O direito democrático do voto obrigatório

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Antonio Alberto de Oliveira Peixoto
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto

“O que aconteceria com o Brasil se o voto deixasse de ser obrigatório? Seria uma festa de corrupção sem limites ou quebraria as pernas de muito malandro por aí?” Questiona Fabiana Figueiredo, São Paulo, SP.

Segundo alguns analistas políticos a falta de obrigatoriedade do voto, aumentaria drasticamente a corrupção. Hoje, “com o democrático direito de votar obrigado”, em alguns municípios do interior do Brasil é normal se trocar o voto por algum beneficio, ou objetos como: saco de cimento, blocos, celulares, dinheiro, etc. Com a falta desta obrigatoriedade, aumentaria este “comércio do voto” consideravelmente. Uma parcela muito elevada dos eleitores só iria às urnas em troca de “propinas” ou nada feito, vamos curtir o feriado.

Para causar mais transtornos na data das eleições, as diversas agências de viagens fariam pacotes turísticos, um convite ao lazer, em pleno início do verão. Na realidade, com o fim do voto obrigatório, essas datas virariam simples feriados e as eleições não seriam tão interessantes, principalmente para o povão que é o que elege e possuidor de uma instrução cultural ínfima.

Por outro lado, o assédio dos candidatos nos horários obrigatórios no Rádio e TV, tomariam dimensões inusitadas, sem contar os

cartazes nos diversos pontos da cidade que triplicariam. Os temas das campanhas eleitorais seriam bem mais agressivos, os problemas debatidos pelos candidatos assemelhariam bastante com os seus e o eleitor até acharia que, por fim, seus problemas seriam solucionados.

O voto voluntário, daqueles que não negociaram nada com os candidatos, seria bem mais seletivo, os programas políticos deveriam, no entanto, serem bem mais educativos e esclarecedores para conseguir convencer aos eleitores a irem às urnas no dia do pleito. Mesmo assim, não evitaria a redução do número de votantes.

Uma grande vantagem seria para as “políticas salariais” que, com certeza, haveria uma grande evolução, porem correndo o grande risco de desestabilizar a economia do país causando o aumento da inflação, provocadas pelo consumismo exacerbado. Claro, aumentaria o poder aquisitivo da população. Talvez, quem sabe, a situação de miséria em que se encontra boa parte da população brasileira, tivesse uma melhora considerável. Uma coisa que deixa a maioria dos brasileiros sem entender bem, são as frases de época das eleições, como a veiculada pelo STE: “exerça o seu direito democrático de votar”. Como, se esse direito é obrigatório?


Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.