Palestrante afirma que sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana estão esquecidos em Feira de Santana

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Crianças negras. Estética de beleza busca ascensão na sociedade. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Crianças negras. Estética de beleza busca ascensão na sociedade. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Crianças negras. Estética de beleza busca ascensão na sociedade. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Crianças negras. Estética de beleza busca ascensão na sociedade. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)

Religiões de matriz africana estão esquecidos em Feira

Os sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana, em Feira de Santana, estão esquecidos, afirma Aristides Lopes Maltez Júnior.

Ele foi um dos palestrantes da sessão solene realizada pela Câmara de Feira de Santana, na última quinta-feira (20/09/2012), em homenagem ao Dia Municipal da Beleza Negra e do Sacerdote e Sacerdotisa das Religiões de Matrizes Africanas.

No entendimento de Aristides, sacerdotes e sacerdotisas locais precisam ser “honrados e homenageados”. “Se desaparecerem, diz ele: “de onde virá o Axé, a nossa força? Se não tem o velho para ensinar o novo, nada prospera”.

Ele se mostrou feliz com a homenagem proporcionada pela Câmara e com o público presente na solenidade.

Para Aristides, sacerdócio não é para todos. “É para os escolhidos. Nós não escolhemos o orixá, ele que nos escolhem. É muito fácil dizer que é pai de santo, mas é muito difícil ser sacerdote, porque requer uma grande responsabilidade que nem sempre chega a alcance de todos”.

Para o palestrante, existe uma grande diferença entre sacerdote e pai de santo. Segundo ele, no passado, o termo pai de santo era atribuído às pessoas que não tinham a capacidade e o direito de adorar seus santos africanos.

“Pai de Santo era aquele que se prendia ao cristianismo; que não tinha coragem de assumir que era do candomblé; que não assumia, por exemplo, que cultuava um Exú dentro da sua casa”, afirmou.

Sabedoria, capacitação e conhecimento são requisitos fundamentais, nos dias de hoje, para o exercício do sacerdotismo nas religiões de matrizes africanas, analisa.

“A palavra sacerdote é muito forte, porque o sacerdote requer certa liderança; está propício a ocupar forças de uma comunidade, bem como a lidar com todo o tipo de gente e personalidade”.

Informou que sacerdócio não é exclusividade do candomblé. Conforme ele, existe sacerdote nas igrejas Católica e Evangélica, budismo, entre outros. Aristides declarou que o sacerdote tem por obrigação cuidar, zelar e orientar os seus filhos e os seus descentes.

Beleza Negra: permanece na sociedade “busca incessante” pela estética branca, diz professora

O destaque dado ao corpo humano nas últimas décadas, principalmente no universo da moda e da publicidade, é objeto de constante reflexão e de pesquisas. A constatação é da professora doutora Marluce de Lima Macêdo.
Ela foi palestrante, durante sessão solene da Câmara em homenagem ao Dia Municipal da Beleza Negra e do Sacerdote e Sacerdotisa das Religiões de Matrizes Africanas, realizada na última quinta-feira (20).

“Os padrões de beleza vão além da vestimenta, interferindo na construção e transformação do corpo”, disse a doutora Marluce.

A palestrante declarou que, no Brasil, o corpo, sobretudo da mulher, é como um veículo fundamental de ascensão social e, também um importante capital no trabalho, no casamento e no mercado sexual.

Acrescentou que na contemporaneidade há uma imposição e valorização de um modelo branco estético, ideal de beleza pautado na predominância de imagens de pessoas de pele branca, seja nos livros didáticos, nas revistas ou, principalmente, na televisão.

“Assim, o modelo branco é a projeção de uma estética perfeita, por estar associado a uma cor padrão da economia de mercado”, observa.

Ressaltou que, embora alguns programas de TV e revistas procurem retratar um número maior de modelos negros, “permanece a incessante busca pela estética branca”.

Em sua opinião, a violência racial apresenta a sua face física e outra simbólica. “A estética se mostra como uma espécie de violência simbólica, que produz uma crise esquizofrênica em mentes negras, que busca anular qualquer resquício de auto-imagem positiva que nelas possam haver”.

Ela destacou a contribuição do Movimento Black Power, que surgiu nos anos 60, nos Estados Unidos, como uma forma de renascimento cultural da comunidade negra. “O negro é lindo! Esta era uma das premissas desse movimento”, assinalou.
A palestrante informou que o Black Power estimulou a criação de instituições culturais e educacionais independentes para a comunidade negra.

“Adornos multicoloridos tranças, dreads e blacks dão um toque bonito em qualquer visual. Mas, vão muito além da procura pela beleza. Assumir o gosto pela beleza e o respeito pelas diferentes formas de estéticas negra sinaliza um pertencimento e um orgulho dessa herança, disse.

Marluce afirmou que, como educadora, ela ensina as crianças negras a não aceitarem o racismo e as crianças brancas a não serem racistas.

Religiões afro brasileiras continuam sofrendo forte preconceito, afirma doutora

A religião de matriz africana no Brasil sofre preconceito, principalmente porque é uma religião ligada à população negra, constata a doutora Marluce de Lima Macedo.

Ela foi palestrante da sessão solene em homenagem ao Dia Municipal da Beleza Negra e do Sacerdote e Sacerdotisa das Religiões de Matrizes Africanas, realizada na quinta-feira (20) pela Câmara de Feira de Santana.

Marluce informou que os negros que recriaram no Brasil as religiões africanas dos orixás, voduns e inquices. Segundo ela, até recentemente estas religiões eram proibidas e, por isso, duramente perseguidas por órgãos oficiais.

“Elas continuam a sofrer agressões e seguem sob forte preconceito, o mesmo preconceito que se volta contra os negros, independente de religião”, alertou.
A palestrante lembrou que, segundo a Constituição do Brasil, é inviolável a liberdade de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantido, na forma de lei, a proteção aos locais de cultos e as suas liturgias.

Destacou também que o poder público deve adotar as medidas necessárias para o combate à intolerância com as religiões de matrizes africanas e à discriminação de seus seguidores.

Personalidades prestigiaram sessão solene do Dia Municipal da Beleza Negra e do Sacerdote e Sacerdotisa das Religiões de Matrizes Africanas

A Câmara Municipal de Feira de Santana comemorou em sessão solene, na noite de quinta-feira (20/09/2012), o Dia Municipal da Beleza Negra e do Sacerdote e Sacerdotisa das Religiões de Matrizes Africanas.

Os trabalhos foram conduzidos pelo vice-presidente da Câmara, vereador Ewerton Carneiro – Tom, que compôs a mesa ao lado de Lourdes Santana, presidente do Conselho Municipal da Igualdade Racial e Indígena, além dos palestrantes da sessão: Aristides Lopes Maltez Júnior, Iná Maria Santos de Jesus e Marluce de Lima Macêdo.

O vereador Marialvo Barreto, após saudar os presentes, salientou que a Casa da Cidadania, através de leis, sessões solenes e especiais, tem exercido um papel importante em prol da igualdade racial, da manutenção da cultura afro-brasileira e da melhoria da qualidade de vida da população afrodescendente.

A sessão solene contou com a presença de Marko Aurélio Santos e Silva, 1º secretário do Conselho Municipal para o Desenvolvimento das Comunidades Negras e Indígenas; Cacilda da Silva, presidente do Conselho Municipal do Idoso; Mariluzi Ferreira Bezerra, educadora Social do Creas do bairro Lagoa Grande; Geisa Sena de França, assistente social do Conselho da Igualdade Social.

Também compareçam ao evento os sacerdotes Wellington da Silva, Atílio Pinto, Antônio dos Santos, além de adeptos, adeptas e simpatizantes das religiões afro brasileiras, membros da imprensa e de diversos segmentos da comunidade feirense.

Sobre Carlos Augusto 9611 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).