Em sessão solene, Jorge Amado é homenageado no Congresso Nacional

Diversos eventos marcam Centenário do escritor baiano Jorge Amado.
Diversos eventos marcam Centenário do escritor baiano Jorge Amado.
Diversos eventos marcam Centenário do escritor baiano Jorge Amado.
Diversos eventos marcam Centenário do escritor baiano Jorge Amado.

Faltando poucos dias para completar 100 anos, Jorge Amado – com sua história, vida e obra -, ganhou destaque em sessão solene realizada pelo Congresso Nacional. Homenageado por parlamentares, autoridades, parentes e amigos, o escritor foi lembrado pelo deputado federal Emiliano José como “um espanto permanente, um assombro constante, uma metamorfose ambulante, uma tempestade de vida a cada um dos mais de cinco mil personagens que povoaram sua existência e suas dezenas de livros”.

Nascido em Itabuna, no dia 10 de agosto de 1912, Jorge Amado escreveu inúmeros romances que retrataram a sociedade baiana. Entre os seus temas estão a injustiça social, as crenças, a política e o folclore. “Ao fincar sua literatura na Bahia, singrar mares; viver com pescadores; ser ogã de Mãe Senhora, discípulo de Mãe Menininha; correr campos; colher cacau; sentir o agreste; caminhar por terras do sem fim; conhecer coronéis e pistoleiros; brincar com os capitães da areia; dançar com Gabriela; sentir o suor dos estivadores; conhecer o trabalho dos operários, ao mergulhar na vida do povo baiano, Jorge Amado tornou-se um romancista universal, o mais traduzido autor brasileiro no exterior”, afirmou Emiliano. Com obras traduzidas em mais de 55 países, livros como Capitães da Areia, Gabriela Cravo e Canela, Tieta do Agreste e Dona Flor e seus dois Maridos foram adaptados e tornaram-se filmes, novelas e peças de teatro.

Emiliano José falou também sobre a importância que teve Jorge Amado durante os anos da ditadura militar. “Fomos tragados pela noite do terror ditatorial em 1964 e levados a nos fortalecer com sua literatura militante, em outro tempo, diverso do dele, e parecido com o dele. A ditadura nos revisitava, e Jorge Amado nos acompanhava com sua palavra alentadora, intérprete de um Brasil que ainda não amadurecera para a democracia. Jorge Amado, a seu modo, com sua literatura, formou politicamente muitos de nós”. O deputado lembrou que Jorge Amado tornou-se um romancista de caráter universal, sendo o autor brasileiro mais traduzido no exterior. “Ao traduzir sua aldeia, ao revelar a alma de sua terra, conseguiu tocar a alma do mundo. Jorge Amado foi eleito deputado federal em 1945 pelo Partido Comunista e durante o seu mandato foi autor da lei que instituiu a liberdade de culto religioso.

Durante a sessão, que contou com a presença de deputados, senadores, secretários, autoridades, parentes e amigos do escritor, também esteve presente o governador Jaques Wagner, que ressaltou a importância de Jorge Amado para a Bahia. Segundo o governador, as obras do escritor transcendem o tempo e permanecem atuais pelo fato de denunciarem o sofrimento de um povo. Para Wagner, o baiano Amado estabeleceu um paralelo entre os sonhos de uma sociedade mais justa, que foi a principal bandeira do romancista, com os objetivos perseguidos pelo atual governo da Bahia: redução das desigualdades sociais e resgate da cidadania.

Sobre Carlos Augusto 9512 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).