Eleições 2012: PSOL de Salvador se abstém de apoiar os candidatos Nelson Pelegrino e ACM Neto

Hamilton Assis, candidato do PSOl em Salvador. "Agora nossa cidade enfrentará um segundo turno entre ACM Neto (DEM) e Pelegrino (PT). Nós do PSOL viemos à sociedade para dizer que a nossa coerência não está à venda!", afirma nota do PSOL.
Hamilton Assis, candidato do PSOl em Salvador. "Agora nossa cidade enfrentará um segundo turno entre ACM Neto (DEM) e Pelegrino (PT). Nós do PSOL viemos à sociedade para dizer que a nossa coerência não está à venda!", afirma nota do PSOL.

Com o título ‘Dois gerentes: o mesmo projeto’, o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) emite nota onde agradece o apoio da população soteropolitana nas Eleições 2012, ao mesmo tempo em que acusa os dois candidatos a prefeito, Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM), de liderarem processos políticos similares.

Confira a nota do PSOl sobre as Eleições 2012 em Salvador

Dois gerentes: o mesmo projeto

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) vem agradecer enormemente à população de Salvador pelos resultados obtidos nas últimas eleições. Nosso candidato a prefeito, Hamilton Assis, recebeu 33.650 votos de eleitores que se identificaram, tanto com nossa crítica aos responsáveis pela situação caótica que vive nossa cidade, quanto com nossas propostas de perfil democrático e popular de gestão. Nas eleições para vereador, nosso partido recebeu um total de 32.996 votos, sendo que a nossa coligação “Chega de Vender Nossa Cidade” (PSOL-PCB), recebeu um total de 33.811 votos, elegendo o companheiro Hilton 50 o primeiro vereador do PSOL em Salvador.

Queremos agradecer especialmente ao nosso povo por ter depositado 16.408 votos de resistência em Hilton 50, que foi o segundo vereador mais votado desta cidade. Acreditamos que essa grande votação mostra o anseio do nosso povo por ter um legítimo representante dos seus interesses na Câmara Municipal. Durante todos os oito anos de (des)governo de João Henrique, vimos uma Câmara de Vereadores apática e submissa, sem fazer oposição de verdade à prefeitura, esse cenário será diferente a partir de 1º de janeiro de 2013.

A campanha da Frente Capital da Resistência foi uma campanha militante, com pouquíssimos recursos. Nossa militância jamais se inferiorizou ante as grandes estruturas das outras candidaturas e a fortuna que as grandes empresas, especialmente as empreiteiras, depositaram em outros candidatos. Foi uma batalha árdua, mas vencemos! Não pegamos os atalhos e nem caímos nas armadilhas do discurso dos poderosos, e daqueles que dizem que para se eleger tem que “entrar no jogo”. Não aceitamos dinheiro de empresas envolvidas com as máfias que dominam a máquina pública! Nossa campanha contou com a doação exclusivamente de cidadãos que acreditam no nosso projeto. O caminho que nós traçamos é mais difícil sim, mas o gosto da vitória tem um sabor inexplicável! Começamos e terminamos a campanha de cabeça erguida e comprometidos exclusivamente com o povo de Salvador, o povo da resistência, em especial a população negra que há mais de 500 anos luta por igualdade e liberdade nos becos, ruas, praças e ladeiras da nossa cidade.

Por tudo isso a população de Salvador pode estar ciente que o mandato de vereador do PSOL chega à Câmara sem estar vinculado a nenhum interesse privado e empresarial, pois nossa campanha foi totalmente militante.

Agora nossa cidade enfrentará um segundo turno entre ACM Neto (DEM) e Pelegrino (PT). Nós do PSOL viemos à sociedade para dizer que a nossa coerência não está à venda! A candidatura de ACM Neto (DEM) é a candidatura orgânica da burguesia baiana e dos poderosos. Representa o que há de mais retrogrado na política baiana. Os anos de dominação carlista na Bahia e em Salvador foram marcados por autoritarismo, violência contra o povo (exemplo o 16 de maio), corrupção, privatização da cidade, privilégios para os mais ricos e subordinação do poder público aos seus próprios interesses políticos e econômicos. O retorno do DEM ao comando da prefeitura municipal significará a retomada de fôlego de um projeto antipopular, destruidor do meio ambiente, orgânico aos interesses do capital monopolista, dos latifundiários e associado intimamente com o capital internacional e o imperialismo norte-americano.

Já a candidatura de Nelson Pelegrino (PT) significará o mesmo projeto de submissão aos interesses dos poderosos, já desenvolvido no Estado e no país. Históricos quadros do carlismo estão na base de apoio dos governos do PT nas esferas estadual e nacional. Nelson Pelegrino apoiou o governador Wagner inclusive na repressão à greve da educação e da PM, ambas realizadas este ano. Nos 12 dias de greve da PM e nos 115 dias de greve dos professores o PT não quis dialogar com os servidores que lutavam por melhores salários e condições de trabalho, mas agora dizem ser democráticos e querem conversar com o PSOL pra pedir apoio eleitoral. Não conversamos com quem massacra nosso povo. Durante a eleição em Salvador, Pelegrino utilizou-se dos mesmos métodos chantagistas que o carlismo usava. Sua candidatura recebeu vultuosos recursos de empresas ligadas ao capital imobiliário e interessadas em obras de infraestrutura.

Ambas as candidaturas apoiaram João Henrique e participaram com cargos em seu governo. Ambos tem o apoio de partidos que até hoje estão no governo João Henrique e usaram a máquina da prefeitura em suas campanhas.  O DEM de ACM Neto foi abertamente favorável ao PDDU enquanto o PT apoiou de forma envergonhada. Na aprovação da LOUOS a maioria do PT votou a favor e outra não ofereceu maiores resistências. Ambos os partidos estiveram juntos na aprovação do Novo Código Florestal e da lei da copa que ataca a soberania nacional e o trabalho informal tão importante em nossa cidade. A partir dessas reflexões concluímos que nesse segundo turno não existe disputa de projetos, mas sim do gerenciamento de uma mesma forma de administrar a cidade, a qual nós divergimos frontalmente

Portanto, qualquer que seja o resultado do segundo turno em Salvador, o PSOL estará ao lado do povo e fará oposição programática e de esquerda ao novo prefeito que assumir, pois somente desta forma, conjugando as lutas cotidianas e concretas do povo com a perspectiva socialista, é que se pode enfrentar as máfias que privatizam os espaços públicos e mantém nossa cidade como uma das mais desiguais do país.

Por tudo isso, o PSOL não apoiará nenhuma das candidaturas postas no segundo turno. Esta não é uma atitude de “neutralidade” diante das duas, mas de oposição a ambas. Orientamos, assim, a nossos militantes, inclusive ex-candidatos a vereador, a não se envolver em nenhuma das duas candidaturas.  Continuaremos a criticar a subordinação do poder público às máfias que dominam nossa cidade. Afirmamos desde já que o mandato de vereador do PSOL será uma trincheira de luta em defesa dos interesses populares e de construção da luta popular em Salvador. Continuaremos presentes nos movimentos sociais, contribuindo com a organização de nosso povo por dias melhores, e eles com certeza virão.

As eleições Municipais demonstraram que a população baiana e soteropolitana querem uma mudança nos rumos políticos e nossa posição no segundo turno reflete essa demanda da população.

A Executiva Municipal convoca para o dia 20/10 uma plenária aberta à todos/as os/as seus/suas militantes para a realização de um debate de balanço e perspectivas no qual detalharemos nossa avaliação sobre o processo eleitoral e seus desdobramentos.

 Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)

Salvador (BA) – Capital da Resistência

10 de outubro de 2012

Confira o resultado das Eleições 2012 em Salvador – 1º Turno para prefeito e vereador

Eleições 2012 em Salvador – Prefeito no 1º Turno

Eleições 2012 em Salvador – Vereador

Sobre Carlos Augusto 9463 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).