PMDB baiano é pressionado a apoiar eleição do petista Nelson Pelegrino, enquanto Geddel Vieira Lima fala em pagar o preço por independência política

Geddel Vieira Lima: "Acho a pressão da política legítima, mas procuro sempre a independência e pago o preço que tenho que pagar por ela".
Geddel Vieira Lima: "Acho a pressão da política legítima, mas procuro sempre a independência e pago o preço que tenho que pagar por ela".
Geddel Vieira Lima: "Acho a pressão da política legítima, mas procuro sempre a independência e pago o preço que tenho que pagar por ela".
Geddel Vieira Lima: “Acho a pressão da política legítima, mas procuro sempre a independência e pago o preço que tenho que pagar por ela”.

A matéria do jornal Valor Econômico, de hoje (09/10/2012), aborda a disputa eleitoral em Salvador. Que se estende neste segundo turno, repetindo a disputa entre petistas e democratas, de um lado Nelson Pelegrino, deputado federal pelo PT; do outro, ACM Neto (deputado federal pelo DEM).

Segundo a reportagem, a presidente Dilma Rousseff promete entrar na campanha de Pelegrino, enquanto o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), avisou a Geddel Vieira Lima que ele perde o cargo na Caixa Econômica Federal, caso opte por apoiar ACM Neto.

Mais do que perder o cargo, o que Temer sinaliza é a possibilidade de afastar os irmãos Vieira do comando do partido na Bahia. Lúcio Vieira Lima é o atual presidente da legenda, mas segue orientações do irmão, Geddel. Com o comando da dupla, o PMDB se afastou do PT baiano e buscou pavimentar um caminho alternativo de poder. Mas, ao que tudo indica, ‘existe uma pedra no meio do caminho’.

Confira a matéria, com o título ‘Pelegrino quer Dilma na pressão por PMDB’

Os irmãos Geddel Vieira Lima, vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal (CEF), e Lúcio Vieira Lima, presidente do PMDB da Bahia, anunciam até quarta-feira a posição que o partido vai tomar no segundo turno da disputa pela Prefeitura de Salvador, entre o candidato do PT, Nelson Pelegrino, e o do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto. A campanha de Pelegrino espera que, se necessário, a presidente Dilma Rousseff entre nas negociações para tentar convencer os pemedebistas a ficarem com o PT.

Dilma telefonou para Pelegrino na noite de domingo, após a confirmação da realização do segundo turno, e prometeu participar da campanha. Ainda não há data marcada, mas a presidente vai a Salvador participar de evento de campanha de Pelegrino. O empenho da presidente se justifica pelo fato de o embate ser com um dos maiores adversários do governo petista.

O PMDB, partido do vice-presidente da República, Michel Temer, é oposição ao governador Jaques Wagner (PT) na Bahia, embora seja aliado do PT no plano nacional, integrando a base de sustentação de Dilma. As conversas começaram ontem. Pelegrino conversou por telefone com o deputado Lúcio Vieira Lima e com o ex-prefeito Mário Kertész, que disputou o primeiro turno e ficou em terceiro lugar.

Geddel Vieira Lima alimenta a expectativa de disputar uma eleição majoritária em 2014 (governador, vice ou senador) e, segundo aliados de Pelegrino, ele não teria espaço na chapa governista. Já com ACM Neto, poderia ter.
Geddel Vieira Lima alimenta a expectativa de disputar uma eleição majoritária em 2014 (governador, vice ou senador) e, segundo aliados de Pelegrino, ele não teria espaço na chapa governista. Já com ACM Neto, poderia ter.

No primeiro turno, ACM Neto ficou com 40,17% dos votos (518.976) e Pelegrino, com 39,73% (513.350). Pelegrino manifesta confiança de que terá o apoio do PMDB e dos candidatos de outros partidos da base de Dilma que ficaram de fora do segundo turno. Kértesz, que já foi prefeito de Salvador duas vezes e estava afastado da política há 18 anos, ficou com 9,43% dos votos. Durante a campanha, o candidato do PMDB atacou muito ACM Neto, criando a expectativa de que o PMDB poderia se dividir: ele ficaria com o PT e o partido, comandado pelos irmãos Vieira Lima, com Neto. Mas os três já anunciaram que a decisão será tomada em conjunto. Geddel manifestou não ter qualquer dificuldade em apoiar o candidato do DEM, embora fosse adversário do avô, o senador Antonio Carlos Magalhães, morto em 2007. O ex-deputado alimenta a expectativa de disputar uma eleição majoritária em 2014 (governador, vice ou senador) e, segundo aliados de Pelegrino, ele não teria espaço na chapa governista. Já com ACM Neto, poderia ter.

No entanto, Geddel está fazendo consulta a deputados estaduais e federais, antes de ele e o irmão anunciarem sua posição. Ele nega que tenha recebido recado da presidente de que seria demitido do cargo na CEF caso decidisse apoiar Neto. Mas avisa: “Acho a pressão da política legítima, mas procuro sempre a independência e pago o preço que tenho que pagar por ela”.

ACM Neto também já procurou o PMDB e conversou com Geddel. Segundo ele, o partido é prioridade. Ele lembrou das afinidades entre DEM e PMDB, que fazem oposição na Bahia e estão aliados em vários municípios do interior. Neto se apresenta como o candidato da “mudança e da transformação” de Salvador, hoje uma cidade em crise – segundo pesquisas, o prefeito João Henrique (PP) tem uma rejeição de cerca de 70%. O demista reúne partidos que fazem oposição a Wagner, inclusive o PSDB, que era adversário do chamado carlismo.

A rejeição de Neto, segundo as pesquisas no primeiro turno, é de 36%, maior que a de Pelegrino (30%). A vantagem, para o candidato do DEM, é que nesse segundo turno os dois terão tempos de propaganda de rádio e televisão iguais. Na primeira etapa, o petista tinha três vezes mais.

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Sobre Carlos Augusto 9605 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).