Jornais brasileiros afirmam que seu boicote tornou Google News “deficiente” e reiteram cobrança por conteúdo

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A Associação Nacional de Jornais (ANJ) anunciou que a decisão de seus associados de abandonar massivamente o “Google News” tornou este serviço “bastante deficiente” por não contar mais “com os conteúdos de maior qualidade e credibilidade no país”. Mas reiterou que está disposta a negociar com o Google uma compensação financeira pelo uso do conteúdo dos jornais.

Diante da repercussão mundial da notícia publicada na semana passada pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas sobre a decisão dos jornais brasileiros de abandonar o agregador de notícias da Google, a ANJ divulgou uma “nota de esclarecimento” nesta segunda-feira, 22 de outubro de 2012, detalhando as tentativas de chegar a um acordo com o gigante de buscas. A ANJ insiste que seu objetivo é valorizar os conteúdos de qualidade produzidos pelos jornais.

A ANJ ressaltou que, antes de incentivar seus associados a deixarem o serviço, “buscou a interlocução com diversas empresas globais de internet, com o intuito de discutir soluções de parceria que possibilitassem a rentabilização do uso dos conteúdos pelas vias digitais”.

A decisão que resultou no boicote dos jornais brasileiros ao Google foi precedida por iniciativas que tentaram minimizar o impacto (negativo, segundo a ANJ) do agregador nos acessos diretos aos conteúdos dos sites dos jornais, como o “Projeto 1 linha”, que reduziu a apresentação das notícias no Google News para 1 linha, ao invés das 4 ou 5 normalmente exibidas.

“O projeto não foi avante em decorrência de um problema técnico: ao contrário do que havia garantido o Google, a redução no número de linhas exibidas afetou radicalmente o ranqueamento dos resultados exibidos nas buscas”, explicou a ANJ.

Embora medir forças com o gigante da internet possa parecer um equívoco, a estratégia da ANJ é clara: reduzir o valor dos serviços do Google, ao negar-lhe em massa acesso ao conteúdo dos principais jornais brasileiros – mais de 150 jornais associados à ANJ que respondem por mais de 90% da circulação de diários no Brasil.

“Sem contar com os conteúdos de maior qualidade e credibilidade no país, os resultados de buscas no Google News são hoje bastante deficientes”, afirmou a associação de jornais.

Disputa repercute em todo o mundo

O ineditismo da medida tomada pelos maiores jornais brasileiros repercutiu em diversos meios de comunicação pelo mundo, como o Guardian, a BBC News e a CNN México. O site Ars Technica observou que o Brasil não é o primeiro país a exigir pagamento do Google para reproduzir manchetes da imprensa, embora seja o primeiro no qual veículos se organizaram para confrontar a empresa. “A França está atualmente em desacordo com o Google sobre o mesmo assunto”.

O Mashable destacou que a notícia da ação da ANJ se dá em meio a investimentos de empresas de mídia, tais como as editoras do New York Times e do Financial Times, no mercado brasileiro.

O artigo de Mike Masnick no site TechDirt, está sob a manchete: Jornais brasileiros aparentemente não querem os tráfego; eles abandonaram o Google News. O autor diz que os grandes jornais parecem assumir que sem o Google News, as pessoas vão direto para os seus sites, e que quem busca notícias no agregador não clica nos artigos. “Ambas parecem ser hipóteses muito grandes e provavelmente estão totalmente incorretas”, afirmou Masnick, acrescentando que “se eu fosse um dos jornais entre os 10% inteligentes o suficiente para não deixar o agregador, eu estaria fazendo de tudo para tentar roubar o tráfego dos grandes jornais”.

Já o estrategista digital Robert Andrews agregou, em artigo publicado no Paid Content, que o Brasil tem uma classe média cada vez mais digital e abastada e tem deixado de ser um mercado emergente para ser um mercado real. Nesse contexto, “se o Google não consegue ter editores a bordo, pode perder uma grande oportunidade na América Latina”.

*Com informações do Centro Knight | Por Natalia Mazotte.

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