Ministério Público da Bahia determina restauração do mural de Carlos Bastos

Governo da Bahia assina Termo de Ajustamento de Conduta.
Governo da Bahia assina Termo de Ajustamento de Conduta.
Governo da Bahia assina Termo de Ajustamento de Conduta.
Governo da Bahia assina Termo de Ajustamento de Conduta.

O Ministério Público do Estado da Bahia determinou que as Lojas Insinuante e o Banco Econômico S/A em Liquidação Extrajudicial restaurem um importante mural do artista plástico Carlos Bastos, localizado no andar térreo do Edifício Argentina, na Rua Miguel Calmon, n.01, bairro do Comércio, em Salvador. O mural de 21 metros de comprimento por quatro de altura intitulado ‘Comércio do Porto de Salvador no século XIX’ foi destruído quando a loja ocupou o imóvel e passou tinta por cima da criação.

O contrato entre as partes será assinado no próximo dia 5 (dezembro, 2012), quando serão iniciados testes de limpeza, prospecção e preparação do canteiro de obras por técnicos especialistas fornecidos pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (SECULT), o IPAC foi responsável pelo tombamento do mural como Patrimônio Cultural, em novembro de 2002, via Decreto Estadual nº 8.357. O renomado artista faleceu em 2004 e é considerado um ícone da pintura moderna na Bahia. A restauração deve começar já no início de 2013.

“Trata-se de obra artística com grande valor histórico e cultural que será devolvida a comunidade baiana e também beneficiará as empresas envolvidas já que com a restauração o local terá mais valor e maior visitação pública”, afirma o diretor do IPAC, Frederico Mendonça.

O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que acordou a restauração foi obtido pela 3ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Salvador. O ato contou com a presença de representantes das empresas envolvidas no processo, Marcelo Sales (Insinuante), Antonio Silveira (Banco Econômico) e o diretor geral do IPAC, Frederico Mendonça. O ato foi presidido pelo promotor de Justiça, Antônio Sérgio Mendes, que destacou a importância do acordo para a recuperação de um bem cultural de grande valor para a sociedade baiana.

Os representantes da massa falida do Banco Econômico e Insinuante optaram pela empresa Genart, do restaurador Jomário Sinatri, para fazer a obra estimada em R$ 100 mil. Nas primeiras prospecções, apenas 25% do mural poderia ser recuperado, mas técnicos do IPAC, que fiscalizarão o restauro, acreditam que o percentual pode aumentar. “Esta ação do Ministério Público foi exemplar, mostrando que os bens culturais tombados devem ser respeitados e protegidos”, finaliza o diretor do IPAC.

PATRIMÔNIO NA BAHIA – Fundado em 1967, o IPAC é um dos mais antigos órgãos de patrimônio cultural do Brasil, atuando de forma em articulação com a sociedade e os poderes públicos municipais e federais, na salvaguarda de bens culturais tangíveis e intangíveis e na política pública estadual do patrimônio.

Através do IPAC, a Bahia tem hoje 174 bens culturais materiais tombados e nove registrados como patrimônios imateriais, todos com proteção do Estado. Pela Constituição de 1988 os Municípios e a União também são responsáveis pelos bens culturais. O Ministério da Cultura/Iphan atua com bens de importância nacional, enquanto prefeituras e câmaras municipais se responsabilizam por patrimônios locais. Mais informações sobre o tema no site www.ipac.ba.gov.br, no facebook ‘Ipacba Patrimônio’, e no twitter ‘@ipac_ba’.

Carlos Bastos – Pintor, retratista, ilustrador, muralista e cenógrafo, Carlos Bastos (Salvador 1925-2004) é considerado um ‘marco’ do pioneirismo da arte moderna na Bahia. Começou (suas primeiras obras são assinadas Carlos Frederico) sua carreira de pintor na adolescência. Inicia sua formação artística na Escola de Belas-Artes da Universidade da Bahia, onde ingressa em 1944, transferindo-se, mais tarde, para a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, até 1945. Nesse ano, participa, ao lado de Mario Cravo Júnior e de Genaro de Carvalho, da 1ª Mostra de Arte Moderna da Bahia. Muda-se para o Rio de Janeiro, em 1946 e retorna a Salvador em 1947, onde organiza sua primeira individual na Biblioteca Pública. Vai para Paris, em 1949, e se aprofunda nas técnicas de pintura mural na Escola Superior de Belas Artes de Paris. Volta ao Brasil em 1951. Após novo período em Paris, de 1957 a 1958, monta seu ateliê no Solar da Jaqueira em Salvador, fixando-se na cidade. Edita ‘Santos e Anjos da Bahia’, com prefácio de Jorge Amado, em 1965. Ilustra diversos livros nas décadas de 1970 e 1980. Dentre as inúmeras exposições estão as individuais em 1960, Galeria Oxumaré, e em 1976 no Foyer do Teatro Castro Alves, em Salvador. Participou de dezenas de salões e exposições coletivas, dentre as quais: 1944, Primeiro Salão de Arte Americana – Associação Cultural Brasil Estados Unidos; Salvador, 1949, Primeiro Salão Baiano de Belas Artes; 1960, Arte Moderna Brasileira – Paris – França; 1962, Galeria USIS – Los Angeles – EUA, 1965.

Sobre Carlos Augusto 9705 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).