Coletivo Atores à Deriva do RN chega a Feira de Santana após ganhar prêmio nacional

Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.
Antônio Alberto de Oliveira Peixoto.

Coletivo Atores à Deriva ganha prêmio da FUNARTE, para fazer circulação por 8 cidades de 4 estados.

Após passar por Alagoas, Paraíba e Sergipe, o Coletivo Atores à Deriva de Natal/RN, chega a Feira de Santana para duas apresentações

de seu espetáculo infatojuvenil Fluvio e o Mar no Teatro Margarida Ribeiro, nos dias 31 de julho e 01 agosto às 15 horas, e ministrar uma oficina na cidade.

No ano em que completa 5 anos de existência, o grupo, comemora uma importante conquista: o prêmio Myriam Muniz do Teatro Nacional. Mérito de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, o Prêmio concedido pela FUNARTE/MINC proporcionará ao coletivo apresentar seu repertório nos quatro estados.

“Com esse prêmio levaremos nossas peças à capitais e cidades do interior de 4 estados do Nordeste que ainda não apresentamos, além de seguir nosso processo de formação colaborativa”, disse Doc Câmara, presidente do coletivo.

A circulação intitulada “À Deriva pelo Nordeste – Compartilhando Saberes Coletivos” tem como objetivo, além de mostrar parte do repertório do coletivo, realizar trocas estéticas e políticas com outros grupos do Nordeste.

“O nome à deriva nos é muito caro porque significa entre outras coisas ‘Desvio na rota, por efeito do vento ou de uma corrente’. Acho que esse desvio de nossas rotas certas em outros trabalhos foi o que nos juntou e hoje sabemos que também traduz nossa vida nômade de buscar trabalho em outras terras porque Natal ainda não é um porto seguro para os artistas”, disse Henrique Fontes, ator, dramaturgo e diretor do coletivo.

Este fazer artístico à deriva, e com pouco financiamento para suas montagens (foram 4 montagens em 4 anos, todas sem incentivo fiscal ou grandes patrocínios), gerou um saber do coletivo que agora está sendo sistematizado para compartilhamento com os grupos por onde o coletivo passar.

Dentro do percurso, o Coletivo estabelecerá encontros com A Outra companhia de Teatro, de Salvador; com o Coletivo Alfenin, de João Pessoa; A Cia do Chapéu de Maceió e a Casa Rua da Cultura de Aracajú. Estes encontros serão mediados pelo Coletivo Atores à Deriva e visarão a troca de conhecimentos acerca dos modos de convívio, formas de captação de recursos e sistemáticas de criação, tendo a localização geográfica como diretriz do diálogo.

“Uma das metas do “À deriva pelo NE” é criar laços com grupos que tenham o mesmo perfil que o nosso para que possamos manter contato e trocar práticas teatrais,” disse Paulo Lima, ator do coletivo.

Na etapa de Feira de Santana, o Coletivo apresentará o espetáculo “Flúvio e o Mar”, e ministra a oficina “Compartilhando saberes de Coletivo”.

“A oficina de iniciação parte da intenção de criar um espaço para a exploração de idéias, onde os participantes são estimulados a vivenciar a prática teatral de forma autêntica.” Disse Bruno Coringa, ator e ministrante da oficina.

As peças que circularão são “A Mar Aberto”, apresentada em Salvador, e “Flúvio e o Mar” (veja sinopse abaixo). Confira o calendário do projeto na Bahia:

BAHIA

SALVADOR:

2 apresentações de A Mar Aberto nos dias 21 e 22/07 – 20h30. Local: Teatro Vila Velha.

Oficina “O Ator dramaturgo”: 27 e 28/07 das 14h às 18h.

Seminário “Compartilhando Saberes Coletivos”: 27/07 às 18h30 no Teatro Vila Velha

FEIRA DE SANTANA:

2 apresentações de Flúvio e o Mar nos dias 31/07 e 01/08 – 15h.

Oficina “Teatro para Iniciantes”: dias 30 e 31/07 e 01/08 das 08h às 12h.

Sinopse das Peças:

FLÚVIO e o MAR

Espetáculo infatojuvenil Fluvio e o Mar

A peça conta a história de Flúvio, um menino de nome aquático e coração de pássaro que mora na pequena cidade de Elmo das Pedras e que um dia decide partir em busca do mar. No caminho desta aventura, Flúvio encontra alguns personagens pitorescos: o Poeta, uma figura sábia e esquisita com um corpo só e duas cabeças; Maravilhoso, um jovem inteligente e muito ligado à sua terra e também as últimas tendências da moda; João Insatisfação, um jovem que tem uma verdadeira obsessão por comprar, mas que não conhece a própria mãe.

Essas figuras singulares passam no caminho de Flúvio com uma mensagem: Para realizar um desejo é importante saber escolher bem. Finalmente, após uma tempestade, Flúvio encontra o mar e percebe que o seu desejo está cheio de lixo, fruto de escolhas mal feitas por pessoas do mundo todo. Flúvio se decepciona por ver que o mar dos seus sonhos não está mais do mesmo jeito.

E agora? O que Flúvio irá escolher? Será que este é um destino sem volta?

A Peça “Flúvio e o Mar” nasceu de um encontro de desejos dentro do Coletivo Atores à Deriva. Alguns desejavam montar uma peça para o público infanto-juvenil, que em Natal tem acesso a poucas opções de qualidade, outros queriam continuar a pesquisa sobre o mar e seus ensinamentos, ou ainda dar continuidade à pesquisa musical integrada à cena, facilitada nesse processo pelo músico Luiz Gadelha.

Diante desses desejos, duas notícias impactantes mobilizaram o coletivo: o fato de que há ilhas de lixo se formando em todos os oceanos, algumas delas já maiores que alguns países e o grande derramamento de petróleo noticiado amplamente pela mídia internacional. O mar, nossa principal inspiração, está ameaçado.

Falar de Mar, para o coletivo, é contar histórias cheias de metáforas. O mar  possibilita várias leituras, desde visões bem alegres e convidativas àquelas mais melancólicas e sombrias. Desta vez, o mar nos traz uma reflexão sobre as nossas escolhas e o que estamos fazendo com tanto lixo que produzimos. Parece ser um tema pontual e com um destino panfletário, mas a nossa aposta é despertar idéias e sentimentos no público infanto-juvenil que, devido a um contato cada vez mais midiatizado com o mundo, pode estar ficando mais apático e alheio aos valores da convivência, liberdade e responsabilidade com o bem comum.

Ficha técnica:

Texto e Direção: Henrique Fontes

Elenco: Bruno Coringa, João Victor Miranda, Doc Câmara e Paulo Lima

Músico: Wesly Dantas

Trilha original composta para a peça: Luiz Gadelha e o coletivo

Figurino e cenário: Kátia Dantas e o coletivo

Iluminação: Henrique Fontes

A MAR ABERTO

A peça conta a história do pescador José Hermílio, que em mais um dia de pescaria se vê surpreendido por um desejo inesperado. Ele acredita que o demônio usa de artimanhas para despertar nele o desejo pelo sobrinho de Rita, Júlio de Joana. O jovem, que aos 19 anos abandonou a faculdade de medicina para ser pescador, aparece para o capitão como “a maldade vestida de amor”. O dia dessa primeira pescaria de Júlio e da luta contra o desejo caracterizam o conflito central dessa história.

A dramaturgia original teve como inspiração “Grande Sertão: Veredas”, obra de João Guimarães Rosa que fala de, entre outras coisas, do desejo de um jagunço por outro recém chegado ao bando.

“Assim como José Hermílio, em “A Mar Aberto”, em “Grande Sertão: Veredas”, o protagonista, Teobaldo, se vê apaixonado por outro homem – “Diadorim”. Até o final Teobaldo acredita que Diadorim é homem e se culpa por desejá-lo.” Disse Henrique.

Mar Aberto

Em 2008, ano que estreou, “A Mar Aberto” foi selecionada para Importantes festivais do Nordeste como o de Garanhuns em Pernambuco e do Cariri no Ceará. No segundo ano foi ainda mais longe, participou do Festival de Guaramiranga – CE; Porto Alegre em Cena e Caxias em Cena – RS e encerrou o ano de 2009 no Festival do Teatro Nacional de Recife – PE e ganhou o prêmio BNB Cultural para circular pelo interior do RN em 2010. Em 2011 foi selecionado pelo FENTEPP de Presidente Prudente em São Paulo e pelo Festival do Teatro Nacional em Itajaí em Santa Catarina.

“A receptividade do nosso trabalho tem sido muito boa. As pessoas comentam de como um tema delicado como este do desejo, pode ser visto de forma mais abrangente, sem preconceitos ou visões moralistas,” disse Doc Câmara, que na peça faz o Capitão José Hermílio.

Ficha Técnica:

Direção e Dramaturgia: Henrique Fontes

Atores: Alex Cordeiro, Paulo Lima, Bruno Coringa, Doc Câmara e João Victor Miranda.

Direção musical: Danúbio Gomes

Desenho de luz: Daniel Rocha

Cenário e Figurino: Thiago Vieira

Contatos imprensa/ produção:

Produtor Local: Anderson Dantas: 71 9214-0466

Coletivo Atores à Deriva: Henrique Fontes: 84 8823-6083 e 84 9917-4879(TIM) / Doc Câmara: 84 8825-2044 / Alex Cordeiro

Fonte:

Anderson Danttas

71 9214 0466

A Outra Companhia de Teatro

Teatro Vila Velha – (71) 3083-4617

[email protected]

Alberto Peixoto
Sobre Alberto Peixoto 488 Artigos
Antonio Alberto de Oliveira Peixoto, nasceu em Feira de Santana, em 3 de setembro de 1950, é Bacharel em Administração de Empresas pela UNIFACS, e funcionário público lotado na Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, atua como articulista do Jornal Grande Bahia, escrevendo semanalmente, é escritor e tem entre as obras publicadas os livros de contos: 'Estórias que Deus Duvida', 'O Enterro da Sogra, 'Único Espermatozoide', 'Dasdores a Difícil Vida Fácil', participou da coletânea 'Bahia de Todos em Contos', Vol. III, através da editora Òmnira. Também atua incentivador da cultura nordestina, sendo conselheiro da Fundação Òmnira de Assistência Cultural e Comunitária, realizando atividades em favor de comunidades carentes de Salvador, Feira de Santana e Santo Antonio de Jesus. É Membro da Academia de Letras do Recôncavo (ALER), ocupando a cadeira de número 26. E-mail para contato: [email protected] Saiba mais sobre o autor visitando o endereço eletrônico http://www.albertopeixoto.com.br.