Entrevista: Deputado federal Luiz Alberto fala sobre investimentos no Polo Naval, corrupção no Congresso e eleições em Salvador e Feira de Santana

Luiz Alberto – Eu acho que a CPMI do Cachoeira, a quadrilha que ele comanda, demonstrou que tem tentáculos no Estado, ele consegui captar agentes públicos tanto da polícia federal, do Ministério Público é o caso do próprio senador Demóstenes Torres, parlamentares tanto no Senado, quanto na Câmara.
Luiz Alberto – Eu acho que a CPMI do Cachoeira, a quadrilha que ele comanda, demonstrou que tem tentáculos no Estado, ele consegui captar agentes públicos tanto da polícia federal, do Ministério Público é o caso do próprio senador Demóstenes Torres, parlamentares tanto no Senado, quanto na Câmara.
Luiz Alberto – Eu acho que a CPMI do Cachoeira, a quadrilha que ele comanda, demonstrou que tem tentáculos no Estado, ele consegui captar agentes públicos tanto da polícia federal, do Ministério Público é o caso do próprio senador Demóstenes Torres, parlamentares tanto no Senado, quanto na Câmara.
Luiz Alberto – Eu acho que a CPMI do Cachoeira, a quadrilha que ele comanda, demonstrou que tem tentáculos no Estado, ele consegui captar agentes públicos tanto da polícia federal, do Ministério Público é o caso do próprio senador Demóstenes Torres, parlamentares tanto no Senado, quanto na Câmara.

Durante a inauguração do Estaleiro Enseada do Paraguaçu, localizado no distro de São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, na última sexta-feira (13/07/2012), o deputado federal Luiz Alberto Silva dos Santos (Luiz Alberto, PT-BA), concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia. Durante a entrevista, o deputado discorre sobre os impactos do investimento na comunidade, do acesso dos negros a cargos de comando no estaleiro. Também fala sobre a CPMI do Carlos Cachoeira, sobre a corrupção no Congresso Nacional e a necessidade de uma reforma política, além das eleições municipais em Salvador e Feira de Santana.

Jornal Grande Bahia – Gostaria de falar sobre essa relação entre a comunidade de São Roque do Paraguaçu e do Estaleiro Enseada do Paraguaçu. O investimento foi um volume significativo de capital, mas passando pela comunidade São Roque do Paraguaçu parece que pouca coisa mudou.

Luiz Alberto- Na verdade mudou muita coisa. É que não mudou ainda aquilo que a população precisa, acho que a vinda, agora consolidada do Estaleiro Ensedada do Paraguaçu, já tinhamos um Estaleiro que é da PETROBRAS, que foi cedido para um consórcio utilizar. Agora com a construção do novo Estaleiro, eu acredito que o poder público terá um olhar mais apurado sobre as necessidades do distrito. Até porque esse distrito de São Roque do Paraguaçu vem paulatinamente crescendo muito em termo de população residente, e precisa de muita infraestrutura, pavimentação, saneamento, saúde, a questão da segurança pública.

Na medida em que se aumenta a quantidade de pessoas que vem trabalhar aqui, e uma parte dessas pessoas vão residir aqui, nós precisamos construir instrumento de infraestruturas que atendam a essa necessidade. Acho que o município de Maragogipe, o prefeito tem tido uma preocupação muito grande em relação a isso, eu inclusive apresentei emendas que foram construídas aqui no distrito, que foi nos setores de calçamento, e na área de saneamento.

Nós estamos preocupados com isso, já conversamos com o governador a necessidade de aumentar o efetivo policial, de garantir outras infraestruturas, a melhoria das rodovias que chegam até aqui, tanto essas que saem da BA 001 até aqui, quanto da BA 420, que sai de Maragogipe até São Roque, portanto nós estamos construindo esse ambiente.

O município formalizou convênio com a PETROBRAS, a Universidade Católica do Rio de Janeiro e a Universidade Federal da Bahia, com objetivo de desenvolver um estudo para concluir um planejamento urbano que identifique as necessidades imediatas do ponto de vista de infraestrutura. Além disso, estabelecer um zoneamento neste distrito em particular, onde tem que ter residência, indústria, comércio para garantir que a população tenha uma qualidade de vida de acordo com os investimentos que nós vamos ter aqui, tem que ter essa contrapartida e nós estamos atentos a isso.

JGB – Depois que o senado expulsou o ex-senador Demostenes Torres envolvido no caso Cachoeira, as denuncias chegam agora a membros da Câmara Federal. Como o senhor avalia esse caso?

Luiz Alberto – Eu acho que a CPMI do Cachoeira, a quadrilha que ele comanda, demonstrou que tem tentáculos no Estado, ele consegui captar agentes públicos tanto da polícia federal, do Ministério Público é o caso do próprio senador Demóstenes Torres, parlamentares tanto no Senado, quanto na Câmara.

Eu acho que essa CPMI vai ter como conclusão a necessidade urgente de se fazer uma reforma política, porque grande parte dos escândalos que nós estamos vendo no Brasil tem relação com a questão do financiamento privado de campanhas eleitorais, superfaturamento de obra é desvio de recurso.

Eu acho que a cassação do ex-senador Demóstenes Torres é uma vitória da sociedade, até porque se não tivesse os canais de acesso a informação, a transparência do legislativo hoje, do próprio executivo e do judiciário, dificilmente o Demóstenes Torres seria cassado.

Quero lembrar que os dois únicos senadores que foram cassados tem pouco tempo, um foi em 2000, o senador Estevão em Brasília, e agora o Demóstenes. É uma vitória da sociedade. Ru acho que a CPI vai chegar a essa conclusão fundamental que é discutir a reforma política nesse país.

JGB – O caso do ex-senador Demóstenes Torres foi rápido. Mas tem outro caso que o do deputado federal João Bacelar, que parece andar bem lentamente.

Luiz Alberto – Com relação a João Bacelar, a Comissão de Ética recebeu duas provocações: uma em relação ao próprio Bacelar e a outra em relação ao deputado Marcos Medrado, com referências as denúncias que saíram nos jornais. Tem também a questão de três parlamentares também foram denunciados na Comissão de Ética em relação ao caso Cachoeira.

Eu acho que todas essas denúncias que são apuradas tem que alertar isso, ou fazemos reformas políticas ou esses escândalos vão continuar, não há ai um processo lento na Câmara, o contrário, ele tem um ritual até rápido.

Em minha opinião [o processo legislativo] ele é célere, tem todo o procedimento que tem que ser concluído, até porque se você chegar no final, propor a cassação de um parlamentar, ele é cassado e de repente o rito é contestado no Supremo Tribunal Federal, você anula todo procedimento. Então tem que ter muito cuidado na investigação, no direito de defesa dos parlamentares e o julgamento da Comissão de Ética tanto do Senado quanto da Câmara não tem haver necessariamente com um delito criminoso que é estabelecido na legislação criminal, tem haver com quebra de decoro parlamentar. Uma atitude que um parlamentar toma, como mentir, que praticou um determinado ato e isso foi comprovado que ele mentiu, isso é motivo para cassação, então não tem haver necessariamente com um crime específico, tem haver com o comportamento do parlamentar no exercício do seu mandato.

JGB – Com relação às eleições municipais, como o senhor avalia o Partido dos Trabalhadores nas eleições municipais de 2012 na Bahia?

Luiz Alberto – Eu acho que nós estamos em uma expectativa muito positiva, o PT estabeleceu como meta eleger uma centena de prefeitos e prefeitas, estabelecemos 30 grandes colégios eleitorais como prioridade e eu acho que no que pese a conjuntura um pouco turbulenta no nosso Estado e a nível nacional junto como Estado da Bahia nós teremos grandes expectativas de eleição em grandes colégios eleitorais. Por exemplo, Belo Horizonte que tínhamos uma parceria, uma aliança a um tempo com o PSDB lá por incapacidade de se chegar a um acordo, o PT apresenta uma candidatura que já está tecnicamente empatada com o prefeito atual. Portanto eu acho que o PT tem grande expectativa, a participação da presidenta Dilma e do presidente Lula nesses colégios eleitorais que são estratégicos para o projeto político próprio, eu acho que isso nos dá uma grande possibilidade de ter um resultado muito positivo.

JGB – Embora não sejam redutos eleitorais do deputado Feira de Santana e Salvador, como o senhor avalia?

Luiz Alberto – Feira de Santana eu acho que não vai ser fácil a disputa, as pesquisas demonstram que o candidato do DEM, José Ronaldo, lidera as pesquisas de forma acentuada, então vai ser uma disputa muito difícil. Salvador, em minha opinião, nós vamos para o segundo turno, ai é discutir quem vai pro segundo turno com o PT. A candidatura de Nelson Pellegrino se consolidou, eu acho que com a vice da vereadora Nivea Santana criou uma expectativa grande, principalmente nos setores populares que sempre desejou ter em Salvador uma candidatura negra que representasse aquele coletivo de população extremamente numeroso, e há fenômeno em Salvador interessante, a maioria das candidaturas competitivas tem vices de pessoas negras que saíram ou não da luta social. E duas candidaturas negras, do PSOL e do PRB. Agora é discutir o seguinte, quem vai pro segundo com Nelson, se é Antônio Carlos Magalhães Neto ou Mário Kertész, imagino que seja Antônio Carlos Magalhães Neto até pela tradição de polarização em Salvador de candidaturas no campo popular e no campo mais conservador representado por um legado de Antônio Carlos Magalhães.

JGB – Para finalizar a nossa entrevista, o senhor fala sobre negros e nós estamos no Recôncavo da Bahia onde tem uma população negra expressiva e que tem uma significância histórica para o Brasil relevante. Então eu lhe pergunto: O senhor enquanto negro sente que a raça negra está devidamente contemplada por esse empreendimento que é o Estaleiro enseada do Paraguaçu ou os negros continuam ocupando cargos de maior força e menos intelecto?

Luiz Alberto – Não está contemplada. eu acho que muita coisa precisa ser feita, tenho discutido exatamente isso, tanto no plano do governo federal, quanto no plano do governo do estado, que o empreendimento é aqui no Estado da Bahia, discutindo também com os municípios que a necessidade de implementar uma política de inclusão, que leve em consideração a  questão de raça e gênero aqui nesse empreendimento. É fato que aqui vai gerar muito emprego, vai dinamizar a economia, gerar renda, mas s e a gente não tomar medidas concretas que permitam a inclusão desse setor que historicamente esteve fora da vida social e econômica no nosso país, eles continuarão fora.

Eu tenho discutido muito nesse programa chamado PROMINP, da necessidade de estabelecer critérios que facilitem o acesso de jovens negros na formação e na capacitação dessa mão de obra para que eles possam ter acesso aqui a esse emprego. Eu queria salientar que tem um dado importante aqui no Recôncavo, a Universidade Federal do Recôncavo é a única universidade no Brasil onde mais de 80% dos seus estudantes se alto declaram negros, é a única universidade que poderia ser chamada de universidade negra no nosso país, as outras em média 5%, mesmo com a política de cotas que foi implementada recentemente.

Eu acho que o Recôncavo tem essa característica e nós precisamos compreender a necessidade, garantir a identidade do Recôncavo, dessa população negra imensa, que ela faça parte desse empreendimento, essa é uma discursão que eu tenho pautado sempre, tanto com o consórcio que vai operar aqui o Estaleiro, no governo do Estado da Bahia que é um parceiro nesse processo e o governo federal. Eu acho que nós não estamos contemplados ainda mas poderemos avançar bastante nesse aspecto.

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