Brasil perde apenas para Estados Unidos em usuários de cocaína e crack

Em 2011, foram levantados 2,8 milhões de consumidores no Brasil, contra 4,1 milhões registrados nos EUA.
Em 2011, foram levantados 2,8 milhões de consumidores no Brasil, contra 4,1 milhões registrados nos EUA.
Em 2011, foram levantados 2,8 milhões de consumidores no Brasil, contra 4,1 milhões registrados nos EUA.
Em 2011, foram levantados 2,8 milhões de consumidores no Brasil, contra 4,1 milhões registrados nos EUA.

O Brasil perdeu apenas para os Estados Unidos em número de usuários de cocaína em pó e crack no ano de 2011. Foram 2,8 milhões de consumidores no país, contra 4,1 milhões registrados pelo primeiro colocado, segundo a pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgada hoje (05/09/2012), na capital paulista.

Quando as duas drogas são consideradas isoladamente, de acordo com a pesquisa, o Brasil é o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína. Os resultados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) foram publicados na página do Inpad na internet.

Segundo o médico Ronaldo Laranjeira, organizador do estudo, enquanto os países desenvolvidos diminuem o consumo da droga, os emergentes como o Brasil estão na contramão, elevando o número de usuários. “Isso mostra que temos uma rede de tráfico no Brasil inteiro que sustenta quase 3 milhões de usuários de cocaína e crack”, disse.

No ano passado, o consumo da cocaína intranasal (cheirada) foi mais elevado que a pulmonar (crack e oxi), com 2,3 milhões de usuários adultos e 226 mil adolescentes. Na forma de crack e oxi, o número de usuários foi de 1 milhão de adultos e 18 mil adolescentes. De acordo com o levantamento, 17% do total de usuários consumiram os dois tipos de droga.

Apesar de o número dos usuários de crack ser inferior ao da cocaína intranasal, esse é o público que mais preocupa o médico. “É a população que tradicionalmente tem uma mortalidade maior. Com certeza, 1 milhão de usuários de crack é muito mais preocupante que [cerca de] 2 milhões de usuários de cocaína”, disse Laranjeira.

De acordo com o estudo, 27% dos usuários dos dois tipos de cocaína – em pó, de uso nasal, e em pedra, fumada – consumiram a droga todos os dias ou ao menos duas vezes por semana, no ano passado. Quase metade (48%) foi identificada como dependente químico, mas apenas 30% deles disseram ter a intenção de interromper o uso.

Outro ponto preocupante abordado pelo relatório foi a idade de iniciação. Os usuários que experimentaram cocaína antes dos 18 anos de idade são quase metade (45%). Além da iniciação precoce, o acesso à droga também é facilitado, pois 78% deles consideraram fácil encontrar o produto.

A busca pelo tratamento entre os usuários de cocaína e crack, além disso, mostrou-se baixo, menos de 10%.“O acesso é muito difícil no Brasil e a qualidade do tratamento é muito precária. Então, é isso que a gente tem que mudar, nós temos que criar um sistema que realmente funcione”, disse Laranjeira.

Segundo o estudo, quase metade dos usuários de crack e cocaína está concentrada no Sudeste (46%). Para Laranjeira, isso comprova que relacionar uso dessas drogas com a pobreza é ingenuidade. “A droga segue o dinheiro”, disse o médico.

Para Laranjeira, o alto índice de usuários do Nordeste (25%) mostra que a melhora das condições sociais da região tenha trazido como consequência o aumento do consumo de cocaína e crack. “Os países onde mais se consume droga são os que têm mais dinheiro. Não é à toa que os Estados Unidos são o primeiro mercado”, completou.

Com informações da Agência Brasil

Redação do Jornal Grande Bahia
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