Município de Feira de Santana não atende parturientes que fizeram pré-natal nos postos de saúde e remete atendimento para o Cleriston Andrade

Parturientes e suas acompanhantes no HGCA.
Parturientes e suas acompanhantes no HGCA.
Parturientes e suas acompanhantes no HGCA.
Parturientes e suas acompanhantes no HGCA.

Mesmo sabendo que HGCA deveria apenas atender a gestantes de alto risco, município deixa de atender, permanentemente, as parturientes que fizeram pré-natal nas suas unidades e remetem as mesmas para disputar vaga HGCA numa situação que cria um verdadeiro caos naquela unidade. 

Na manhã da segunda-feira (14/01/2013) ao menos três parturientes procuraram os serviços do Hospital Geral Clériston Andrade para dar a luz aos seus filhos quando deveriam ser atendidas pelos hospitais da cidade credenciados para tal serviço ou o Hospital da Mulher, que tem especialidade no assunto. O fato foi observado pelo deputado estadual e líder do governo na Assembleia Legislativa, Zé Neto (PT) e pelo secretário de Saúde, Jorge Solla, quando faziam uma visita técnica ao hospital. 

Rosana Tomaz de Jesus, 26 anos, moradora do bairro Gabriela II; Aparecida Correia, 21, moradora do Limoeiro e Lenise dos Reis Coelho, 20, que mora no distrito de São José fizeram todo o pré-natal nos postos de saúde próximos às suas residências, mas ao procurar o Hospital da Mulher e hospitais credenciados para a obstetrícia como a Mater Dei e o Hospital Dom Pedro de Alcântara não tiveram outra opção, senão, o HGCA. 

Apresentando sangramento desde a última quinta-feira (10/01/2013), Aparecida Correia demonstra a aflição de quem tem que peregrinar para dar a luz.  “Quinta-feira eu fui no hospital Mater Dei com sangramento e disseram que era pra eu voltar hoje de manhã lá. Eu voltei e disseram que tinha quatro cesariana na minha e que não podiam fazer o meu parto. Aí, me mandaram ir no Dom Pedro. Fui lá e disseram que tá em reforma o hospital, que não tava atendendo não. Aí, eu fui no Hospital de Mulher e disse que lá tava muito cheio”, conta. 

A acompanhante de Lenise dos Reis Coelho conta que também tentou atendimento nos três hospitais. “No Hospital da Mulher, o lugar de fazer cesariana tava cheio de bebê, na Mater Dei não tinha material pra fazer a cesariana dela e o Dom Pedro tava fechado a área de ter bebê”, disse. 

Já Rosana Tomaz de Jesus, que sente dores desde a madrugada, recebeu no posto de saúde o diagnóstico de que seu filho já passou da hora de nascer. “Fui no posto de saúde primeiro. Aí ela disse que meu bebê já passou do dia e que está sofrendo aqui dentro. Aí eu fui no Hospital da Mulher que me deu a guia de emergência e me disse que lá tava muito cheio e que não podia atender não”.   

“Precisamos resolver de imediato a questão da obstetrícia. Feira de Santana tem um hospital especializado em obstetrícia, tem hospitais contratados pelos SUS com recursos do Ministério da Saúde, através da prefeitura para realizar, entre outros atendimentos, assistência obstétrica. Não tem sentido verificarmos situações como as que vemos hoje de parturientes para parto normal buscar atendimento numa emergência, numa urgência como o Clériston Andrade disputando assistência com paciente esfaqueado, politraumatizado em acidente, com paciente infartado. Esse é o principal desafio que a gente vai solicitar parceria com a secretária Denise”, disse o secretário Jorge Solla.  

Zé Neto também comentou a situação. “É preciso dar um basta na omissão do Município com relação a obstetrícia tanto em Feira como na região. A administração municipal tem que assumir a sua responsabilidade. Só na manhã de hoje, na presença do secretário de Estado, observamos que a situação da obstetrícia em Feira precisa de uma solução imediata e drástica. A situação que observamos aqui é permanente – pessoas acabam tendo como única alternativa para terem um atendimento adequado o Clériston Andrade sendo que há, na verdade, uma violenta omissão por parte do município por não atender adequadamente as mulheres que precisam trabalho de parto e outras intervenções obstétricas”, disse. 

Nos links abaixo você pode conferir os vídeos com os depoimentos das parturientes.

https://www.youtube.com/watch?v=Uc_7j1K-lT0&list=UUi2SQUX6jv7ShNDRk01BIag

https://www.youtube.com/watch?v=Zkdg_O_wr_c&list=UUi2SQUX6jv7ShNDRk01BIag

https://www.youtube.com/watch?v=TJz0LGgHd74&list=UUi2SQUX6jv7ShNDRk01BIag

Redação do Jornal Grande Bahia
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