Último debate entre candidatos à Presidência indica cansaço dos EUA após década de guerras

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O republicano Mitt Ronmey e o presidente norte-americano, Barack Obama, disputam as eleições nos Estados Unidos, no próximo dia 6, enfrentaram-se ontem (22/10/2012) no último debate.
O republicano Mitt Ronmey e o presidente norte-americano, Barack Obama, disputam as eleições nos Estados Unidos, no próximo dia 6, enfrentaram-se ontem (22/10/2012) no último debate.
O republicano Mitt Ronmey e o presidente norte-americano, Barack Obama, disputam as eleições nos Estados Unidos, no próximo dia 6, enfrentaram-se ontem (22/10/2012) no último debate.
O republicano Mitt Ronmey e o presidente norte-americano, Barack Obama, disputam as eleições nos Estados Unidos, no próximo dia 6, enfrentaram-se ontem (22/10/2012) no último debate.

O presidente norte-americano, Barack Obama, e o republicano Mitt Ronmey, que disputam as eleições nos Estados Unidos, no próximo dia 6, enfrentaram-se ontem (22/10/2012) no último debate. Segundo analistas políticos, foi um debate sem brilho sobre temas de política externa, indicando que ambos querem evitar que o país se envolva em um novo conflito militar no mundo, embora ocorram instabilidades e ameaças.

Refletindo o cansaço dos norte-americanos após mais de uma década de envolvimento no Iraque e Afeganistão, os adversários indicaram que querem manter o papel de liderança do país na comunidade internacional, mas sem envolvimento militar direto.

Romney acusa o governo Obama de tratar os regimes sírio e iraniano com leniência. Mas ontem indicou que discorda menos das políticas do atual governo do que o seu discurso indica. Ao analisarem a crise na Síria, por exemplo, e o papel dos Estados Unidos na Primavera Árabe, ambos os candidatos concordaram que o governo norte-americano deve ajudar as transições nos países árabes, mas manter distância de se envolver militarmente.

Mesmo as declarações em relação à Líbia, onde um ataque, em setembro, matou um embaixador norte-americano e funcionários da representação diplomática dos Estados Unidos na cidade, foram menos enfáticas do que nos dois debates anteriores.

Os candidatos mantiveram também um discurso semelhante em relação às retiradas das tropas do Iraque e do Afeganistão, assim como sobre a necessidade de continuar cooperando com o Paquistão. “Parte da liderança americana é garantir que estamos construindo nosso país dentro de casa”, disse Obama.

“Na última década, experimentamos promover a construção de Estados-Nações em lugares como o Iraque e o Afeganistão. E negligenciamos, por exemplo, desenvolver a nossa própria economia, nosso próprio setor energético, nosso sistema educacional”, prosseguiu o presidente. “É muito difícil projetarmos liderança no mundo se não estivermos fazendo o que precisamos fazer aqui.”

Porém, temas como o Irã e a China estimulam Romney a fazer críticas ao governo Obama.
O republicano disse que classificará a China como manipuladora de câmbio já no seu primeiro dia de trabalho. Sobre o Irã, Romney condenou Obama por não adotar sanções mais firmes em represália ao programa nuclear iraniano. “Hoje, eu endureceria essas sanções. Proibiria navios que carregam petróleo iraniano de virem para os nossos portos”, disse.

Obama replicou as declarações informando que os Estados Unidos adotaram sanções unilaterais ao Irã e que as medidas não funcionaram. Segundo ele, enquanto seu governo negociava sanções internacionais, o republicano investia seu dinheiro na companhia de petróleo chinesa, que tem negócios com a iraniana.

Os candidatos também divergiram sobre os gastos militares. Ronmey acusou Obama de tornar o país menos seguro por propor um corte de gastos de US$ 1 trilhão no orçamento de defesa americano.

Ronmey apontou que a Marinha norte-americana é a menor desde 1917 e que a Força Aérea dos Estados Unidos está mais enxuta do que quando foi criada, em 1947. “Acho que o governador Romney não passou muito tempo estudando como funcionam as Forças Armadas”, disse Obama.

Para o presidente, o investimento de US$ 2 trilhões nas Forças Armadas, proposto por Romney, é incongruente com seu plano de corte de US$ 5 trilhões em impostos e reequilíbrio orçamentário.

A América Latina foi mencionada apenas uma única vez. Romney citou seu plano de cinco pontos para reviver a economia norte-americana, dos quais um é elevar o comércio exterior, principalmente com os vizinhos.

Maioria dos brasileiros quer reeleição de Obama

Pesquisas de opinião feitas em 21 países mostram que em 20, incluindo o Brasil, a maioria dos entrevistados é favorável à reeleição do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que disputa as eleições no próximo dia 6 com o republicano Mitt Romney. As pesquisas ouviram as pessoas de julho a setembro. No caso do Brasil, 65% dos entrevistados disseram preferir Obama a Romney.

A preferência brasileira por Obama segue uma tendência mundial. O país onde Obama atingiu o maior índice de popularidade foi a França (72%). A Austrália obteve a segunda maior taxa de aceitação (67%), seguida pelo Canadá e pela Nigéria (ambos com 66%). Romney vence apenas no Paquistão, onde foi citado por 14% dos entrevistados. Obama foi lembrado por 11% da população.

Assim como no Brasil, na Grã-Bretanha e no Panamá o democrata é preferido por 65% dos entrevistados. O levantamento não inclui entrevistados nos Estados Unidos. As pesquisas foram conduzidas pelo Instituto GlobeScan/Pipa. Mais de 21 mil pessoas foram ouvidas.

O resultado mostrou que 50% do total de entrevistados torcem por Obama. Os favoráveis a Romney somam 9% e os demais declararam não ter nenhuma preferência. Os resultados contrastam com as pesquisas de opinião internas dos Estados Unidos, que mostram os candidatos empatados tecnicamente.

A pesquisa tem margem de erro de 4 pontos percentuais. Para o diretor da Market Analysis – empresa responsável pela pesquisa no Brasil, Fabián Echegaray, Obama é o preferido da maioria dos brasileiros devido à política internacional mais pacifista.

“O brasileiro é sensível aos temas da violência e do crime. A questão da guerra se relaciona com isso. O governo de Obama teve uma experiência bélica e militar menor, em contraste com a administração anterior (de George W. Bush)”, disse Echegaray.

O diretor acrescentou que Obama atrai mais a simpatia do público brasileiro do que Romney em decorrência da aparência física. Segundo ele, assim como ocorreu na eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a população se identifica com Obama como um integrante do povo mais do que Romney.

“Os brasileiros veem Obama como pardo e isso gera maior identificação. Romney, caucasiano, é visto como o americano branco”, disse o analista. Mas a popularidade do democrata caiu no Quênia – terra natal de seu pai – e também no México, na Polônia e na China. O índice permaneceu o mesmo na Austrália, no Canadá, na Nigéria e Alemanha ao comparar os números de 2012 com os de 2008.

Sobre Carlos Augusto 9659 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).