Bahia vai lançar plano para alcançar a autossuficiência na produção de borracha natural. Até 2031, Estado deverá plantar mais 100 mil hectares

Bahia vai lançar plano para alcançar a autossuficiência na produção de borracha natural.
Bahia vai lançar plano para alcançar a autossuficiência na produção de borracha natural
Bahia vai lançar plano para alcançar a autossuficiência na produção de borracha natural.
Bahia vai lançar plano para alcançar a autossuficiência na produção de borracha natural.

A Câmara Setorial da Borracha Natural e a Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri), estão ajustando os últimos detalhes para o lançamento do Programa de Desenvolvimento do Setor da Borracha Natural do Estado da Bahia (Prodebon), previsto para acontecer no mês de julho deste ano. Na última sexta-feira, o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, o secretário executivo, Ivo Cabral Junior, e Jan Pryl, membro da Câmara, estiveram em São Paulo, reunindo-se com diretores da Pirelli e da Goodyear, buscando apoio e participação das indústrias de pneu no plano, através do fornecimento de mudas para agricultores familiares e assentados da reforma agrária na região produtora de borracha. O plano visa a autossuficiência da Bahia na produção de borracha natural.

No mês de julho, em data a ser definida, um grande evento será realizado na região de Ituberá, no Baixo Sul do Estado, quando a Câmara Setorial, Seagri/EBDA/Adab, Ministério da Agricultura/Ceplac, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Indústrias pneumáticas, prefeituras dos municípios dos sete territórios de identidade que estão na área de abrangência do programa, do Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil e Desenbahia, associações e cooperativas de produtores deverão assinarão um Termo de Cooperação Técnica, definindo a responsabilidade de cada entidade na execução desse plano. “Esse projeto é um plano de Estado, concebido pela Câmara Setorial da Borracha, com participação da sociedade civil organizada”, disse Salles.

O programa vai atender a milhares de produtores, em sua maioria da agricultura familiar, e assegurar a autossuficiência da Bahia em borracha natural. E é exatamente para atender a esses produtores como a distribuição de mudas de  seringueiras de alta qualidade que o secretário da agricultura e os dirigentes da Câmara Setorial da Borracha estão buscando a participação da indústria pneumática. “Os governos estadual e federal, através da Seagri/EBDA e da Ceplac, vão assegurar a assistência técnica,” explicou Eduardo Salles aos diretores da Pirelli e da Goodyear, acrescentando que “estamos definindo os papéis e responsabilidades de cada elo da cadeia para colocar o Programa em prática”.

Ivo Cabral e Jan Pryl destacaram que as indústrias desenvolvem ações de responsabilidade social em outros setores, mas agora poderão executá-las na cadeia da borracha, contribuindo para reduzir a dependência do Brasil nesse setor. O País importa cerca de 70% da matéria prima demandada pela indústria de pneus.

Para Mário Batista, diretor corporativo da Pirelli, que recebeu a comitiva baiana, acompanhado pelos diretores José Fernando Filipeli e Juliana Salvático Vicente, o plano é muito bom e o assunto será levado à reunião de diretoria para definição.

Juarez de Miranda e Emerson Gallo, diretores da Goodyear elogiaram o projeto e disseram que a indústria tem o maior interesse em comprar a matéria prima nacional e deixar de depender da importação. “Queremos desenvolver parcerias com produtores nacionais”, afirmou Juarez. Eles foram convidados a visitar a região produtora de borracha e conhecer o potencial do estado, que pode produzir a seringa em consórcio com o cacau e a banana.

PROGRAMA É DA CADEIA PRODUTIVA

O Prodebon, além de ser estratégico para a Bahia e para o Brasil, tem grande importância por ser uma demanda que vem do próprio setor, da cadeia produtiva, elaborado pela Câmara Setorial da Borracha, um ano e meio depois de sua criação. De acordo com Ivo Cabral, se o Brasil não ampliar sua produção de borracha vai criar um gargalo que poderá esfriar o interesse de montadoras se instalar no País.

A produção de borracha na Bahia localiza-se no Pólo Ituberá, (Baixo Sul), e Pólo Una, (Litoral Sul), e no Pólo Itamaraju, (Extremo Sul), que está se formando. Mas, com a implantação do programa de desenvolvimento, a heveicultura será expandida para os municípios dos territórios de identidade Agreste, Médio Rio de Contas, Recôncavo e Vale do Jequiriça.

Na Bahia estão funcionando quatro indústrias de pneu. São a Pirelli e a Vipal, em Feira de Santana, e as Bridgestone e Continental, em Camaçari. O Estado conta apenas com duas indústrias beneficiadora da borracha, que são a Agroindustrial, em Ituberá, e a unidade da Michelan, em Igrapiúna. Amaior parte da matéria prima utilizada pelas pneumáticas da Bahia é importada.

De acordo com um dos responsáveis pela elaboração do programa, o engenheiro agrônomo e pesquisador da Ceplac, Adonias de Castro Filho oProdebon é importante para o desenvolvimento do Estado, com inclusão social e erradicação da miséria. Ele explicou que a lavoura de seringueira consorciada com cacau tem grande rentabilidade, podendo chegar a R$ 13 mil por hectare/ano.

A Bahia vai lançar o Prodebon num momento em que o País precisa aumentar a produção e buscar a autossuficiência.  Em 2009, o Brasil produziu 104 mil toneladas de borracha e consumiu 261 mil toneladas. No ano seguinte, o consumo cresceu para 320 mil toneladas. Em 2010, a importação brasileira de borracha natural alcançou a marca de 790 milhões de dólares. De 1998 a 2008, a produção brasileira cresceu 54%, e o consumo aumento 84%. Em valor monetário, as importações tiveram crescimento de 111%.

Estudos da Câmara Setorial da Borracha revelam que no ano 2020 o Brasil estará consumindo 680 mil toneladas de borracha, número que no ano 2030 chegará a 1,3 milhão de toneladas. Para ter autossuficiência, até o ano 2030 o Brasil deverá ter área plantada e produzindo de 830 mil hectares. Hoje, a área plantada no País é de cerca de 140 mil hectares.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9382 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).