Governo diz ser “inaceitável” crítica dos Estados Unidos sobre protecionismo e sinaliza que vai recorrer à OMC

Antonio Patriota disse ser “injustificável e inaceitável” a crítica norte-americana.
Antonio Patriota disse ser “injustificável e inaceitável” a crítica norte-americana.
Antonio Patriota disse ser “injustificável e inaceitável” a crítica norte-americana.
Antonio Patriota disse ser “injustificável e inaceitável” a crítica norte-americana.

O governo do Brasil reagiu às críticas dos Estados Unidos que condenaram o que julgam ser o protecionismo brasileiro.O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse ser “injustificável e inaceitável” a crítica norte-americana. Em protesto à afirmação, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, enviou ontem (20) carta ao embaixador Ron Kirk, representante para o Comércio dos Estados Unidos.

“Nós consideramos injustificável e inaceitável, tanto no conteúdo como na forma, essa manifestação do responsável pelo comércio internacional norte-americano, Ron Kirk”, disse Patriota, depois de uma reunião sobre questões climáticas, no Palácio Itamaraty.

O ministro ressaltou ainda que a crítica do governo norte-americano é considerada inadequada pelas autoridades brasileiras. “A resposta [carta enviada] que foi transmitida ontem mesmo mostra como é descabida e incongruente a carta [encaminhada pelos Estados Unidos]”, destacou ele.

Para Patriota, os Estados Unidos são os principais beneficiados pela ampliação do mercado brasileiro. “Se há um país que tem se beneficiado da ampliação do mercado brasileiro tem sido os Estados Unidos nos últimos anos”, disse ele.

O ministro destacou que as medidas adotadas pelo Brasil são reconhecidas pelos próprios norte-americanos e estão “dentro da legalidade” da Organização Mundial do Comércio (OMC). “Nós consideramos que é preciso procurar outras maneiras de se desenolver uma relação comercial equilibrada e mutuamente benéfica. Esse tipo de manifestação não é construtiva na nossa opinião”, ressaltou.

Na carta encaminhada a Kirk, o chanceler diz que os norte-americanos são os principais responsáveis pelas barreiras impostas, por exemplo, aos produtos agrícolas brasileiros. “O Brasil tem sido obrigado a enfrentar a valorização artificial de sua moeda e uma enxurrada de mercadorias importadas a preços baixos. Os Estados Unidos têm sido um dos principais beneficiários desta situação”, reagiu, mais cedo, o chanceler. “Preocupa-nos a perspectiva de continuação de subsídios ilegais concedidos à produção agrícola pelos Estados Unidos.”

O ministro destacou que esses benefícios concedidos à produção agrícola pelos Estados Unidos causam impactos negativos nas economias dos países em desenvolvimento. “[Eles] impactam o Brasil e outros países em desenvolvimento, inclusive alguns dos mais pobres da África”, diz o texto.

Patriota diz ainda, na carta, que todos os mecanismos adotados pelo Brasil têm o respaldo da OMC e que o governo não abrirá mão dos instrumentos que julga legítimos. “O governo brasileiro não abdicará de seu direito de fazer uso de todos os instrumentos legítimos permitidos pela OMC”, informa o texto.

Em relação a eventuais efeitos negativos nas negociações na chamada Rodada Doha, como insinuaram as autoridades norte-americanas, Patriota negou impactos. “Discordo totalmente de Vossa Excelência quanto aos efeitos que as medidas adotadas pelo Brasil poderiam ter sobre o resultado da Rodada Doha”, disse.

O ministro negou que a presidenta Dilma Rousseff, que estará nos Estados Unidos na próxima semana, irá reunir-se com o presidente norte-americano, Barack Obama. Segundo ele, não há encontro bilateral “previsto”.

De 2007 a 2011, a venda de produtos norte-americanos para o Brasil dobrou, segundo dados oficiais. Em quatro anos, as exportações dos Estados Unidos para o mercado brasileiro saltaram de US$ 18,7 bilhões para US$ 34 bilhões. O Brasil passou de 16º para 8º maior mercado de produtos norte-americanos.

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Sobre Carlos Augusto 9752 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).