Secretário do Planejamento, José Sergio Gabrielli comenta sobre prejuízo da seca na Bahia, e avalia que pode chegar a 40% da produção agropecuária

José Sergio Gabrielli ressalta que, além da agropecuária, o comércio e os serviços das regiões afetadas pela seca também sofrem com a perda de circulação de renda.
José Sergio Gabrielli ressalta que, além da agropecuária, o comércio e os serviços das regiões afetadas pela seca também sofrem com a perda de circulação de renda.
José Sergio Gabrielli ressalta que, além da agropecuária, o comércio e os serviços das regiões afetadas pela seca também sofrem com a perda de circulação de renda.
José Sergio Gabrielli ressalta que, além da agropecuária, o comércio e os serviços das regiões afetadas pela seca também sofrem com a perda de circulação de renda.

O impacto da seca na economia baiana devem provocar perdas na produção agropecuária que podem variar de 20% a 40%. O estudo, feito pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais do Governo da Bahia, autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento (Seplan), projeta três cenários – otimista, moderado e pessimista – em função da estiagem que, até o momento, já é a pior dos últimos 50 anos. O drama da seca, seu reflexo na economia e as ações do governo para minimizar o sofrimento da população atingida foi o tema abordado esta semana pelo secretário do Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli. Que também avalia, “além da agropecuária, o comércio e os serviços das regiões afetadas pela seca também sofrem com a perda de circulação de renda. As estimativas são de que o valor econômico gerado por estes setores terão uma queda de 10% a 20% este ano, em relação ao ano passado.”

A seca, observa o secretário, tem impactado diretamente na vida de mais de 2,5 milhões de baianos, mas também tem provocado efeitos indiretos na vida daqueles que moram longe da região. Por se tratar de um fenômeno cíclico, que ocorre a intervalos de 20 ou 25 anos, o secretário sugere a adoção de medidas preventivas que amenizem os efeitos sobre a vida das pessoas quando vierem os grandes períodos de estiagem.

“Na ultima grande seca que tivemos, em 1982, os efeitos sobre a vida das pessoas foram muito mais dramáticos do que os de hoje. Estamos cada vez mais preparados para enfrentar esse fenômeno”, disse Gabrielli. “As atividades econômicas estão mais diversificadas e o governo implantou uma série de medidas para aumentar a renda diretamente na mão das famílias, independente do período de seca”, explica.

Também, cita, foram feitas obras estruturantes para acumular água, além de acesso a novas fontes, o que permite uma melhor convivência com a estiagem. O longo período de seca dificulta o acesso à água, impulsiona a elevação do preço de alimentos, leva à morte de animais, faz desmoronar o valor do gado. Tudo isso reduz a circulação de dinheiro nas áreas mais afetadas e prejudica ainda mais a economia local.

Os reflexos da seca, no entanto, acrescenta Gabrielli, não atingem apenas os baianos. Consumidores de todo o país sentem no bolso o aumento do preço do feijão, que, de acordo com o Dieese, já subiu 40% somente este ano. Milho, aipim e soja também tiveram preços onerados, uma vez que a Bahia é um dos maiores produtores desses alimentos.

SOLUÇÕES – Gabrielli observa que não há como acabar com a seca, que é um fenômeno climático, mas é preciso criar estratégias para passar por ela sem muitos sacrifícios, a exemplo do que ocorre com os países que regularmente sofrem com seus invernos rigorosos.

“Como ação estruturante e de longo prazo, é preciso avançar com o programa Água para Todos, que busca aumentar a oferta de água perfurando poços, construindo e ampliando barragens, cisternas e sistemas de abastecimento”, aponta o secretário do Planejamento. “Além dos investimentos emergenciais para dar acesso a água, existe um movimento que diversifica as atividades econômicas do semiárido e reforça as transferências de renda para as famílias, como o Bolsa Família, a Aposentadoria Rural e o Crédito para Agricultura Familiar, que permitem que os baianos enfrentem melhor o período crítico da estiagem”, completa.

O Banco do Nordeste disponibilizou R$1 bilhão em novas linhas de crédito para irrigar as economias das cidades afetadas de todo o Nordeste e parte de Minas Gerais e Espírito Santo. Já o Governo do Estado está acelerando os programas emergenciais, ao mesmo tempo em que desenvolve as ações estruturantes para preparar os municípios para lidar com esse período agora e no futuro.

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Sobre Carlos Augusto 9506 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).