A mídia apodreceu, nem mensalão, nem nada contra Erenice Guerra

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Cada dia fica mais patente que não houve mensalão. O que houve foi caixa 2 para cumprimento de acordos eleitorais. José Dirceu, cassado por um fato que não existiu, sempre negou o factóide. Quanto ao Caixa 2, o tesoureito do PT, Delúbio Soares, assumiu a culpa desde o início. O fato é que até hoje não se comprovou a suposta compra de votos no Congresso nacional para que parlamentares apoiassem o governo. O mensalão não passou de uma fantasia criada pelo deputado Roberto Jefferson e repisada pela revista Veja e quase toda a mídia nacional. A mídia brasileira está podre.

Agora vem o caso de Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil, também derrubada por denúncias da mídia podre. O inquérito aberto para apurar as denúncias foi arquivado pela Justiça Federal, sob a conclusão de que não ficou comprovada a prática de qualquer ilícito. Não houve tráfico de influência de parte da ex-ministra Erenice Guerra. Para o assunto não morrer, a Polícia Federal já está anunciando “novos” indícios de sonegação. Assim, alguém da Polícia Federal, alimenta o factóide em plena campanha eleitoral.

Como se sabe, a Polícia Federal é muito politizada, no mal sentido. Há uma PF tucana e há uma Polícia Federal petista. Resta a Justiça. Na decisão que determinou o arquivamento, o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília explicou que, por força de lei, a Justiça deve arquivar o inquérito após pedido do Ministério Público Federal.

As mentiras da revista Veja, mais uma vez, provocaram queda de ministro. Primeiro José Dirceu, depois Erenice Guerra. E assim será até que o país tome consciência de que a mídia está podre.

Para não esquecer, visitei a Galeria F da Penitenciária Lemos de Brito

Sábado (21/07/2012) acompanhei a visita à Penitenciária Lemos de Brito feita pelos ex-presos políticos Theodomiro Romeiro dos Santos e Emiliano José. Theodomiro, que passou quase 9 anos dentro da cela 11, da Galeria F, é hoje juiz federal do Trabalho, em Recife. Emiliano José, que passou quatro anos na cela 13 é deputado federal pelo PT, escritor e jornalista. Já os torturadores ninguém sabe o que são. Junto estava Padre Renzo, que deu assistência aos prisioneiros, chegando a visitar 14 presídios durante a ditadura militar (1964-1985).

O prédio hoje está desativado. No Jornal da Bahia nós o chamávamos de “Maracanã da Fossa”, por causa de sua forma oval. As celas estão vazias, muitas com restos de gravações e rabiscos nas paredes. Numa parceria TVE e TV Brasil, a produtora Santo Guerreiro está produzindo um documentário sobre a vida de Padre Renzo. A equipe já foi à Itália, em Firenze. Agora, Padre Renzo veio à Bahia, percorreu a Galeria F, e sua antiga Paróquia em Capelinha de São Caetano, onde concedeu novos depoimentos. O documentário é inspirado no livro de Emiliano José “As Asas Invisíveis do Padre Renzo”. A biografia do padre, impressa em português e italiano, se transforma agora em imagens.

Emiliano José é uma fortaleza. Há 40 anos chegou ali arrebentado pelas torturas, e Theodomiro Romeiro dos Santos, além de arrebentado, juramentado de morte. Foi o primeiro prisioneiro da ditadura militar a ser condenado à morte. Pouco antes da Lei da Anistia, desconfiando da violência dos militares torturadores, Padre Renzo e uma rede de amigos patrocinaram a fuga de Theodomiro, que acabou vivendo 10 anos na França, de onde só retornou em 1985. Estudou Direito, tornou Juiz.

Almoçamos na Churrascaria Rodeio, que ninguém é de ferro. À tarde, retomamos os trabalhos. Na Igreja da Capelinha de São Caetano, Jorge Felipi e seus produtores colheram o depoimento de outro preso político, Benjamim Ferreira de Souza, que era integrante do Grupo de Jovens da Paróquia. Da visita do Padre Renzo ao militante da esquerda católica, na cadeia, surgiu a idéia de visitar os demais presos políticos e depois nos demais presídios.

Li no site de Emiliano José: “Para Emiliano, idealizador do projeto, “a viagem do padre Renzo Rossi pelas prisões brasileiras foi um exercício de amor e terror, pois viu a morte, a tortura, o desespero de homens, mulheres e crianças submetidas a uma ditadura cruel, que não conhecia limites”. Durante a ditadura, o religioso visitou 14 presídios de todo o país, tornando-se amigos deles. Um cristão que nunca tentou converter ninguém, ao contrário, se converteu no sentido de ampliar sua visão de humanidade no contato com materialistas cheios de esperança. Só na unidade prisional baiana, 20, das suas 176 celas foram destinadas aos combatentes contra o regime militar.

Os depoimentos, dirigidos por Emiliano José, Henrique Andrade e Jorge Felippi, da Santo Guerreiro, começaram a ser gravados em Florença, na Itália, cidade onde Rossi nasceu. Além da Bahia, o roteiro inclui entrevistas em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde vivem atualmente Amélia e Criméia Teles e sua filha, Janaína, além de Paulo Vannuchi, entre outros parentes, amigos e pessoas que estiveram presas durante o regime ditatorial. A previsão é de que o documentário seja assistido pelos telespectadores brasileiros em 2013.

O documentário vem em boa hora. O Governo da Bahia pretende implodir a PLB e construir no lugar uma nova e moderna penitenciária.

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