EBDA apresenta projeto dos Quintais Agroflorestais, objetivando convivência com o semiárido da Bahia

Objetivando convivência com o semiárido, EBDA apresenta projeto dos Quintais Agroflorestais.
Objetivando convivência com o semiárido, EBDA apresenta projeto dos Quintais Agroflorestais.

Diversos programas e projetos são desenvolvidos pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, para o desenvolvimento da agricultura familiar na Bahia. Para enfrentar o longo período de estiagem e consolidar políticas públicas estruturantes de convivência com o semiárido serão implantados quintais agroflorestais, com base agroecológica, em propriedades de agricultores. A prestação de serviços de assistência técnica e de educação continuada para os camponeses também é uma das metas a serem atingidas.

A ideia é transformar áreas de 1,6 mil metros quadrados, dentro das propriedades, em agroflorestas, com a plantação de pés de frutas resistentes ao clima do semiárido como o umbuzeiro, o cajueiro e o abacaxi. Além de introduzir plantas nativas no local, a exemplo da palma, e lavouras anuais como feijão, milho e macaxeira. “Não é algo novo,  é uma ciência também vinculada à tradição da agricultura realizada pelos camponeses ao longo dos séculos”, disse o diretor de Agricultura da EBDA, João Bosco.

Para cada quintal, também será disponibilizada duas caixas de meliponia para criação de abelhas nativas e reservatórios para a produção de biofertilizantes – um preparado composto por esterco fresco, pó de rocha e micro-organismos. Outra ação é a prestação de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) nas propriedades, por meio do acompanhamento semanal de funcionários da EBDA, e o incentivo para a criação de galinhas caipiras e outros animais de pequeno porte.

Na primeira etapa, ocorrerão capacitações de técnicos e agricultores, a partir de julho. Além da aquisição de insumos e equipamentos para iniciar os primeiros trabalhos de manejo do solo e plantio de mudas nos quintais das propriedades de agricultores inseridos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) e beneficiários do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF B) – que possuem renda bruta de até R$ 3 mil por ano.

O projeto tem duração de três anos e é financiado pelo Fundo Estadual de Combate e Erradicação à Pobreza (FUNCEP). “Portanto, o público a ser atendido é composto por agricultores que estão em situação de maior fragilidade socioeconômica, para proporcionar também segurança alimentar na região do semiárido”, justificou Bosco. Serão priorizados assentados de reforma agrária, quilombolas, indígenas, extrativistas, agricultores familiares, com atenção especial para jovens e mulheres.

No primeiro ano, serão implantados 1,5 mil quintais agroflorestais; no ano seguinte, 2 mil, e, no último ano de vigência, 1,5 mil – totalizando 5 mil. Além de capacitações para que produtores rurais tornem-se aptos a conduzir os quintais produtivos, com práticas agroecológicas em suas propriedades.

Quintais

Os Quintais Agroflorestais são áreas destinadas ao plantio de um conjunto de espécies de plantas, cultivos alimentares e criação de animais domésticos, geralmente, localizadas dentro da propriedade rural. Entre os resultados da implantação e manutenção de quintais estão a recuperação, conservação e aumento da fertilidade do solo e uma fonte alternativa de renda para o agricultor. “É um sistema de produção diversificado, que evita a monocultura e favorece o aumento da biodiversidade; proporciona a recuperação e a retenção de água nos solos”, explicou o diretor de Agricultura da EBDA.

Um melhor aproveitamento da água, como a reutilização da quantidade que é usada para lavar pratos e roupas, por exemplo, na irrigação de salvação de mudas, também faz parte dos direcionamentos da proposta da agroecologia, na qual os quintais produtivos estão inseridos. “A empresa tem a diretriz, desde o início da minha gestão, em priorizar a capacitação de técnicos e agricultores a partir da perspectiva agroecológica, como alternativa para a agricultura familiar, por ser uma ciência socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável”, afirmou o presidente da EBDA, Elionaldo de Faro Teles.

Desafios para a implantação do sistema

Um dos desafios para implantar os sistemas é despertar o interesse em agricultores e técnicos, além de desmistificar alguns preconceitos, a exemplo de que é impossível inseri-los em locais com escassez de água. “É possível desenvolver quintais agroflorestais em regiões semiáridas, por meio do manejo da vegetação existente, com a realização de podas e utilização das folhagens para cobrir o solo, assim evita-se a evaporação e o assoreamento do terreno”, afirmou o engenheiro agrônomo, Daniel Dourado.

O agrônomo ainda cita os trabalhos realizados pela ONG Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá, no sertão de Pernambuco, como um exemplo consolidado da viabilidade dos sistemas agroecológicos para o desenvolvimento da agricultura familiar sustentável. “Um dos eixos estratégicos de atuação da organização é o fortalecimento dos processos de produção da agricultura familiar para a transição agroecológica, com resultados significativos”, disse.

Do ponto de vista ético, os quintais também causam o mínimo de impacto para o meio ambiente. Sob a ótica social, promovem a segurança alimentar das famílias. Portanto, introduzir estes conceitos no dia a dia de 100 técnicos extensionistas, que serão capacitados por meio do projeto, é outra meta. A intenção também é proporcionar a troca de saberes, populares e científicos, durante a introdução de técnicas de transição e sistemas agroflorestais, e assim validar metodologias participativas.

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