Deputado Targino Machado critica presidente da ALBA e pede que Marcelo Nilo se retrate

Targino Machado: Peço ao deputado Marcelo Nilo que se retrate, porque só um homem de pouca fé, como ele, pode atacar de forma tão vil as igrejas. Roubo é roubo, dízimo é dízimo. Dízimo nunca foi roubo.
Targino Machado: Peço ao deputado Marcelo Nilo que se retrate, porque só um homem de pouca fé, como ele, pode atacar de forma tão vil as igrejas. Roubo é roubo, dízimo é dízimo. Dízimo nunca foi roubo.

O deputado estadual Targino Machado criticou duramente Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, em nota oficial emitida no dia 27 de setembro de 2012.

Confira o teor da nota

Fiquei decepcionado com a declaração do deputado estadual Marcelo Nilo, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, que disse, em entrevista ao Jornal A Tarde, que o deputado Zé Neto poderia estar cobrando dízimo, como fazem os partidos políticos, em uma gravação exposta por mim na Casa na tarde da última quarta-feira. Peço ao deputado Marcelo Nilo que se retrate, porque só um homem de pouca fé, como ele, pode atacar de forma tão vil as igrejas. Roubo é roubo, dízimo é dízimo. Dízimo nunca foi roubo.

As contribuições de deputados aos partidos são legais e estão contidas nos estatutos partidários. Dízimo é a décima parte, e o que cobra Zé Neto dos funcionários é a maior parte, não a décima. Mas a minha maior indignação é com a afirmação do Líder do Governo de que tem deputados que levam malinhas de dinheiro para casa. Mala de dinheiro, dinheiro na bolsa, na cueca ou na meia, faz-nos lembrar o “Mensalão”, que o PT negou veementemente e que hoje o Brasil assiste o seu julgamento na Suprema Corte.

A grande contribuição do PT ao país foi banalizar a corrupção. Hoje as pessoas já não se espantam com essa prática, de tão comum que se tornou na era pós-PT. Ao invés de querer desqualificar quem lhe acusa, Zé Neto, deixe de ser cara de pau, porque a voz é sua. Venha a público se explicar sobre essa história de cinco mil é meu, dois é seu, em uma reunião com os funcionários na Assembleia, lotados em seu gabinete e na Liderança da Maioria. Torço para que o Líder do Governo consiga fazer isso, pois esse episódio lança lama sobre todo o Parlamento baiano.

Se você, Zé Neto, não tiver estatura pessoal para vir a público assumir ou se defender, por favor, lhe encareço, nomine os deputados que levam dinheiro na mala, porque toda imputação genérica é infame. Me exclua disso. Creio também que outros tantos deputados deverão lhe pedir explicações. Não acredito que haja maioria de corruptos na Assembleia. A minha convicção é de que nesta Casa estão lotados uma maioria de deputados do bem. Agora, não posso deixar de dizer que o perigo que reside na corrupção perpetrada pelo Líder é se espraiar por todos os seus liderados. Escola é escola.

A recém-criada Comissão de Ética da Assembleia será testada nas próximas semanas, porque esse episódio terá, inevitavelmente, que cair no colo dos deputados que fazem parte do citado Conselho de Ética, vez que, encaminharemos representação à Mesa Diretora da Casa, buscando apuração desses fatos, na esperança de que o presidente Marcelo Nilo cumpra o seu dever constitucional e regimental, mande apurar, abra uma Comissão Processante, e se tudo caminhar com isenção e tranquilidade, submeter o pedido de cassação do mandato do deputado Zé Neto ao Plenário da Assembleia. Se não der andamento a representação contra o Líder do Governo, ficará claro que a Comissão não é de ética, mas de pequena ética, etiqueta.

Deus salve o Brasil, pois, se dependermos desses políticos, a miséria, a fome, as drogas, a falta de saúde pública eficaz, a falta de educação pública de qualidade, a mortalidade Materno-Infantil, a prostituição infantil, a gravidez na adolescência, a insegurança pública e a falta de perspectiva e esperança, hão de continuar.

Resta-nos a esperança de nos próximos dias o povo manifestar sua indignação e começar a mudar esse estado de coisas através do exercício democrático do voto.

Deputado estadual Targino Machado

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9377 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).