2012 foi o ano mais mortífero para os jornalistas, de acordo com Repórteres Sem Fronteiras

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O número de jornalistas mortos no exercício de sua profissão em 2012 aumentou 33%, comparado ao apresentado em 2011, com um total de 88 jornalistas assassinados, de acordo com relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras divulgado nesta quarta-feira, 19 de dezembro. Por tal motivo, a RSF destacou este ano como uma “hecatombe para os agentes da informação ao ser o ano mais mortífero para os jornalistas desde que começou a ter registros em 1995”, acrescentou o informe.

“O número historicamente elevado de jornalistas assassinados em 2012 se deve principalmente ao conflito na Síria, ao caos na Somália e à violência dos talibãs no Paquistão”, observou Christophe Deloire, Secretário-Geral da Repórteres sem Fronteiras. “A impunidade de que gozam os autores das acusações favorece a continuidade das violações aos direitos humanos, em particular ao direito à liberdade de expressão.”

Embora o continente americano tenha sido o único a apresentar uma diminuição relativa, com um total de 15 jornalistas mortos, países como México e Brasil entraram na lista dos cinco países mais perigosos para os repórteres.

Para RSF, os jornalistas no México se tornaram alvo do crime organizado quando se atrevem a denunciar temas relacionados com o narcotráfico, a corrupção, a infiltração da máfia entre as autoridades locais ou federais e as violações aos direitos humanos atribuídas a estas mesmas autoridades. Esta situaçãolevou ao assassinato de seis jornalistas até a presente data.

O Brasil entrou na lista graças aos cinco jornalistas assassinados pela cobertura de temas relacionados ao narcotráfico na fronteira com o Paraguai. Alguns deles haviam denunciado a influência dos cartéis nos setores políticos e econômicos locais.

Em relação às prisões de jornalistas, o continente americano, junto com a Ásia, não mostrou avanços, ao contrário dos demais. Em Cuba, a repressão contra blogueiros e jornalistas dissidentes voltou a se intensificar a partir de 2011. No Peru, manteve-se o recorde de agressões anuais a jornalistas, que a cada ano cresce quase uma centena. Não obstante, os aumentos mais notáveis foram observados em Argentina, Brasil e México.

A má situação na Argentina é atribuída ao crescente ambiente de polarização. No Brasil, relaciona-se ao tenso e violento contexto eleitoral. Já no México tem a ver com os distúrbios gerados após as eleições de 1º de julho e a uma violência global, salientou RSF.

Colômbia foi o único país que registrou uma diminuição no número de agressões, mas ainda é considerado um dos países mais violentos do continente para os jornalistas junto com Honduras e México.

*Com informações do Centro Knight.

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