O mercado político-eleitoral e a ameaça à democracia

"Vote em mim"
"Vote em mim"

Em época eleitoral, partidos e candidatos saem à caça de um bem precioso: o voto do eleitor. E fazem de tudo para conquistá-lo. O capital almejado é ganhar eleições e conquistar o poder político. E por falar em capital… me parece apropriado traçar um quadro comparativo entre essas duas categorias sociais: o líder político na concepção weberiana, aquele que tem a política como vocação; e o empresário capitalista na concepção schumpeteriana: o empresário empreendedor.

Considero apropriado desenvolver um painel comparativo porque encontramos muitas semelhanças de estratégias e objetivos entre os agentes do mercado político e da economia de mercado, que faz com que, após análise, cheguemos a algumas conclusões.

Podemos caracterizar uma democracia representativa como um mercado político, isto é, o local onde os agentes sociais (candidatos) se apresentam oferecendo os seus serviços (promessas de campanha) em troca do voto do eleitor. Daí a semelhança com o mercado econômico, onde produtores econômicos (empresários) se apresentam oferecendo o seu produto em troca de dinheiro.

A renda que o líder político almeja é alcançar o poder na sua coletividade; já o empresário capitalista aspira acumular capital, ganhar dinheiro; a maneira de aferir a renda conquistada, no caso do líder político, é através do voto, enquanto o empresário capitalista coteja o lucro.

O instrumento para que um e outro atinjam a sua meta é: no caso do líder político, buscar satisfazer os interesses dos eleitores; o empresário capitalista buscará satisfazer os interesses dos consumidores.

O método para satisfazer os interesses tanto dos eleitores quanto dos consumidores é parecido: no primeiro caso, cabe ao líder político entender as demandas dos eleitores e orientá-las; no segundo caso, compete ao empresário capitalista compreender os gostos do consumidor e orientá-los para a sua satisfação.

A fonte de financiamento para execução de tal estratégia, no caso do líder político, são os recursos públicos; já o empresário capitalista utiliza os recursos privados — contanto que ele não tome de assalto à viúva (digo, o cofre do Governo).

A atividade político-eleitoral é regulada pelas regras democráticas de realização da vontade da maioria; a regulamentação da atividade econômica é regulamentada por um rol de leis, destacando-se os direitos dos consumidores.

O objetivo do líder político é ganhar as eleições e conquistar o poder; o empresário capitalista ambiciona lucro para reinvestimento.

Como estamos falando de mercado competitivo, essas atividades envolvem riscos. O risco do líder político é de perder as eleições; a ameaça ao empresário capitalista é dele quebrar, abrir falência.

Após esse breve comparativo, reafirmamos as semelhanças de estratégias e finalidades desses dois agentes sociais — o líder político e o empresário capitalista. Portanto, os méritos e deméritos, limites e possibilidades, ameaças e oportunidades que são encontrados na atividade de economia de mercado concorrencial, são também observados no processo de competição político-eleitoral.

Compreendendo a ação humana de tal maneira, torna-se possível observar o fenômeno eleitoral com relativa objetividade e isenção, o que é tarefa da Política desde Maquiavel.

E por falar em ameaças, as maiores vítimas são o eleitor (cidadão) e a democracia, quando a propaganda política adquire semelhança com a publicidade empresarial: a coisificação da política.

Quando o processo eleitoral se coisifica para vender um produto — o líder político — com as mesmas técnicas que se utilizam para vender sabonete ou outra mercadoria qualquer da economia capitalista, existe a forte ameaça de nos rendermos a propaganda enganosa e falsas expectativas, através de um ente poderoso que é a publicidade televisiva.

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Sobre Juarez Duarte Bomfim 742 Artigos
Baiano de Salvador, Juarez Duarte Bomfim é sociólogo e mestre em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutor em Geografia Humana pela Universidade de Salamanca, Espanha; e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tem trabalhos publicados no campo da Sociologia, Ciência Política, Teoria das Organizações e Geografia Humana. Diversas outras publicações também sobre religiosidade e espiritualidade. Suas aventuras poético-literárias são divulgadas no Blog abrigado no Jornal Grande Bahia. E-mail para contato: [email protected]