Paraguai tem clima de normalidade um dia depois de Lugo ser destituído e novo presidente assumir

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A Igreja Católica do Paraguai cobrou hoje (23/06/2012) do novo presidente, Federico Franco, que promova a reforma agrária e garanta a inclusão social, melhorando os serviços de saúde e educação, além de empregos com qualidade.
A Igreja Católica do Paraguai cobrou hoje (23/06/2012) do novo presidente, Federico Franco, que promova a reforma agrária e garanta a inclusão social, melhorando os serviços de saúde e educação, além de empregos com qualidade.
A Igreja Católica do Paraguai cobrou hoje (23/06/2012) do novo presidente, Federico Franco, que promova a reforma agrária e garanta a inclusão social, melhorando os serviços de saúde e educação, além de empregos com qualidade.
A Igreja Católica do Paraguai cobrou hoje (23/06/2012) do novo presidente, Federico Franco, que promova a reforma agrária e garanta a inclusão social, melhorando os serviços de saúde e educação, além de empregos com qualidade.

O clima de normalidade impera hoje (23/06/2012) nas principais ruas e avenidas de Assunção, capital paraguaia. Diferentemente de ontem (22) à noite, quando as pessoas temiam sair às ruas, neste sábado o comércio reabriu as portas. As igrejas fazem missas e cultos e os vendedores ambulantes também circulam sem demonstrar receio. Nem a temperatura baixa, 14 graus Celsius (ºC), tira os paraguaios das ruas.

As praças em frente ao Congresso e o palácio de governo, que ontem foram tomadas por manifestantes, amanheceram hoje vazias. Em frente à catedral da cidade, foi organizada uma missa aberta, da qual participará o presidente e os novos ministros. A missa será realizada a céu aberto para que todos acompanhem de perto a mensagem do papa Bento XVI para Franco.

Nas ruas, há, ainda, indicações das expectativas políticas em relação ao governo do novo presidente do Paraguai, Federico Franco, pois em vários locais da cidade são vistas bandeiras com as cores do país (branco, vermelho e azul). Em alguns prédios, foram colocadas faixas com as cores nacionais.

“Não há mais perigo [de ameaças nas ruas], mas queremos saber o que vai acontecer. Temos esperanças de dias melhores, de mais tranquilidade e oportunidade para todos. Para mim, Franco parece um homem sério e competente”, disse o taxista Oscar Fidélis.

Ontem (22) as principais ruas e avenidas de Assunção estavam vazias e tomadas por policiais e militares das Forças Armadas. Foram montadas barricadas nas áreas consideradas estratégicas e praça em frente ao Congresso ficou cercada. Os policiais usaram gás lacrimogênio para dispersar os manifestantes.

Igreja Católica do Paraguai cobra do novo governo reforma agrária e justiça social

A Igreja Católica do Paraguai cobrou hoje (23/06/2012) do novo presidente, Federico Franco, que promova a reforma agrária e garanta a inclusão social, melhorando os serviços de saúde e educação, além de empregos com qualidade. O monsenhor Edmundo Valenzuela conduziu um culto ecumênico neste sábado, com a presença do presidente e de integrantes do novo governo, e apelou a Franco que atenda às demandas das camadas mais pobres da população.

“Os interesses mesquinhos não podem mover a política”, ressaltou o monsenhor. “As mudanças políticas no Paraguai exigiram consenso, houve um final pacífico, mas há ainda pendências, como oferecer aos camponeses justiça social. As raízes do problema da distribuição de terra também estão na educação, saúde e no trabalho de qualidade.”

Franco acompanhou o culto ecumênico ao lado da mulher Emilia, dos três comandantes militares – mantidos no cargo mesmo após a destituição do ex-presidente Fernando Lugo do poder – e dos novos ministros e assessores. O culto foi celebrado do lado de fora da catedral de Assunção, a capital paraguaia, e muitas pessoas acompanharam a celebração.

Ao final, o presidente foi cercado por pessoas que queriam cumprimentá-lo. Simpático, Franco cumprimentou várias pessoas, abraçou e acenou. Durante o culto, ele prestou atenção ao sermão do monsenhor que pediu aos manifestantes que mantivessem seus protestos, desde que pacíficos. Também disse que a Igreja respeita o Estado e sabe que ambos devem atuar de forma independente.

“A Igreja é consciente sobre o que é do Estado e o que é da Igreja. A Igreja sabe fazer essa distinção”, disse o monsenhor. “Rezemos hoje mais do que nunca pela paz e a reconciliação”, acrescentou. “A cultura da paz se faz presente quando não há violência.”

Anteriormente, a Igreja Católica havia apoiado Lugo, ex-bispo católico. No sermão, o monsenhor Valenzuela disse ter dúvidas sobre a rapidez com que ocorreu o processo de impeachment de Lugo. No entanto, de manhã, o núncio (representante do Vaticano) da Igreja Católica no Paraguai, Eliseo Antonio Ariotti, anunciou o apoio a Franco. Segundo ele, é necessário que todos contribuam para a paz e a justiça no país.

O monsenhor Valenzuela reiterou, durante o culto, a colaboração do ex-presidente durante o governo e elogiou sua decisão de acatar o impeachment, sem oferecer resistência. De acordo com ele, Lugo cooperou para manter a ordem nas manifestações que ocorrem, em sua opinião, de forma pacífica. Ontem, no entanto, houve confrontos entre policiais e manifestantes nas ruas de Assunção.

Novo presidente do Paraguai quer encontro com Dilma nos próximos dias

O novo presidente do Paraguai, Federico Franco, quer se encontrar o mais rápido possível com a presidenta Dilma Rousseff para ratificar o interesse do país de manter uma relação cordial e próxima com o Brasil. O ministro das Relações Exteriores, José Félix Fernández Estigarribia, disse que vai procurar o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, para encaminhar o desejo de Franco.

Fernández Estigarribia reiterou que o esforço do governo Franco é para desfazer mal-entendidos e consolidar as relações positivas com o Brasil e todos os países vizinhos. Em relação ao Brasil, o chanceler paraguaio disse que Franco e ele têm “especial admiração” por Dilma. “Como ela, também fui perseguido político”, disse o chanceler.

“A presidenta Dilma Rousseff é uma heroína no processo democrático do Brasil. Tenho admiração especial por Dilma e sou muito amigo do chanceler Patriota, que conheço há anos”, disse Fernández Estigarribia. “O trabalho do chanceler não é confrontar, é encontrar soluções, explicando como vemos a situação interna no Paraguai”, completou.

Nos últimos dias, o governo do Brasil manifestou preocupação em relação aos acontecimentos no Paraguai. Para as autoridades brasileiras, o processo de impeachment em pouco mais de 24 horas, que levou à destituição do então presidente Fernando Lugo e à posse de Franco, foi rápido e há dúvidas se houve tempo para a defesa.

“Também estranhei a velocidade com que o processo correu. Mas foi tudo dentro do que determina a nossa Constituição. Mas foi uma decisão soberana do Congresso”, ressaltou o chanceler. “Não há distúrbios nas ruas nem manifestações”, destacou ele.

Assim como fez Franco em entrevista coletiva concedida mais cedo, Fernández Estigarribia ressaltou que todos os compromissos internacionais serão seguidos pelo novo governo. “Vamos cumprir todos os compromissos e obrigações internacionais”, destacou. “Espero do Brasil uma extraordinária relação. Às vezes, os vizinhos têm diferentes pontos de vista. Isso é normal. Mas nos respeitamos muito.”

O chanceler reiterou que o governo Franco respeitará os cerca de 6 mil brasiguaios (agricultures brasileiros que moram em território paraguaio), que se queixam de discriminação, dificuldades para trabalhar no país e perseguição dos chamados carperos (sem-terra paraguaios), além da falta de apoio das autoridades do Paraguai.

“Vamos fazer todos os esforços para que eles [os brasiguaios] sigam trabalhando. Vamos respeitar todos os direitos de todos os cidadãos brasileiros que vivem no Paraguai”, disse o chanceler. “Mas a questão da terra é um problema que tem de ser resolvido no Paraguai.”

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