Governo da Bahia suspende queima de lixo da RHODIA em Camaçari

São Vicente, São Paulo | Mangue na divisa do terreno da empresa Rhodia com o bairro Jardim Quarentenário. A empresa armazenou durante décadas milhares de toneladas de resíduos tóxicos em terrenos da Baixada Santista.
São Vicente, São Paulo | Mangue na divisa do terreno da empresa Rhodia com o bairro Jardim Quarentenário. A empresa armazenou durante décadas milhares de toneladas de resíduos tóxicos em terrenos da Baixada Santista.
Bira Corôa: “Essa escória já tem 20 anos, um lixo químico que inclui substâncias cancerígenas banidas mundialmente em tratados internacionais”. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Bira Corôa: “Essa escória já tem 20 anos, um lixo químico que inclui substâncias cancerígenas banidas mundialmente em tratados internacionais”. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) – Jornal Grande Bahia)

O Governo da Bahia vai determinar que a empresa de soluções ambientais Cetrel Lumina suspenda o transporte e a queima de solo contaminado enviado de Cubatão (SP), pela multinacional Rhodia, para Camaçari, na região metropolitana de Salvador. A suspensão atende à solicitação dos deputados estaduais Bira Corôa e Luiza Maia, além de vereadores e ambientalistas que se reuniram, na manhã desta segunda-feira (26/11/2012), com o secretário estadual de Meio Ambiente, Eugênio Spengler.

Na semana passada, os deputados protestaram publicamente sobre a autorização, nove anos depois de impedida pela Justiça, da transferência e queima de lixo tóxico proveniente da Rhodia. Em 2004, Corôa era vereador em Camaçari e mobilizou o município para se juntar ao então deputado estadual Zilton Rocha (PT), que moveu ação popular vitoriosa que suspendeu a incineração de 3.600 toneladas dos resíduos que foram transportados de São Paulo para a Cetrel.

“Esse lixo, que já contaminou diversas famílias e trabalhadores, volta a ameaçar a Bahia”, disse o parlamentar, lembrando que a Justiça paulista proibiu a incineração dos resíduos da Rhodia da antiga fábrica de Cubatão (SP) em todo seu Estado. “Essa escória já tem 20 anos, um lixo químico que inclui substâncias cancerígenas banidas mundialmente em tratados internacionais”, completa Corôa.

São Vicente, São Paulo | Mangue na divisa do terreno da empresa Rhodia com o bairro Jardim Quarentenário. A empresa armazenou durante décadas milhares de toneladas de resíduos tóxicos em terrenos da Baixada Santista.
São Vicente, São Paulo | Mangue na divisa do terreno da empresa Rhodia com o bairro Jardim Quarentenário. A empresa armazenou durante décadas milhares de toneladas de resíduos tóxicos em terrenos da Baixada Santista.

Além de convocar uma reunião com representantes da Cetrel, a Secretaria de Meio Ambiente solicitará novos testes para confirmar a segurança da operação e solicitará ao Ibama detalhes sobre os riscos envolvidos no transporte dos resíduos de Cubatão a Camaçari, um percurso de cerca de 1,5 mil quilômetros. O secretário também quer informações se o material chegou a ser transferido para a Bahia, quanto dele já foi eliminado e qual a destinação do resíduo resultante da queima.

Em 2004, a Cetrel chegou a incinerar 900 toneladas do produto antes de ser notificada pela Justiça. Os lixões químicos da fábrica da Rhodia em Cubatão foram descartados há décadas em terrenos da Baixada Santista, sendo considerado um dos maiores casos de contaminação industrial no Brasil.

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