Médicos suspendem atendimento a planos de saúde por até 15 dias

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá Miranda, fala sobre o protesto nacional contra os planos de saúde e a lista de operadoras atingidas em cada estado.
O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá Miranda, fala sobre o protesto nacional contra os planos de saúde e a lista de operadoras atingidas em cada estado.
O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá Miranda, fala sobre o protesto nacional contra os planos de saúde e a lista de operadoras atingidas em cada estado.
O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Aloísio Tibiriçá Miranda, fala sobre o protesto nacional contra os planos de saúde e a lista de operadoras atingidas em cada estado.

Médicos em todo o país vão suspender o atendimento a pacientes de planos de saúde por um período de até 15 dias. O protesto, na maioria dos estados, está previsto para começar na próxima quarta-feira (10/12/2012).

Esta é a quarta paralisação anunciada pela categoria em dois anos. De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), serão suspensas apenas consultas e cirurgias eletivas – serviços de urgência e emergência não serão afetados.

Sete unidades federativas anunciaram a suspensão do atendimento a todas as empresas de saúde suplementar do país. Em oito estados, o protesto vai atingir apenas operadoras de planos locais. Há ainda sete estados que irão realizar assembleias para definir os planos a serem atingidos.

Além do reajuste de honorários de consultas e outros procedimentos, a pauta de reivindicações inclui a inserção, em contrato, dos critérios de reajuste, com índices definidos e periodicidade e o fim da intervenção dos planos na relação médico-paciente.

De acordo com o vice-presidente do órgão, Aloísio Tibiriçá, as receitas dos planos de saúde no Brasil crescem, em média, 14% ao ano, mas o reajuste não é passado aos médicos. Segundo ele, o valor pago por consulta realizada já chegou a representar 40% dos gastos pelas operadoras, mas atualmente fica entre 14% e 18%.

“Defasou muito e está bem aquém da própria necessidade de sobrevivência do médico no consultório”, disse. “Vivemos um conflito permanente com os planos de saúde. Os quase 50 milhões de usuários estão em um gargalo de atendimento médico. Os planos não credenciam mais serviços ou mais médicos por contenção de custos”, completou.

Aloísio Tibiriçá Miranda: “Defasou muito e está bem aquém da própria necessidade de sobrevivência do médico no consultório”.
Aloísio Tibiriçá Miranda: “Defasou muito e está bem aquém da própria necessidade de sobrevivência do médico no consultório”.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que, entre 2003 e 2011, a receita das operadoras cresceu 192%, enquanto o valor médio pago por consulta aumentou 65%. Cálculos da própria categoria, entretanto, indicam que o reajuste foi 50%.

“A ANS suspendeu mais alguns planos por conta do tempo de espera. As emergências estão superlotadas, praticamente igual ao Sistema Único de Saúde (SUS). O mercado de saúde suplementar não atrai mais o médico, eles estão saindo. A situação vai piorar”, ressaltou Tibiriçá.

Para o vice-presidente da Associação Médica Brasileira (AMB),  Lairson Vilar, as operadoras têm “boicotado” tratamentos de alto custo, reduzindo períodos de internação e dificultando exames mais caros. Segundo ele, estudo feito em São Paulo indica que dois em cada dez usuários de planos de saúde têm procurado o serviço público no lugar das clínicas credenciadas. “É impossível oferecer um serviço de qualidade face a um desequilíbrio tão grande”, destacou.

Estados Planos alvos Período de suspensão de atendimento
Acre Todas as operadoras 10 a 17 de outubro
Alagoas Assembleia prevista para 08/10  
Amapá Não haverá suspensão de atendimento  
Amazonas Todas as operadoras 15 de outubro
Bahia Hapvida, Amil/Medial, SulAmérica, Cassi, Petrobras, Geap, e Golden Cross 10 a 19 de outubro
Ceará Não haverá suspensão de atendimento  
Distrito Federal Não haverá suspensão de atendimento  
Espírito Santo Assembleia prevista para 08/10  
Goiás Amil, Cassi, Capesep, Fassincra, Geap, Imas e Promed 17 a 19 de outubro
Maranhão Unimed, Unihosp, Hapvida, Conmed, Saúde Bradesco, Multiclinica e Geap 10 a 24 de outubro
Mato Grosso Grupo Unidas 11 de outubro
Mato Grosso do Sul Todas as operadoras 10 a 17 de outubro
Minas Gerais Todas as operadoras 10 a 18 de outubro
Pará Não haverá suspensão de atendimento  
Paraíba Assembleia prevista para 10/10  
Paraná Assembleia prevista para 08/10  
Pernambuco Saúde Bradesco, SulAmérica, Itaú Unibanco, Allianz, AGF, AIG e Hapvida 16 a 19 de outubro
Piauí Todas as operadoras 10 a 14 de outubro
Rio de Janeiro Assembleia prevista para 10/10  
Rio Grande do Norte Todas as operadoras 10 de outubro
Rio Grande do Sul Cabergs, Saúde Caixa, Geap, Centro Clínico Gaúcho, DoctorClin e SulAmérica 15 a 17 de outubro
Rondônia Todas as operadoras 15 a 17 de outubro
Roraima Não haverá suspensão de atendimento  
Santa Catarina Agemed, planos de saúde regionais e todos os planos do grupo Unidas 15 a 19 de outubro
São Paulo Golden Cross, Green Line, Intermédica, Itálica, Metrópole, Prevent Sênior, Santa Amália, São Cristovão, Seisa, Tempo Assist (Gama Saúde e Unibanco), Trasmontano e Universal 10 a 18 de outubro
Sergipe Assembleia prevista para 08/10  
Tocantins Assembleia prevista para 08/10  

 

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Sobre Carlos Augusto 9756 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).