Empreendedores ampliam faturamento após formalização. Estudo do SEBRAE mostra que registro como Empreendedor Individual (EI) tem impacto positivo nos investimentos

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A saída da informalidade gera impactos positivos no desempenho dos negócios conduzidos pelos Empreendedores Individuais. É o que aponta um estudo divulgado pelo Sebrae, em São Paulo. O levantamento revela que 55% dos empreendedores que já tinham um negócio antes da formalização declararam ter tido aumento no faturamento da empresa após o registro.

“O registro como Empreendedor Individual permite trazer esses brasileiros para a economia formal, confere cidadania empresarial e impulsiona os negócios”, avaliou o presidente do Sebrae, Luiz Barretto.

Na Bahia, até 1º de agosto de 2012, mais de 198 mil Empreendedores Individuais foram formalizados. A pesquisa ouviu 418 Empreendedores na Bahia de um universo de 159.277, registrados em fevereiro de 2012.

A pesquisa mostrou que os investimentos na empresa também foram maiores para 54% dos entrevistados que afirmaram já possuir um negócio informal, e 52% passaram a ter maior controle financeiro, o que representa melhoria de gestão.

É o caso do Empreendedor Individual de Santo Antônio de Jesus, Francisco Pereira. “Depois da formalização melhoramos 100%, pois agora podemos emitir notas, viajar e vender para outras localidades com segurança. Saímos do anonimato e estamos gerando muito mais negócio”, comemora Francisco, que fabrica móveis.

Segundo o estudo do Sebrae, 26% dos empreendedores que saíram da informalidade ampliaram as vendas para outras empresas. Porém, apenas 5% passaram a vender mais para governos.

A analista da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae, Dora Parente, explica que vender para o governo é uma ótima oportunidade para os Empreendedores Individuais, mas para isso eles podem procurar o Sebrae e se prepararem, conhecendo a legislação, que garante tratamento diferenciado para as micro e pequenas empresas nas compras governamentais.

De acordo com a Secretaria de Administração da Bahia em 2012, cerca de R$ 500 milhões em compras públicas do Governo do Estado podem ser disputados pelas micro e pequenas empresas baianas (MPE), incluindo aí os Empreendedores Individuais. Desde a implementação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, a Bahia registrou um crescimento na participação do segmento MPE nas compras públicas. Em 2011, foram mais de R$ 200 milhões.

Mais benefícios

A formalização também permite negociar preços melhores com fornecedores, uma vez que as compras feitas por pessoas jurídicas normalmente são facilitadas. No entanto, o estudo revela que os Empreendedores Individuais ainda não aproveitam essas vantagens: somente 3% reduziram os valores de compras de insumos para seus empreendimentos.

O empreendedor Individual pode buscar orientação nos Pontos de Atendimento do Sebrae na Bahia de como deve fazer para negociar com os fornecedores, participando das oficinas SEI (Sebrae Empreendedor Individual). Para saber onde fica o Sebrae mais perto basta ligar no 0800 570 0800 ou acessar o site do Sebrae Bahia.

Controle financeiro

A pesquisa mostrou também que ao serem questionados se a formalização havia modificado o controle financeiro de seu negócio, 52% afirmaram que houve um aumento após a formalização, 44% disseram não ter havido mudanças. Os números mostram que a formalização teve impacto positivo na gestão financeira em mais da metade dos Empreendedores Individuais que saíram da informalidade.

É o caso de Luis Diego Lima Diniz, que comercializa acessórios, bijuteria e confecção no mercado central da cidade de Irecê, há 490 km de Salvador. No início, Luis Diego tinha apenas um box na parte externa do mercadão. Hoje, ele triplicou a quantidade de boxes.

Antes, Diego trabalhava na informalidade, e, por isso, não conseguia empréstimo no banco, nem conhecia profundamente o seu negócio. Há três anos, ele se tornou Empreendedor Individual e, com isso, conseguiu triplicar o faturamento. Aumentou as vendas em quase 60%.

Os cursos e oficinas oferecidos pelo Sebrae também foram importantes no crescimento do jovem empresário. Diego aprendeu a controlar o estoque e a planejar as compras. Dessa forma, conseguiu organizar p negócio através de ações simples. “Hoje, eu tenho um livro caixa e sei quanto eu obtenho de lucro por mês, coisa que antes eu não sabia. Tenho segurança para investir na loja e meu objetivo aumentar ainda mais o meu faturamento e migrar para a condição de microempresa”, enfatiza Diego.

Acesso a crédito

Questionados sobre o acesso ao crédito, a maioria dos Empreendedores Individuais afirmou na pesquisa não ter buscado por empréstimos como pessoa jurídica após a sua formalização. O percentual dos que fizeram essa afirmação aumentou ligeiramente em relação à pesquisa anterior, passando de 88% para 90%. Outros 10% afirmaram ter buscado por empréstimo, sendo que desses, 52% afirmaram ter conseguido e 48% afirmaram não ter conseguido empréstimo.

A analista do Sebrae Bahia, Dora Parente, alerta que para ter acesso ao crédito e usar de forma consciente os recursos, o Empreendedor Individual precisa fazer um planejamento e participar de capacitações. “O Sebrae tem uma Oficina de Crédito voltada para o Empreendedor Individual, onde ele aprende quando tomar o recursos, onde e a melhor forma de usar o dinheiro para garantir o desenvolvimento da empresa”, destaca Dora.

Grau de satisfação

A pesquisa também investigou o grau de satisfação do Empreendedor individual com a sua formalização. Para isso, foi perguntado se empreendedor recomendaria a formalização para um empreendedor informal. A quase totalidade dos entrevistados, 94%, afirma que recomendaria. Apenas 6% não recomendariam.

Um dos principais pontos que podem ser feitos a partir dos resultados da pesquisa é o de que o Empreendedor Individual é e se vê, de fato, como um empresário, com gana de crescer. Para além da formalização daqueles empreendedores que estavam à margem, o Empreendedor Individual serve como porta de entrada para o empreendedorismo, tanto daqueles que iniciam seus negócios por opção, quanto para aqueles que o fazem por necessidade.

Como se legalizar

Pode se registrar como Empreendedor Individual o trabalhador por conta própria que tenha faturamento máximo de R$ 60 mil por ano e se dedica a atividades como cabeleireiro, costureiro, artesão, ambulante, vendedor de roupas, pedreiro, encanador e eletricista, entre outras. Atualmente, mais de 400 atividades podem ser enquadradas dentro do registro de Empreendedor Individual. O registro do EI é gratuito e pode ser feito no Portal do Empreendedor.

Para se manter na categoria, os formalizados pagam uma taxa fixa mensal de 5% sobre o salário mínimo para a Previdência Social, que atualmente corresponde a R$ 31,10, mais R$ 1 de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), se atuar na indústria ou comércio, ou R$ 5 de Imposto sobre Circulação de Serviços de Qualquer Natureza (ISS), se for da área de serviços.

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