Eleitores norte-americanos que vivem no Brasil votam a distância e podem fazer a diferença

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Mitt Romney e Barack Obama. Disputa pelo comando da nação mais ponderosa do planeta.
Mitt Romney e Barack Obama. Disputa pelo comando da nação mais ponderosa do planeta.
Mitt Romney e Barack Obama. Disputa pelo comando da nação mais ponderosa do planeta.
Mitt Romney e Barack Obama. Disputa pelo comando da nação mais ponderosa do planeta.

Mesmo morando a milhares de quilômetros de suas seções eleitorais, vários eleitores norte-americanos que vivem no Brasil vão ajudar na escolha do próximo presidente dos Estados Unidos. A eleição ocorre hoje (06/11/2012), mas os eleitores, mesmo no exterior, já enviaram seus votos por correio ou e-mail, opções disponibilizadas pelos Estados Unidos.

Em uma corrida presidencial apertada como a deste ano, que poderá ser decidida por poucos votos, eleitores que moram no exterior podem fazer a diferença. É no que acredita a escritora e jornalista Julia Michaels, que vive no Brasil há 31 anos e não votava nas eleições americanas há alguns anos. Desta vez, ela considera que seu voto pode ser decisivo na escolha do próximo presidente.

“Confesso que, há quatro anos eu não votei, porque eu sou de Massachusetts e, em 2008, todo mundo me dizia que o Obama [Barack Obama, atual presidente] ia ganhar de qualquer jeito por lá. Foi uma eleição histórica e eu queria ter participado. Foi uma preguiça da minha parte. Mas, nesta, eu acho importante votar, porque a eleição está apertada”, disse.

Julia diz que vai acompanhar a apuração na noite de hoje junto com amigos americanos. “Como a eleição vai ser muito apertada, devemos ficar acompanhando até tarde da noite”, disse. Segundo ela, muitos de seus compatriotas devem assistir à apuração em um bar da zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

A jornalista disse que pediu sua cédula eletrônica por e-mail para a comissão eleitoral de seu condado, no estado de Massachusetts, há cerca de três semanas, e devolveu a cédula por e-mail mesmo. Além de presidente, Julia está ajudando a eleger servidores locais e a responder a perguntas de interesse de sua cidade. “Sinto uma certa responsabilidade [em participar dessas escolhas], porque apesar de morar no Brasil há tantos anos, ainda pago Imposto de Renda lá”, disse.

Moradora do Morro da Babilônia, na zona sul da cidade do Rio, a pesquisadora da Universidade de Yale Catherine Osborn vive no país já apenas dois meses e meio. Há cerca de um mês, solicitou sua cédula de votação para a comissão eleitoral do condado de Travis, no estado do Texas.

Apesar de ter recebido a cédula por e-mail, as autoridades eleitorais locais exigem que ela seja impressa e enviada de volta por correio. “Estou no Brasil há pouco tempo, então não sabia como funcionavam os Correios aqui. A primeira vez que usei os Correios foi para enviar a cédula. Mandei para a minha mãe, nos Estados Unidos, e ela encaminhou o voto [para a comissão eleitoral] para mim”, disse.

Catherine conta que ela sempre se envolveu na política partidária americana e acredita que é muito importante votar. “Eu sou muito patriota, então a ideia de não votar era horrível, inimaginável. É muito importante votar. É seu dever como cidadão. Cada voto conta”, disse. Em sua cidade, além de presidente, os eleitores vão decidir sobre questões referentes ao orçamento local, além de escolher autoridades do município e deputados federais.

Em entrevista concedida em outubro, a vice-cônsul dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, Ana Adler, disse que a mobilização da comunidade norte-americana no estado para as eleições deste ano foi a maior dos últimos 20 anos.

Obama e Romney travam disputa acirrada em Estados indecisos

Muito diferente de como teve início, a campanha presidencial americana terminou de forma eletrizante, aguardando o veredicto das urnas sobre quem vai ocupar a Casa Branca a partir de 2013.

Milhões de eleitores em todo o país finalmente responderão à pergunta sobre a qual muito poucos analistas se arriscaram a opinar de forma decisiva: se o país manterá no poder o seu 44º presidente ou se elegerá um 45º para a função.

Disputando os eleitores à unha, principalmente nos chamados “Estados-pêndulo”, que não têm histórico definido de vitória de um dos partidos, o atual ocupante do cargo, o presidente Barack Obama, e seu rival republicano, Mitt Romney, fizeram na segunda-feira uma bateria de eventos eleitorais em seis desses Estados indecisos.

Com base no histórico de vitórias de cada partido, o número de Estados que se encaixam nesta definição varia de seis – para os mais indefinidos – a 15.

Mesmo nesta terça-feira, após votar em Boston, Romney deve fazer visitas-relâmpago à Pensilvânia e a Ohio – este último, considerado o mais decisivo entre todos os 50 Estados americanos.

Já Obama, que votou antecipado junto com outros 30 milhões de americanos, passará o dia em Chicago, onde participará de sua festa de vitória – ou fará o seu discurso de derrota.

Ainda que seja o primeiro caso, o ambiente promete ser bem diferente de quatro anos atrás, quando o primeiro presidente negro dos EUA falou a 240 mil espectadores em um parque da cidade.

Neste ano, Obama aparecerá diante de 18 mil pessoas escolhidas a dedo entre voluntários e pessoal de campanha em um centro de convenções. A razão alegada para a mudança de perfil do evento foi a segurança.

Palmo a palmo

A terça-feira das eleições começou, como sempre, com a pitoresca tradição de abertura e fechamento quase imediato das urnas à meia-noite no vilarejo de Dixville Notch, no Estado de New Hampshire, o primeiro no país a votar.

Mas o povoado, que se vangloria de quase sempre escolher aquele que terminará sendo o vencedor, deu, neste ano, uma indicação do grau de acirramento da disputa: depois de 43 segundos de votação, pela primeira vez na história, os seus eleitores terminaram igualmente divididos, concedendo a Obama e a Romney cinco votos cada um.

O democrata e o republicano chegam ao dia D do calendário eleitoral tecnicamente empatados nas pesquisas de opinião, com o presidente liderando na maior parte das sondagens, ainda que sempre dentro da margem de erro.

Para Romney, que chegou a ficar muito brevemente à frente de Obama nas pesquisas de opinião em meados de outubro, o desafio é vencer de vez a pequena, mas constante vantagem do presidente na preferência do eleitorado.

Já para Obama, o desafio é vencer com folga suficiente para evitar questionamentos sobre um eventual segundo mandato, em um ambiente político que deve continuar hostil no Congresso, se estiverem corretas as projeções dos analistas.

Escrevendo em um blog da campanha, o diretor de mobilização da campanha democrata, Jeremy Bird, disse que a maneira para conseguir este objetivo é colocando nas ruas centenas de milhares de voluntários que vão sair batendo de porta em porta para convencer o eleitorado a exercer o seu voto – que não é obrigatório no país.

Nas eleições passadas, votaram cerca de 130 milhões de americanos – um nível recorde que beneficiou Obama e que, estima-se, não deve ser superado nestas eleições.

Legitimidade

Desafio de Obama é vencer não somente no colégio eleitoral, mas também nos votos populares

A disputa deste ano está tão acirrada que muitos analistas passaram a expressar a possibilidade de um resultado semelhante ao das eleições de 2000, quando o republicano George W. Bush saiu vencedor mesmo ficando 500 mil votos atrás do rival democrata, Al Gore.

As eleições nos EUA são definidas por um colégio eleitoral, no qual a cada Estado é atribuído um peso segundo a sua população. O candidato vencedor em cada Estado leva todos os votos correspondentes aos seus representantes no colégio eleitoral.

Para ser presidente, um candidato tem de alcançar pelo menos 270 votos, e a maioria dos analistas estima que Obama possa contar, de largada, com cerca de 240 votos, contra algo entre 190 e 210 de seu oponente.

Mas, diante da polarização da política americana, a vantagem, em tese, de Obama tem benefícios limitados.

Para evitar questionamentos sobre a legitimidade de seu segundo mandato, da mesma maneira como o ex-presidente George W. Bush enfrentou durante o seu primeiro, ele precisa não apenas vencer Romney neste xadrez do sistema eleitoral americano, mas superar os votos do republicano no voto popular.

EUA têm 176 votações paralelas em dia de eleição presidencial

Além de escolherem nesta terça-feira o novo presidente dos Estados Unidos, os americanos irão também votar em uma série de medidas estaduais, conhecidas como ”ballot measures”. Ao todo, serão 176 votações paralelas em todo o país, sobre temas que vão desde a legalização da maconha até o reconhecimento legal do casamento gay.

As disputas em torno destas propostas deram lugar a verdadeiras guerras de campanhas com propagandas de rádio, TV e páginas inteiras de jornais pagas por diferentes organizações civis, empresas ou grupos de lobistas.

Califórnia, Flórida e Alabama, com 11 medidas cada um, são os Estados que mais usarão esta ferramenta eleitoral americana, que segue a lógica de um referendo e define não só questões ligadas à vida cotidiana dos eleitores como também temas ditados por Washington.

Na lista dos que serão avaliados, há desde temas técnicos, como a duração do mandato de autoridades a assuntos como aborto, eutanásia ou descriminalização da maconha para usuários portando pequenas quantidades da droga.

Casamento gay

Os eleitores de quatro Estados americanos decidirão se aprovam ou não o casamento de pessoas do mesmo sexo. O tema não é novo, mas marcou a campanha presidencial de 2012. Enquanto os republicanos se opõem, o presidente democrata disse ser a favor em um pronunciamento público feito em maio deste ano.

Um panfleto no Estado do Maine pede a eleitores que optem pelo ”sim” à pergunta ”você quer permitir ao Estado de Maine emitir certidões de casamento para pessoas do mesmo sexo?”. Se o ”sim” se sagrar vencedor, Maine vai se converter no primeiro Estado a legalizar o casamento entre iguais nas urnas, após havê-lo rechaçado em um referendo, em 2009.

Diversas tentativas apresentadas no passado para reconhecer o casamento gay em outros Estados também fracassaram nas urnas, enquanto houve mudanças em outros pela via legislativa. Até o momento, nenhum Estado americano aprovou a união por votação popular.

Em Washington e em Maryland, os cidadãos irão se pronunciar sobre se seus Estados devem ou não manter leis aprovadas recentemente pelos correspondentes Legislativos para ampliar os direitos de casamento a casais formados por gays e lésbicas.

Na contramão, há Minnesota, que votará uma possível emenda constitucional para definir o matrimônio como sendo a união entre um homem e uma mulher, proibindo, portanto, o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Analistas acreditam que a eleição pode marcar um momento de ruptura, com pesquisas nacionais revelando um apoio majoritário ao casamento gay – um total de 54% de americanos são a favor da união de pessoas do mesmo sexo, de acordo com enquete realizada pela rede de TV NBC e o jornal Wall Street Journal.

Maconha

Washington, Oregon e Colorado se encaminham para se tornar os primeiros Estados americanos a legalizar a maconha com fins recreativos. De acordo com as pesquisas, Washington é o que está mais próximo de alcançar a liberação.

Se aprovada, a medida tornará legal a produção, distribuição e posse de maconha, a venda passaria a ser tributada e só seria permitida para maiores de 21 anos e sob o controle da mesma entidade que supervisiona o comércio de bebidas alcoólicas.

Mas a aprovação poderia, no entanto, gerar conflitos com o governo federal, que lista a maconha como substância proibida, uma disputa de poder entre as esferas estadual e nacional, como a que já foi vista nos Estados que aprovaram a maconha para fins medicinais.

Morte: contra e a favor

Duas iniciativas radicalmente diferentes dizem respeito à morte: a pena capital na Califórnia e o suicídio assistido em Massachusetts.

A Proposta 34 quer fazer da Califórnia o 18º Estado americano a abolir a pena de morte. Nos últimos seis anos, não foram realizadas execuções no Estado.

Vários atores célebres, como Martin Sheen e Edward James Olmos, se manifestaram pelo fim da pena capital e três ex-governadores vieram a público defender a manutenção da pena capital.

Uma pesquisa realizada em setembro indicou que 48% votariam pelo fim da pena de morte e 43% seriam contra.

Se for aprovada, a proposta fará com que 720 condenados tenham suas sentenças de morte imediatamente transformadas em prisão perpétua sem a opção de liberdade condicional.

Massachusetts, por outro lado, poderá se tornar o primeiro Estado a promover uma variante da eutanásia. Pela proposta que será votada nas urnas, pacientes podem receber uma dose letal de drogas se tiverem recebido um diagnóstico de seis meses de vida ou menos.

A medida, intitulada ”morte com dignidade”, gerou intenso debate no Estado e determina que pacientes terminais sejam assistidos em seus suicídios por enfermeiro, desde que peçam, duas vezes de forma oral e uma por escrito, que isso aconteça.

Estudantes não documentados

Os eleitores de Maryland, um Estado onde a população hispânica mais do que dobrou na década passada, irão decidir se concedem a universitários sem documentos dos EUA o direito de pagar taxas acadêmicas idênticas às de seus colegas americanos.

O chamado Dream Act estatal, em referência à proposta que vem tramitando no Congresso nacional há mais de dez anos sem ser aprovada, beneficiaria jovens filhos de imigrantes que querem ingressar no ensino superior, tendo passado por escolas locais por três anos e que possam demonstrar que seus pais ou responsáveis locais pagam impostos.

Isso, afirmam seus defensores, aliviaria a carga financeira dos que se encontram nesta situação. As taxas anuais são de US$ 7 mil (cerca de R$ 14,2 mil) para estudantes locais e mais de US$ 25 mil (R$ 51 mil) para os de fora, entre os quais figuram filhos de imigrantes sem cidadania americana.

Os críticos da proposta afirmam que essa parcela da população estudantil sem direito a pagar o valor mais baixo poderia quadruplicar nos próximos dois anos, o que representaria um ônus para os cofres estaduais equivalente a US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 7 milhões). De acordo com pesquisas, no entanto, a medida é bem vista por boa parte dos eleitores de Maryland.

Racismo constitucional

Uma das iniciativas de maior destaque no Alabama é a que pretende eliminar anacronismos racistas da Constituição estadual.

A ”Emenda 4” se destaca entre mais de dez iniciativas presentes na cédula eleitoral do Alabama. É a que propõe erradicar a linguagem racista da Legislação do Estado.

Mesmo tendo se passado quase 60 anos desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou ilegal a segregação nas escolas, foram mantidas emendas constitucionais no Alabama que preservaram o racismo – ao menos literalmente.

Na carta magna do Alabama, há artigos que não são mais seguidos, mas que especificam, por exemplo, que o direito à educação pública não deve se dar à custa dos contribuintes e que ”os estudantes devem frequentar escolas previstas para suas próprias raças”.

Não se trata da primeira tentativa. Em 2004, surpreendentemente uma iniciativa semelhante foi rechaçada pela maioria dos votantes. Uma das razões alegadas pelos opositores é que a modificação do texto constitucional deixava aberta a possibilidade de aumentar impostos sobre propriedades para gerar recursos para a educação pública.

Dois dos mais fortes grupos afroamericanos que atuam na região, a Conferência Democrática e a Aliança Novo Sul, pediram o boicote da votação, porque dizem que mesmo que se mude o texto constitucional não há garantias suficientes que se financiará uma educação pública igualitária.

Etiquetas nos alimentos

A campanha em defesa da Proposta 37 abalou a opinião pública californiana. A iniciativa obrigaria produtores de alimentos crus e processados a incluir informação nos rótulos das embalagens de alimentos indicando se houver algum ingrediente geneticamente modificado.

Se aprovada, a Califórnia será o primeiro Estado americano a impor esta dura regulamentação à poderosa indústria de alimentos do país.

O Partido Democrata se pronunciou favoravelmente à proposta há poucos dias, por julgar que os Estados Unidos estão atrasados na regulamentação de alimentos transgênicos em comparação com outros países ricos.

Os opositores da proposta asseguram que para fazer cumprir a medida, seria necessário um oneroso monitoramento da produção, além de mudanças no empacotamento de ingredientes, o que teria um impacto direto sobre o preço dos alimentos.

Ainda assim, a medida conta com a aprovação de 44% do eleitorado, contra 42% que são contra a medida, de acordo com pesquisas de opinião.

*Com informações da Agência Brasil e de Pablo Uchoa e Valeria Perasso da BBC Brasil.

Eleitores preenchem as cédulas de papel em um local de votação para a escolha do presidente dos Estados Unidos.
Eleitores preenchem as cédulas de papel em um local de votação para a escolha do presidente dos Estados Unidos.
Eleitores norte-americanos votam para a escolha do presidente dos Estados Unidos.
Eleitores norte-americanos votam para a escolha do presidente dos Estados Unidos.
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