Durante entrevista, o ex-secretário de Feira de Santana Rafael Cordeiro declara: “nos dias atuais nós vivemos certa apatia por parte da sociedade em relação à política e aos políticos”

Rafael Cordeiro: "Porque eu acho que antes de tudo, nós necessitamos e precisamos trazer uma renovação na política local.". (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)Rafael Cordeiro: "Porque eu acho que antes de tudo, nós necessitamos e precisamos trazer uma renovação na política local.". (Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)


Ex-secretário do governo Tarcízio Pimenta, Rafael Pinto Cordeiro concede entrevista exclusiva ao jornalista Carlos Augusto, diretor do Jornal Grande Bahia, onde discorre sobre a experiência profissional fora do poder, as dificuldades em fazer política sem estar ocupando cargos. Fala também sobre disputas dentro do PDT, liderança de Tarcízio Pimenta e por fim, defende a ideia que é o novo na política de Feira de Santana, representando a renovação.

Jornal Grande Bahia – Como anda a sua vida profissional e sua vida política, uma vez que você deixou o cargo de diretor do PROCON em Feira de Santana?

Rafael Cordeiro – A vida profissional segue, eu sou advogado de formação, formado na Universidade Federal da Bahia, com especialização em direito administrativo pela Universidade Católica de São Paulo, a chamada PUC São Paulo. Ela prossegue como prosseguiu durante esse tempo que eu estive a frente da Superintendência Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor, atuando em uma advocacia social, com assistência jurídica, presta esclarecimentos, assessoria, também são desenvolvidas ações com a sociedade civil organizada, associações, empresas que trazem recursos ao nosso município. Sempre uma advocacia voltada para o social, para construção de uma sociedade melhor. Como a Constituição Federal expressa: o advogado é essencial para a administração da Justiça. Então, independente da questão da advocacia comercial, nós fazemos uma advocacia social, voltada a construir os interesses mais elevados da sociedade.

JGB – Você comentou conosco na ultima entrevista que deixaria o governo para poder estar habilitado legalmente a ser pré-candidato a vereador pelo PDT em Feira de Santana. Você confirma essa sua disposição? E se confirma, eu lhe pergunto, é difícil fazer política sem ocupar cargos públicos?

Rafael Cordeiro – Em primeiro lugar, eu me desincompatibilizei do cargo de superintendente do PROCON justamente para poder estar legalmente, juridicamente habilitado a ser um pré-candidato nessas eleições de 2012. Nós estamos aptos a participar desse próximo pleito eleitoral. Você fez uma pergunta pertinente nos dias de hoje. Realmente a política atual é muito difícil de fazer. Independente de qual situação, qual partido.

Porque a gente sabe que nos dias atuais nós vivemos certa apatia por parte da sociedade em relação à política e aos políticos também. Há uma dificuldade atualmente de fazer uma política, que eu costumo dizer que é a boa política. A política da conversa, das ideias, das propostas, até mesmo da ideologia. Mas, acredito que ainda há espaço para isso, e que vai voltar essa época em que os políticos vão valer o que vale as suas propostas e ideias.

Acredito muito nisso. Como jovem não poderia deixar de acreditar nessa maneira, e é por isso que a gente está fazendo esse movimento político. Que independente do partidarismo é um movimento político, para a construção de uma sociedade melhor.

JGB – Eu não vou te perguntar se existe disputa dentro do PDT, porque existe. Mas eu lhe pergunto se existe favoritismo dentro do partido?

Rafael Cordeiro – Eu sou filiado ao partido recentemente, mais precisamente em setembro de 2011. Então ainda vai completar um ano de filiação ao partido. É a minha primeira filiação partidária e eu lhe digo que como em qualquer situação, em qualquer instituição, há sim uma diferenciação natural entre aqueles que acompanham.

Eu acredito que chegando próximo ao pleito eleitoral essas diferenças tendem a diminuir. Até mesmo para que não haja dentro do próprio partido uma situação de desconforto de alguns dos seus membros.

Como ele lhe disse, há naturalmente uma diferenciação, mas isso é natural, e tende a diminuir, mas pelo menos assim a gente espera. Para que todos possam ter as mesmas condições de disputar as eleições e apresentar da mesma forma as suas propostas.

JGB – Até que ponto ajuda ser aliado do prefeito Tarcízio Pimenta? Estar no mesmo partido que o prefeito?

Rafael Cordeiro – Independente da questão pessoal do prefeito Tarcízio Pimenta, acreditando que estando ao lado do governo municipal, fazendo parte do governo municipal eu acho que dá mais possibilidade de você apresentar os suas propostas. Evidentemente que quem está no governo, trabalha no governo tem uma abertura maior, uma mobilidade maior quanto fazer a política, então tem mais esse contato direto com a sociedade, tem mais essa proximidade.

Lógico que a questão de ser governo também pode trazer alguns desgastes, algumas situações que venham a não favorecer o candidato. Mas eu acho que isso é normal, natural, não só aqui no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo. Essa tensão entre quem é governo, e quem é oposição sempre vai existir, e cada lado tem os seus prós e contras.

JGB – Rafael, eu te pergunto mais uma vez, porque o eleitor feirense deve votar sem sua pessoa nas eleições de 2012 para vereador?

Rafael Cordeiro – Porque eu acho que antes de tudo, nós necessitamos e precisamos trazer uma renovação na política local. Não é especificamente Feira de Santana, mas nas eleições municipais eu acho que tem que ter espaço para o novo, para a renovação.

Os políticos mais experientes devem partir para outras missões, a exemplo da Câmara Federal, Senado federal, e Assembleia Legislativa. A política local tem que estar sempre se renovando, sempre havendo novas ideias, representatividade maior, mais próxima da população, do público jovem. Porque, na verdade, é no município que se resolve as problemáticas do dia a dia.

Vivemos uma época em que o Brasil deu boom do aumento populacional, e parte da pirâmide etária dos jovens vem crescendo cada vez mais. Então, acredito que essa renovação tem que acontecer de baixo para cima. Ou seja, do município até o governo federal. É isso que eu tenho a contribuir, com novas ideias, uma renovação dessas ideias, a força de trabalho, do mudar, do querer fazer correto acima de tudo.

JGB – O Jornal Grande Bahia lhe agradece pela entrevista.

Rafael Cordeiro – Eu que agradeço o espaço que vocês sempre nos concedem. A imprensa tem um papel fundamental na construção de uma sociedade melhor, e vocês do Jornal Grande Bahia tem feito esse papel com muito primor. Muito Obrigado.

Carlos Augusto entrevista Rafael Cordeiro, que comenta: "Evidentemente que quem está no governo, trabalha no governo tem uma abertura maior, uma mobilidade maior quanto fazer a política"

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Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).