesmo que permaneça escondido do mundo”, disse ele.

Em seguida, o papa acrescentou: “Precisamos trabalhar pela realização do concílio real e por uma verdadeira renovação da Igreja”. No dia 27, o papa vai se despedir dos fiéis católicos na Praça de São Pedro em audiência geral.

Ao deixar o pontificado, Bento XVI deverá ser tratado como cardeal emérito e vestir-se como tal. A partir das 20h (horário que normalmente o papa termina as atividades) do dia 28, ele será transportado por um helicóptero até um mosteiro de freiras de clausura, e ficará em uma ala separada, no Vaticano. O nome que Joseph Ratzinger será chamado após a renúncia ainda é um mistério – se irá manter Bento XVI.

Bento XVI perde condição de infalibilidade

Quando renunciar, no próximo dia 28, o papa Bento XVI, de 85 anos, perderá a condição da infalibilidade, poder do qual se investe o pontífice para decidir questões de fé e moral da Igreja Católica Apostólica Romana e sobre o qual há presunção de não haver erro. Ao deixar o pontificado, Bento XVI perderá a possibilidade de não falhar. O papa só assume a condição de infalibilidade em situações específicas. Bento XVI não fez uso desse dogma.

“A infalibilidade está presente na figura do papa quando ele se dirige aos fieis sobre questões de fé e moral. O papa Bento XVI não usou o dogma. Há mais de 60 anos, os papas não usam esse dogma”, ressaltou o padre jesuíta Luís Corrêa Lima, professor doutor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Corrêa Lima disse que a infalibilidade foi usada em meados dos séculos 19 e 20. No século 19, o poder foi utilizado para estabelecer o dogma da Imaculada Conceição, que se refere à concepção do Menino Jesus pela Virgem Maria sem a mácula do pecado original. Pelo dogma, Maria foi preservada por Deus desde seu nascimento, por ser cheia da graça divina, e viveu uma vida livre de pecado.

O professor ressaltou ainda que a última vez que houve estabelecimento de um dogma por meio da infalibilidade papal foi sobre a interpretação a respeito da Assunção de Maria, a crença de que a Virgem foi levada em corpo e alma para os céus após sua morte. O papa Pio XII foi quem definiu esse dogma.

A doutrina da infalibilidade do papa foi estabelecida pelo Concílio Vaticano 1º (1869-1870), durante o pontificado de Pio IX. Para os religiosos, o papa pode errar, mas não quando se dirige aos fieis na condição denominada de ex cathedra – expressão latina que significa “da cadeira ou do trono”. Na prática, o pontífice usa o poder na condição de sucessor de São Pedro, em nome da Igreja.

*Com informações da BBC Brasil.

O papa Bento XVI, de 85 anos, disse que vai “se retirar completamente da vida pública” após renúncia.
O papa Bento XVI, de 85 anos, disse que vai “se retirar completamente da vida pública” após renúncia.
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Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).