Gilmar Mendes x Lula: presidente da Câmara sugere “chá de camomila” e “panos quentes”

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Ao comentar as acusações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está fazendo pressão política para adiar o julgamento do mensalão, o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), sugeriu “colocar panos quentes” e dar “chá de camomila” aos envolvidos no episódio. Para ele, a discussão não irá atrapalhar o julgamento do mensalão e de outras matérias no Supremo.

“A partir de agora, o momento é o de acalmar os ânimos. É quase incompreensível a atitude do ministro Gilmar Mendes e a forma agressiva como ele tratou esses temas. Mas, todos conhecemos o ministro, é uma figura que tem uma clareza política enorme, sabe do seu papel e da sua responsabilidade”, disse Maia.

“Neste momento, é importante que se passe uma borracha em cima desse episódio. Não é um fato que vá provocar nenhum tipo de problema ao país ou que vá trazer qualquer tipo de dificuldade ao julgamento do mensalão. Temos que dar um chá de camomila para todos os envolvidos para que se volte à normalidade e à calma que é necessária neste momento”, acrescentou.

Já o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, acredita que o episódio do encontro entre Lula e Gilmar Mendes não abriu uma crise entre Executivo e Judiciário. “[A relação] continua sendo harmoniosa. Não vejo propriamente uma crise”.

Ayres Britto diz que encontro com Gilmar Mendes não foi para prestar solidariedade

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Ayres Britto, confirmou hoje (30/05/2012) à tarde que se encontrou com o ministro Gilmar Mendes ontem (29) à noite. Ele negou que tenha abordado o tema da recente crise entre Mendes e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Troquei ideias, bati um papo. Não fui lá para me solidarizar, para recriminar, que não me cabia, nem nada. Simplesmente conversei com ele”, disse Britto. Mendes afirmou que durante encontro ocorrido no final de abril, Lula tentou pressioná-lo para adiar o julgamento do mensalão, previsto para os próximos meses.

Britto disse que a conversa não estava pré-agendada e que decidiu ir até a casa de Mendes depois de sair de uma solenidade na Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), por volta das 20h30. Ele disse que trataram apenas de assuntos pessoais, durante cerca de 20 minutos.

O ministro registrou, ainda, que declarações recentes do ministro sobre os colegas da Corte não criaram mal-estar. Em entrevista publicada no jornal O Globo de hoje, Mendes disse que o mandato de Britto era “tampão” e que os ministros mais novos ainda não têm a “cultura do Tribunal”.

Britto disse que “não há clima de animosidade. Isso é fácil constatar”.

O presidente do STF alegou que não se manifestou oficialmente sobre o caso para defender Mendes porque ele não pediu. “Ninguém tomou a iniciativa porque entendeu que não há gravidade para isso”.

No ano passado, o STF publicou uma nota institucional para defender o ministro Ricardo Lewandowski. Ele era acusado de beneficiar a si mesmo ao suspender investigações nas folhas de pagamento do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Presidente do STF não vê risco de crise institucional no episódio entre Gilmar Mendes e Lula

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, disse hoje (30) que não vê risco de crise entre os Poderes após declarações do ministro Gilmar Mendes sobre o encontro ocorrido com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mendes disse que foi pressionado por Lula para adiar o julgamento do mensalão, que deve acontecer nos próximos meses.

Perguntado se o episódio criou mal-estar institucional, o presidente foi categórico: “De jeito nenhum, não vejo por esse prisma por nenhum modo”. O ministro acrescentou que o Judiciário está imune a dissensos  e que os ministros são “experimentados” para enfrentar qualquer tipo de situação.

“Isso não nos tira do eixo, não perdemos o foco, que é nosso dever de julgar todo e qualquer processo, inclusive esse, o chamado mensalão, com objetividade, imparcialidade, serenidade, enfim, atentos todos nós à prova dos autos”, destacou Britto.

O presidente disse não ter opinião sobre a tese de que há um grupo formado para difamar o ministro Gilmar Mendes ou para prejudicar o julgamento do mensalão. “O ministro Gilmar vê as coisas sob esse prisma, e ele certamente tomará as providências necessárias ou compatíveis com o quadro que ele mesmo traçou”.

Britto ainda negou que tenha tratado do assunto na reunião ocorrida ontem (29) com a presidenta da República, Dilma Rousseff. Segundo o ministro, eles trataram apenas de assuntos da administração pública e da participação do Judiciário na Rio+20, que ocorre em junho no Rio de Janeiro.

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