Aliados de Lugo criarão frente de resistência ao novo governo do Paraguai

Aliados de Lugo criarão frente de resistência ao novo governo do Paraguai.
Aliados de Lugo criarão frente de resistência ao novo governo do Paraguai.
Aliados de Lugo criarão frente de resistência ao novo governo do Paraguai.
Aliados de Lugo criarão frente de resistência ao novo governo do Paraguai.

Um grupo de movimentos sociais e pequenos partidos políticos no Paraguai anunciou hoje (23/06/2012) que pretende fazer oposição ao governo do novo presidente do país, Federico Franco. O grupo vai lançar na segunda-feira (25) a Frente para Defesa da Democracia. Os integrantes são aliados do ex-presidente Fernando Lugo, destituído ontem (22) do poder, após a aprovação de um processo de impeachment contra ele.

O deputado Ricardo Canese (Partido Guasú) e Oscar Sostoa, ex-vice-ministro do Interior do governo Lugo, lideram o grupo para a formação da frente, cujos integrantes se reuniram hoje para definir uma assembleia na segunda-feira. Na ocasião, eles vão eleger o presidente, o vice e secretário-geral da entidade.

Na reunião, vários integrantes do grupo discursaram. Eles disseram que farão campanha para levar a sociedade a aderir ao que foi chamado de mobilização pacífica ativa. A ideia é promover manifestações com cobranças e críticas ao governo Franco, mas de forma pacífica e sem uso da violência.

Os integrantes do grupo reclamaram do que definiram como “campanha do medo”. Com receio da repressão policial e militar, muitos paraguaios ficaram em casa ontem, evitando a participação nos protestos contra a destituição de Lugo. Segundo Oscar Sostoa, houve um “clima de terror” para amedrontar os manifestantes e esvaziar as ruas.

O comando da Frente para Defesa da Democracia, que ainda não foi instituída oficialmente, disse não reconhecer o governo Franco e quer que Lugo retorne ao poder. Segundo seus integrantes, não há possibilidade de diálogo com o novo presidente. Por outro lado, Franco reiterou hoje que pretende formar um governo de coalizão com o apoio de todos os partidos políticos.

Lugo aceita decisão do Senado e diz que “democracia paraguaia foi ferida”

O ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, disse há pouco que acata a decisão do Congresso Nacional que aprovou no início da noite de hoje (22) o seu impeachment da Presidência do país. No seu pronunciamento, Lugo ressaltou que a decisão de retirá-lo do Poder representa que a democracia paraguaia foi ferida. O processo de impeachment do presidente foi aberto ontem (21) pela Câmara dos Deputados e aprovado hoje por 39 senadores.

“Estou disposto a responder com meus atos”, disse Lugo, ao fazer o pronunciamento em cadeia nacional, após a decisão dos parlamentares. Para ele, a democracia paraguaia foi desrespeitada. “Que os executores [doimpeachment] saibam da gravidade de seus atos”.

Aparentando calma, Lugo criticou seus opositores, que lideraram o processo de impeachment. “Não respondo a classes políticas, ao narcotráfico, ao crime organizado. Esse cidadão [Lugo] responderá e seguirá respondendo aos chamados dos compatriotas, dos excluídos”, disse.

Fernando Lugo pediu ainda que a população manifeste sua opinião diante do resultado, porém de forma pacífica. “Aos cidadãos, que não se neguem a seu direito de manifestar sua opinião, e conclamo que as manifestações sejam pacíficas. Que o sangue dos justos não se derrame nunca mais por causa de interesses mesquinhos em nosso país”.

Desde ontem (21), milhares de pessoas, a maioria apoiadoras de Lugo, concentraram-se na praça em frente ao Congresso Nacional, onde ocorreu o julgamento político. Após o anúncio da decisão dos senadores, imagens de televisão mostraram correria dos manifestantes e também dos policiais que reforçavam a segurança.

Lugo encerrou o rápido pronunciamento dizendo ainda que deixava o comando do país pela “maior porta do país, porta do coração dos compatriotas”. “Hoje me despeço como presidente, mas não como cidadão paraguaio, e vou servir a esta nação em que ela necessitar”.

Os parlamentares responsabilizam Lugo por confronto entre camponeses e policiais que culminou na morte de 17 pessoas na semana passada, além de apoiar invasões de terra no país. O vice-presidente Federico Franco assumirá a Presidência do Paraguai.

Lugo, ex-ativista católico, nasceu no distrito de San Pedro del Paraná, a 400 quilômetros de Assunção, em 30 de maio de 1951. Licenciado em ciência da religião, foi ordenado sacerdote católico em agosto de 1977 e se transferiu posteriormente para o Equador a fim de trabalhar como missionário na Diocese de Bolívar. Em 1983, realizou estudos sobre espiritualidade e sociologia em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Em 1994, quando voltou ao Paraguai, foi nomeado bispo pelo papa João Paulo II para uma das regiões mais pobres do país. Em 2004, foi aposentado pela Igreja Católica. Em março de 2006, liderou o movimento de oposição ao governo, que reuniu mais de 30 mil pessoas em frente ao Congresso. No mesmo ano, participou do lançamento do Movimento Paraguai Possível (MPP), que alavancou sua candidatura à Presidência em 2008.

Em 2010, foi detectado com câncer linfático. Passou por sessões de quimioterapia em São Paulo e em Assunção para tratar de um linfoma.

De família de políticos, Franco construiu história de vida sólida e rígida

De família de políticos tradicionais no Paraguai, o novo presidente Federico Franco, de 49 anos, construiu uma história sólida e rígida de vida. Ele foi o segundo da família a ser vice-presidente no país, depois do irmão Júlio César Franco (2000-2002). Médico cardiologista, Franco mantém hábitos severos. Como seu antecessor Fernando Lugo, é católico praticante e gosta de ir à missa logo cedo aos domingos.

Sistemático, Franco exige dos assessores e funcionários o cumprimento de horários. Mal assumiu o poder,  marcou para hoje (23), sábado, reunião a partir das 8h. Em discussão, a formação do novo governo e as prioridades que serão adotadas. O novo presidente avisou que pretende construir um governo de coalizão nos próximos 11 meses até as eleições de 2013.

Os desafios de Franco são conquistar a confiança da população paraguaia, que reúne um grupo considerável de admiradores de Lugo, e manter uma base leal no Congresso Nacional. A violência no campo e as cobranças dos camponeses pautam boa parte das reivindicações, pois um conflito entre agricultores e policiais, no dia 15, agravou a crise política do ex-presidente.

Não foi à toa que Franco nomeou, inicialmente, os ministros do Interior, Carmello Caballero, e das Relações Exteriores, José Félix Fernández, além do chefe da Polícia Nacional, Aldo Pastore. No Paraguai, as questões internas políticas são conduzidas pelo ministro do Interior e a Polícia Nacional administra as tensões relativas à segurança do Estado.

Para desfazer a imagem externa de ameaça de rompimento com a ordem e a democracia, ainda jovens nas Américas, Franco escolheu José Félix Fernández como chanceler. Diplomata de carreira, Fernández é respeitado interna e externamente, o que pode facilitar o trânsito de Franco entre os chefes de Estado das Américas ainda resistentes a ele.

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Sobre Carlos Augusto 9610 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).