2 de julho e Soledade são Patrimônios da Bahia

Comemoração da Independência da Bahia. 2 de Julho, homenagem aos heróis da Marinha.
Comemoração da Independência da Bahia. 2 de Julho, homenagem aos heróis da Marinha.

Na data magna da Bahia, 2 de julho, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), inicia campanha de informação e mobilização pela participação efetiva da sociedade e das diversas instâncias públicas – federal, estadual e municipal – na proteção dos bens culturais: Cortejo do 2 de Julho e bairro da Soledade.

Na segunda-feira (02/07/2012), durante os festejos, serão distribuídos três mil impressos com fotografias coloridas do Cortejo e Soledade, ambos, oficialmente decretados como Patrimônios Culturais da Bahia. Em 2010, o IPAC já havia produzido o vídeodocumentário ‘(Per)cursos Patrimoniais’ sobre o Cortejo, registrando os locais por onde as tropas libertadoras passaram, com aula aberta do historiador Ubiratan Castro, diretor geral da Fundação Pedro Calmon, órgão parceiro da iniciativa.

“A Soledade detém um dos conjuntos arquitetônicos dos séculos XVIII, XIX e XX mais especiais e preservados de Salvador e é tombada pelo Estado desde 1981 via decreto nº 28.398”, explica Mendonça. Com suas Festas de Reis e Cortejo, aquele espaço urbano se torna ainda mais relevante para a cultura baiana.

O local remete ainda à antiga Estrada das Boiadas, hoje, Avenida Lima e Silva, a famosa Estrada da Liberdade que foi o itinerário do exército libertador da capital baiana em 1823. Já o Cortejo 2 de Julho está inscrito no Livro Especial dos Eventos e Celebrações da Bahia, desde 2006, decreto nº 10.179 do Estado também como Patrimônio Cultural da Bahia. A vantagem é que todo bem cultural tombado ou registrado tem prioridade nas linhas de financiamento para patrimônios, sejam elas da União, Estado, Municípios ou até internacionais.

INVESTIMENTOS

Além das campanhas de conscientização participativa, o IPAC tem trazido investimentos para a Soledade. No ano passado (2011) foi investido R$ 1,2 milhão do Tesouro Estadual na consolidação de duas casas que estavam ameaçadas. Elas foram estabilizadas e foi construída escada com rampa em estrutura metálica de oito metros de altura para acesso seguro de dezenas de moradores da Vila Lourdes, nos limites da Soledade. “Antes da escada muita gente caía. Era um barranco cheio de mato e a gente passava pela varanda do vizinho. A escada facilitou muito”, diz a moradora Marli Souza, 48 anos.

AGOSTO e SETEMBRO

A campanha do IPAC se inicia nesta segunda-feira (02) e se prolongará pelos meses de agosto e setembro. Agosto marcará a passagem do Mês Nacional do Patrimônio comemorando a data de nascimento do advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898—1969), primeiro presidente do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), criado no governo Vargas, em 1937. Instituída pelo Ministério da Cultura, a comemoração acontece anualmente em todo o Brasil com educação patrimonial, inaugurações de obras, palestras e exposições.

PLACAS

Já o mês de setembro marcará os 45 anos de fundação do IPAC, que transcorre no dia 13. Dentre as ações comemorativas, serão instaladas placas com dados sobre a história e importância arquitetônico-histórica de imóveis tombados na capital baiana. “Iniciaremos com imóveis tombados  ou ocupados pelo IPAC em Salvador, mas prosseguiremos para as demais regiões do Estado”, afirma Mendonça. Em toda a Bahia são cerca de 170 imóveis e monumentos tombados pelo IPAC.

Imóveis não tombados ou reconhecidos por outras instituições, como o Iphan/MinC, poderão fazer parte da lista, como o Palácio Rio Branco, na Praça Municipal em Salvador, que não é tombado, mas é ocupado pela Secult. Outro casarão tombado pelo MinC e que receberá placa é o Solar Mirante do Saldanha, no Viaduto da Sé.

SITE, LIVROS, FÓRUM e MUSEUS

Integrando as comemorações, o IPAC ainda realizará serviços de conservação dos estacionamentos de sua responsabilidade no Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. Além disso, serão lançados um novo e moderno site do Instituto e cerca de cinco mil exemplares de três publicações sobre bens culturais da Bahia. Palestras com especialistas nacionalmente renomados será promovidas nesses dois meses. “A Secult promoverá o Fórum do Pensamento Crítico: Cidades & Patrimônio”, completa Mendonça.

Em setembro acontecerá a Primavera dos Museus e o Dia Internacional do Turismo (29), com reedição do Guia de Museus em versões português, espanhol e inglês. Será lançado novo Sistema de Patrimônio Cultural da Bahia, o SIPAC, em meio digital para consulta pública permanente na Internet, e lançada a campanha ‘Cuide do nosso patrimônio’ em parceria com a TV Educativa do Instituto de Radiodifusão da Bahia, vinculado à Secretaria de Comunicação do Estado (Secom).

MÊS DO PATRIMÔNIO

O Dia Nacional do Patrimônio foi instituído pelo MinC em função da data de nascimento – 18 de agosto – do advogado, jornalista e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898—1969), que foi o primeiro presidente do Iphan, criado no governo do presidente Vargas em 1937. Profissional de grande envergadura intelectual, Rodrigo foi redator-chefe (1924) e diretor (1926) da Revista do Brasil. Na política foi chefe de gabinete de Francisco Campos e integrou equipe do Ministério da Educação e Saúde do governo Vargas, composta por muitos herdeiros dos ideais da Semana de 1922. Comandou ainda o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN, atual IPHAN), da sua fundação em 1937 até 1967. Pouco antes de sua morte, em 1969, Rodrigo ainda prestava depoimentos à imprensa e comparecia a eventos ligados à sua experiência no SPHAN. É pai do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, um dos líderes do Cinema Novo. Anualmente o Iphan homenageia seu antigo diretor com o prêmio em dinheiro que agracia projetos e ações destinados à preservação, divulgação e valorização do patrimônio cultural.

Sobre Carlos Augusto 9707 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).