Sociedade da riqueza X sociedade do conhecimento

Falta investimento na educação
Falta investimento na educação

O Brasil também poderia ser a sociedade do conhecimento, mas a falta de investimentos na educação brasileira gerou um apagão de talentos. Há um  certo grau de desenvolvimento, porém sem a urgência necessária para formar profissionais competentes e suprir a atual demanda do país. Infelizmente percebe-se que, na educação básica, já superamos a barreira da quantidade, mas não a da qualidade e continuamos a formar “analfabetos funcionais”. Não há, obrigatoriedade do ensino de língua estrangeira – inglês, língua globalizada, universal – e a falta de interesse pela geografia mundial nas grades curriculares.

Por outro lado, como pensar em sociedade da riqueza com a corrupção assolando o país, entre tantas outras mazelas, e um modal de transportes ultrapassado, devagar quase parando? A velocidade dos nossos trens de carga varia a uma média de 25 quilômetros por hora. Já era sofrível ficou pior. Segundo a Confederação Nacional do Transporte, oito dos treze corredores analisados perderam desempenho, três ficaram na mesma e dois tiveram aumento irrisórios. Na Austrália os trens de cargas chegam até a velocidade de 115 quilômetros por hora.

Sabe-se que a principal função de um Estado eficiente é a de ser convenientemente bem organizado e estruturado para atender a demanda dos bens coletivos e públicos, ou seja: investimentos e serviços de defesa, justiça, segurança, ruas e praças urbanizadas, estradas, saúde, combate a fome, redução da pobreza e as políticas de distribuição de renda, etc.

Além da falta de investimentos na educação, existem outras carências de proporções bastante elevadas, como a falta de professores qualificados e qualidade no ensino em todos os níveis, a começar pelo ensino básico que se pode denominar como “uma lástima”. Completando este quadro esdrúxulo, os salários insignificantes contribuem para o afastamento dos melhores professores que são contratados pela iniciativa privada, pois também falta apoio, muitos são desprestigiados mesmo representando a mola mestra que impulsiona qualquer país, restando só heróis dedicados ou aqueles que não estão nem ai para sua função e que possuem a pior formação. Além disso, há que se considerar a falta de condições básicas, que excede a falta de formação dos professores, falta estrutura e até o famigerado giz.

O Brasil é um país de baixos salários – salário mínimo de R$ 622,00 quando o ideal seria R$ 2.324,35 – e com bolsas de mestrado e doutorado, ínfimas. Temos reservas de capital no valor de U$ 320 trilhões, risco Brasil de 145 pontos, mas não temos infraestrutura, em todos os segmentos, satisfatória.  Portanto, é controverso e até mesmo inútil, inserir estes problemas no âmbito de Estado mínimo ou Estado máximo. O que caracteriza Estado ideal para a sociedade não é seu tamanho e sim as atitudes e o nível de eficiência. Diante disso é fundamental que nossos gestores invistam em educação, saúde e salários mais justos para que este quadro caótico seja se não extinto, ao menos reduzido a níveis aceitáveis.

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Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Dúvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozóide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua como incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antônio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: reyapeixoto@yahoo.com.br.