José Carlos Aleluia denuncia que liberdade de imprensa só existe na propaganda de Jaques Wagner

A matéria que mostrava o crescimento exponencial dos gastos com publicidade do governo Wagner.A matéria que mostrava o crescimento exponencial dos gastos com publicidade do governo Wagner.
A matéria que mostrava o crescimento exponencial dos gastos com publicidade do governo Wagner.

A matéria que mostrava o crescimento exponencial dos gastos com publicidade do governo Wagner.

“Ao mesmo tempo em que censura a matéria do jornalista Guilherme Vasconcelos sobre os excessivos gastos com publicidade, R$ 122 milhões no ano passado, montante muito superior aos R$ 37,5 milhões destinados às vítimas da seca no estado, o governo estadual publica anúncio de página dupla na última edição da revista Imprensa nº 279 (ver anexo), defendendo a liberdade de imprensa. Desse jeito, a única solução é morar na propaganda de Jaques Wagner”, denuncia o presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia.

A indignação tomou conta do líder democrata quando soube da ordem governamental para a retirada da matéria de um site de notícias e leu o anúncio do governo estadual na revista, que diz: “…Mais do que uma necessidade, a liberdade de imprensa é hoje uma realidade e um compromisso em nosso estado, pois  a liberdade não vive  sem a imprensa, a imprensa não vive sem liberdade e na nova Bahia elas nunca mais estarão separadas”.

Aleluia lembra que a censura wagnerista recentemente atingiu o deputado estadual Carlos Geílson (PTN). “Radialista, com tradicional programa em Feira de Santana, Geílson precisou mudar de rádio, porque a que ele trabalhava, pressionada pelo governo que não admite críticas, não quis renovar seu contrato. Nos sites e blogs, são comuns os buchichos sobre a tentativa do governo de controlar o noticiário. Mas agora essa prática hedionda vem a público com a denúncia do jornalista Guilherme Vasconcelos. Liberdade de imprensa na Bahia só na propaganda de Jaques Wagner”.

Para o presidente democrata, o governo petista quer deixar todo o povo baiano esquizofrênico, quando tenta insistentemente, com a massiva propaganda enganosa, impingir uma realidade que não existe. “As entidades de defesa da sociedade, como o Ministério Público, já que a Assembleia Legislativa está dominada, precisam tomar uma medida urgente. Não podemos deixar que a liberdade de imprensa seja cerceada em nosso estado. O totalitarismo do livro “1984”, escrito por George Orwell, não pode virar realidade na Bahia”.

Leia a justificativa de Guilherme e mais abaixo a reportagem que irritou o governo.

Guilherme Vasconcelos 

Hoje, pedi demissão do site Bocão News, onde trabalhei nos últimos três meses. Escrevi, com base em dados oficiais, uma matéria que mostrava o crescimento exponencial dos gastos com publicidade do governo Wagner. Para minha surpresa, cerca de uma hora após a matéria ter sido postada, ordens da chefia chegaram até a redação para que a reportagem fosse retirada do ar. De maneira truculenta e desrespeitosa, fui comunicado da decisão por terceiros através de mensagens de texto via celular. Também me foi dito que, por interesses econômicos e por pressão do “democrático” governo petista, a ordem era irrevogável. Diante disso, não poderia agir de outra forma. Não se trata de querer bancar o herói, mas a demissão era a única saída honrosa. A coerência, a dignidade e a liberdade são valores inegociáveis para mim. Na Bahia, estado que lidera a vanguarda do atraso, só verdades convenientes podem ser reveladas. Nosso jornalismo, salvo algumas honrosas exceções, é submisso e se aproxima do amadorismo. A verdade é que aqui, terra dos superlativos– 69 dias de greve dos professores, 12 anos de metrô, pior prefeito de capitas – , praticamente não há jornalismo investigativo. Dizem que estamos na era da transparência. Na Bahia, a censura ainda é regra.
Agradeço a Daniel Pinto, Marivaldo Filho e Luiz Fernando Lima, que muito me ensinaram durante esses três meses e, certamente, continuarão me ensinando.

Para os que leram e gostaram, para os que leram e não gostaram, e para os que não tiveram a oportunidade de ler, transcrevo abaixo a matéria que motivou meu pedido de demissão:

Governo Wagner eleva em 162% gastos com publicidade

Entre 2007, primeiro ano da administração petista, e 2011, o governo Jaques Wagner elevou em 162,5% os gastos com propaganda, promoção e divulgação das ações do Estado. Nesse período, as despesas com publicidade saltaram de R$ 46 milhões para R$ 122 milhões. Os dados estão no relatório de contas de 2011 do governo do estado elaborado pela conselheira do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE), Ridalva Figueiredo.

Em comparação com 2010, quando foram gastos R$ 109 milhões, houve um aumento de 12%. A Secretaria de Comunicação Social e a Casa Civil foram as instâncias do governo estadual que registraram maiores despesas na área, com R$ 29,2 milhões e R$ 13,9 milhões, respectivamente.

Entre as estatais, os gastos com publicidade foram liderados pela Empresa Baiana de Turismo (Bahiatursa), com R$ 11,4 milhões, seguida pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), com R$ 7,3 milhões, e a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), com R$ 3,3 milhões.

Seca

Se o orçamento para a divulgação dos projetos do governo não para de aumentar, os recursos destinados a ações de combate à seca, problema que fez mais da metade dos municípios baianos declarar situação de emergência neste ano, foram considerados insuficientes pelo conselheiro Pedro Lino, que votou pela desaprovação das contas do governo durante julgamento realizado na semana passada.

“Através de pesquisa realizada por minha assessoria nos sistemas corporativos do Estado, verificou-se que foram aplicados recursos no montante de R$ 37.599.143,88 através da execução de apenas dois projetos e duas atividades visando a assistência às famílias e municípios e implantação de soluções hídricas. Entretanto, nenhuma destas ações foi estabelecida como meta prioritária”, critica o conselheiro no parecer sobre as contas do poder executivo, destacando que a quantia empregada para reduzir os efeitos da seca foi mais de três vezes menor do que os recursos destinados a promover as ações do governo.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).