Cultivo de peras, maçãs e caquis são testadas no vale do São Francisco

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Cultivo de peras, maçãs e caquis são testadas no vale do São Francisco. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Cultivo de peras, maçãs e caquis são testadas no vale do São Francisco. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Cultivo de peras, maçãs e caquis são testadas no vale do São Francisco. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Cultivo de peras, maçãs e caquis são testadas no vale do São Francisco. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)

A busca por novas opções de cultivo para o vale do São Francisco motivou o desenvolvimento do projeto “Introdução e Avaliação de Cultivos Alternativos para as Áreas Irrigadas do Semiárido Brasileiro”, uma parceria da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e outras instituições – e os resultados já são promissores: as pesquisas apontam que essas frutas, típicas de climas frios, que o Brasil importa em larga escala, têm potencial para alcançar excelente produtividade no vale do São Francisco.

Desde 2005, vêm sendo implantados e mantidos experimentos com pereira, macieira, caquizeiro, cacaueiro e outras culturas típicas de clima temperado nos perímetros irrigados Senador Nilo Coelho e Bebedouro, em Petrolina (PE). Até o final deste ano, a previsão de investimentos no projeto é de R$ 400 mil.  “As culturas escolhidas para os experimentos foram aquelas cultivadas sob irrigação que poderiam ter um retorno econômico”, explica Paulo Roberto Lopes, pesquisador da Embrapa responsável pelos estudos com novas culturas na região.

Segundo ele, os plantios são feitos nas estações experimentais da Embrapa e em áreas de produtores nos perímetros que manifestam interesse em participar da pesquisa. “O acompanhamento das atividades é feito semanalmente. Visito as áreas experimentais e faço as recomendações técnicas necessárias para promover a produção de frutas nas condições climáticas do vale”, detalha.

O engenheiro agrônomo da Codevasf em Pernambuco, Osnan Ferreira, que é fiscal desse projeto na Companhia, explica que atualmente há 15 produtores nos perímetros de irrigação envolvidos nos experimentos com novas culturas. “As pesquisas ainda estão passando por um processo de validação por parte da Embrapa. Após essa fase, serão repassadas as informações para os demais produtores interessados no plantio em escala comercial”, afirma.

Para viabilizar as ações de pesquisa foi elaborado um projeto de pesquisa pela Embrapa Semiárido, que deve contar com o apoio financeiro do Ministério da Integração Nacional por meio programa “Mais Irrigação”, ainda a ser lançado. De acordo com Paulo Roberto Lopes, foi elaborado um plano de trabalho em que são relacionadas todas as atividades de pesquisa e desenvolvimento, bem como as novas ações para os próximos cinco anos.

Osnan Ferreira ressalta a importância dessas pesquisas. “O vale do São Francisco necessita de mais opções de plantio, uma vez que as atuais culturas já estão com uma área bastante expressiva. As novas culturas também visam ao plantio para as novas áreas que a Codevasf está implantando no vale. A empresa transformou a região e hoje busca a continuidade do seu crescimento”, diz.

Também apoiam o projeto de diversificação de culturas a Valexport, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), Instituto Agronômico de Campinas (IAC), UNESP/Jaboticabal e Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR).

Culturas promissoras

Os resultados com o plantio de novas culturas no vale do São Francisco obtidos até então têm se mostrado surpreendentes. “Para se ter uma ideia, as variedades de pereira e macieiras que estamos pesquisando necessitam de, no mínimo, 400 horas de frio, com temperatura inferior a 7,2ºC. Aqui no vale do São Francisco não temos nem um minuto sequer com essa temperatura e, no entanto, estamos produzindo maçãs, peras, caquis e outras frutas”, comemora o pesquisador da Embrapa, Paulo Roberto Lopes.

A pereira é um exemplo de cultura com grande potencial econômico para a região, tendo em vista seu forte apelo comercial. O consumo atual da fruta no Brasil é da ordem de 180 mil toneladas por ano, sendo a maioria – de 90 a 95% do total – importada da Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Chile e países da Europa. De acordo com os resultados preliminares, a produção da pera no vale pode chegar a cerca de 60 toneladas por hectare, no quarto ano de cultivo, com possibilidade de duas safras por ano. Esse volume é superior à média alcançada na região Sul do país.

A macieira é outra cultura de clima temperado que vem sendo testada no vale do São Francisco. A produção nacional de maçã é de cerca de 1,2 milhões de toneladas por ano, quantidade ainda insuficiente para abastecer o mercado interno, tanto que ainda são importadas mais de 50 mil toneladas. O consumo na região Nordeste tem aumentado nos últimos anos. Um exemplo desse crescimento é o que acontece no Mercado Produtor de Juazeiro (BA), onde são comercializadas em torno de 200 toneladas de maçã por semana. “Com a cultura da macieira estamos conseguindo produções de 20 toneladas por hectare, no terceiro ano de cultivo”, afirma Paulo Roberto.

O caqui, produzido tradicionalmente nas regiões Sudeste e Sul, nos meses de fevereiro a julho, é mais uma opção que tem se revelado promissora nos experimentos com novas culturas. A partir do mês de outubro, a fruta é importada da Espanha e de Israel, custando até seis vezes mais caro para o consumidor. Como alternativa para essa demanda, o projeto está desenvolvendo um sistema de manejo nos caquizeiros com o objetivo de produzir a fruta no período da entressafra e, assim, conseguir preços mais acessíveis. Segundo as pesquisas feitas, a produção de caqui no vale pode alcançar 15 toneladas por hectare no quarto ano de cultivo, ao passo que nas regiões Sul e Sudeste esse volume só é obtido do sexto ao oitavo ano.

O proprietário da Fazenda Campodoro no perímetro Senador Nilo Coelho, Milton Bin, é um dos produtores que participam dos testes com novas culturas. Numa área de 1,5 hectares, ele planta maçã, pera e caqui. Além disso, em sua propriedade, também há cultivos orgânicos de Aloe vera (babosa) e cenoura baby. “Temos buscando variedades diferentes, mas vamos ter que fazer mais testes até chegar na muda ideal para aquela cultura. É possível produzir? Sim. Mas vamos levar mais tempo para atestar a viabilidade econômica naqueles modelos em que foram feitos os testes”, explica.

Sobre Carlos Augusto 9665 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).