Reitor da UFRB, Paulo Gabriel, em entrevista declara sobre a greve: “eu não vejo que haverá prejuízos, todo mundo se enriquece nesse processo”

Paulo Gabriel Soledade Nacif, reitor da UFRB.
Paulo Gabriel Soledade Nacif, reitor da UFRB.

Durante visita à Feira de Santana, com objetivo de tratar da instalação de um campus no município, o reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Paulo Gabriel Soledade Nacif, foi entrevistado por Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, oportunidade em que discorreu sobre direito de greve, posicionamento institucional e reivindicação dos estudantes.

Confira a entrevista

Jornal Grande Bahia – A minha primeira pergunta é com educação e direito de greve. Mais uma greve no ensino público superior, como o senhor avalia esse quadro?

Paulo Gabriel – Uma greve que não precisa ter existido. Na verdade existe um consenso do governo e dos professores de que nós precisamos de um novo plano de salário, ocorre que a dinâmica do governo foi um pouco mais lenta do que a gente esperava. Mas eu não tenho dúvida que o ministro Aloizio Mercadante e a presidenta Dilma têm grande sensibilidade, eles sabem que nós aqui na ponta, nós reitores, professores estamos construindo um novo Brasil, com essa interiorização da educação superior. Eu não tenho dúvida que haverá o respeito à greve e haverá rapidamente uma proposta do nosso governo para que essa questão seja rapidamente resolvida.

JGB – A questão do planejamento anualizado da educação essas greves prejudicam de sobremaneira. Existe recuperação do processo de educação depois que a greve passa?

Paulo Gabriel – É um processo duro, nós vivemos na década de 80 e 90 uma série de greves que causaram graves prejuízos. Nada indica que essa greve que estamos tendo hoje vai perdurar por muito tempo e eu acho que nós caminhamos já para um consenso, no sentido de construção de um acordo. Eu acho que a greve também é um momento de educação, ver os professores lutando por melhores condições de trabalho, melhores salários também é uma aula, uma aula de cidadania, que na democracia a gente tem que aprender, e eu não vejo que haverá prejuízos, todo mundo se enriquece nesse processo.

JGB – No ano passado ocorreu a greve dos estudantes. Qual foi a solução?

Paulo Gabriel – Aquela greve dos estudantes diziam respeito a reinvindicações notadamente no que diz respeito a atrasos de obras, que dizem respeito a uma legislação estabelecida pelo Congresso Brasileiro, que nem reitor, nem presidente da república pode alterar.

Nós buscamos com muita paciência, muita tranquilidade mostrar aos alunos que a UFRB vem avançando, mas que a gente precisa obedecer à legislação e nesse aspecto os estudantes acabaram concordando em assinar alguns documentos de compromisso que dependem da legislação.

Nós não temos problemas de recursos na UFRB, o governo federal vem sinalizando de forma muito concreta de que quer construir uma grande universidade. Nós vivemos em um momento em que o Brasil vive um boom da construção civil, as boas empresas não estão tão disponíveis e a gente precisa ter paciência ou mudar a legislação.

JGB – Como andam os projetos da sua administração?

Paulo Gabriel – Nós estamos cumprindo o que prevíamos. A UFRB, hoje, tem cerca de 550 professores, vamos avançar para chegar a 800 professores com dedicação exclusiva, o que nos colocará como a terceira maior universidade pública da Bahia, primeiro a UFBA, depois UNEB.

No Nordeste, em termos de interior, nós já somos seguramente uma das maiores autarquias. Mas a gente sabe que não precisa só ser grande, precisa ter qualidade, consistência institucional, e isso só é dado pelo tempo.

Ninguém chega a uma UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) do dia para o outro. Na verdade é uma universidade, por exemplo, pela qual eu tenho um grande carinho, grande respeito. Mas a UEFS tem 30 anos, então tem uma consistência institucional e acadêmica que a UFRB perseguirá. Os nossos projetos estão caminhando, e nós seguramente estamos construindo uma grande universidade.

Paulo Gabriel: "No Nordeste, em termos de interior, nós já somos seguramente uma das maiores autarquias. Mas a gente sabe que não precisa só ser grande, precisa ter qualidade, consistência institucional, e isso só é dado pelo tempo. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)
Paulo Gabriel: no Nordeste, em termos de interior, nós já somos seguramente uma das maiores autarquias. Mas a gente sabe que não precisa só ser grande, precisa ter qualidade, consistência institucional, e isso só é dado pelo tempo. (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) – Jornal Grande Bahia)
Paulo Gabriel: uma greve que não precisa ter existido. Na verdade existe um consenso do governo e dos professores de que nós precisamos de um novo plano de salário, ocorre que a dinâmica do governo foi um pouco mais lenta do que a gente esperava.
Paulo Gabriel: uma greve que não precisa ter existido. Na verdade existe um consenso do governo e dos professores de que nós precisamos de um novo plano de salário, ocorre que a dinâmica do governo foi um pouco mais lenta do que a gente esperava.
Sobre Carlos Augusto 9448 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).